Diversos

Olhar o património cultural

          

Na edição de 15 de abril fui particularmente sensibilizada pela notícia na pág. “Do Cávado ao Ave” - “Ceifeiros de Cantelães lançam CD”, o que nos leva a refletir a importância da sua representatividade no panorama do património cultural em que se integram. Sendo uma notícia que em princípio procurará alargar a sua envolvente de vendas, reconheço-lhe uma dimensão sociocultural de elevada grandeza, dando vida a um passado de tradições de que todos nós somos portadores, e que por isso deveremos ajudar a preservar.
Começo pela representação da imagem, composta por diferentes gerações, o que é muito interessante uma vez que ajuda os mais jovens a formar uma consciência cultural desde muito cedo, a que acresce a diversidade de vestuário, que encanta pela sua criatividade e beleza, assim como os apetrechos de trabalho artesanal representativos dos meios que ajudaram os trabalhadores agrícolas no processo laboral, sustentado na força braçal. Situa tempos em que a sobrevivência era difícil passando, essencialmente, por processos criativos de superar a adversidade, conseguido com trabalho árduo e persistente.


Mesmo assim, apesar da escassez de tempo disponível as comunidades sempre procuraram momentos de lazer criando actividades de ocupação e de convívio que as unisse e as compensasse do desgaste físico a que eram sujeitas no seu dia a dia. A música, na tradição da con­certina foi, possivelmente, o instrumento que essa ne­cessidade melhor desenvolveu, usada normalmente nos convívios que se realizavam no verão, ao domingo à tarde, em espaços ao ar livre e nas colheitas. E assim se fo­ram desenvolvendo actividades mais alargadas e complexas, de que o folclore fará parte desses processos, o que implicava criatividade de escrita, musical, dança e representatividade.
Será necessário ter consciência que nos tempos que nos antecederam o acesso a essas modalidades de conhecimento eram limitadas, sendo muitas vezes superadas por mentes geniais que, a partir da sua experiência vivencial foram capazes de construir um património cultural artístico incrível que surpreende. Obrigava, por outro lado, a trabalho em grupo que exigia motivação, organização, entrega, onde homens e mulheres, todos tinham responsabilidades.
Olhar para esta notícia, que diz “representar a tradição folclórica, não apenas da freguesia, mas do concelho de Vieira do Minho”, é de louvar. Mostra por outro lado a importância de organização e convivência comunitária, imprescindível no estabelecimento de uma vivência mais equilibrada e solidária entre vizinhos.
Elisa Soares
2019-06-26


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