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PENSAMENTO DESPORTIVO

A análise do «Clássico»: um dragão de pouca chama salvo por um leão que continua em autodestruição

          

O encontro começou da melhor forma para os portistas. Logo aos seis minutos, Corona colocou nas costas da defesa, Maximiano saiu em falso da baliza e o que parecia ser uma receção de bola deficiente de Marega transformou-se no primeiro golo azul e branco. O Sporting CP de­morou a encontrar-se e os dragões aproveitaram esse mo­mento para controlar a partida de forma confortável.
A equipa da casa reagiu. Tarde, mas reagiu. E quando o fez, o FC Porto sentiu de imediato o incómodo e, até ao intervalo, só com um remate de Nakajima a rasar a trave conseguiu assustar a equipa leonina. O resultado parecia fechado na primeira parte, mas Acuña teve outras ideias. Ao minuto 44, o Sporting CP recuperou a bola em zona adiantada e Vietto deu para o argentino, que encontrou o buraco da agulha para bater Marchesín.


O descanso fez bem aos comandados de Silas e não tão bem aos forasteiros. Sérgio Conceição não conseguiu encontrar a solução para trazer tranquilidade à equipa e puxar novamente para o seu lado o controlo do jogo. E, por isso, as oportunidades de golo foram-se acumulando para o Sporting CP. Foi Vietto por inúmeras vezes (nu­ma delas acertou no poste), foi Luiz Phellype e até Bruno Fernandes falhou uma bola em que faz golo em 95% dos casos.
Os sportinguistas estavam bem no jogo e cheirava a golo. O que os adeptos presentes em Alvalade não esperavam era que este surgisse a favor do FC Porto. Aos 73 minutos, Doumbia não atacou a bola num pontapé de canto e permitiu que Soares cabeceasse à vontade para selar o resultado final. O golo sofrido, novamente por cul­pa de erros defensivos, atirou mais uma vez o Sporting CP para o fundo do poço e a equipa voltou a perder-se no ta­pete verde de Alvalade, como tinha sucedido durante os primeiros minutos da partida. Ainda assim, Coates teve na cabeça a oportunidade de empatar, mas o ferro voltou a ser amigo de Marchesín.
Doze anos depois, o FC Porto voltou a vencer em Alvalade. Não precisou de uma exibição portentosa, mas sim de maior consistência e de esperar pelos erros de um Sporting CP que parece continuar a ter a capacidade de se autodestruir nos grandes momentos.
Daniel Sousa
2020-01-14


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