Diversos

A nossa herança

          

“Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,
Está nas vossas mãos o meu destino” (Sl.15 (16), Vs.5-6)


O ser humano adulto tem já a experiência da morte mas pensa sempre que nunca será com ele. É à sua volta que morrem!
Nascemos sem nos lembrarmos e morreremos com o mesmo desconhecimento. Ninguém é soberano nem para viver nem para morrer. É por isso que quem possui algo de seu, quer por herança quer pelo trabalho, tem pressa em fazer Testamento onde conste que aquilo que lhe per­ten­ce vai parar a boas mãos (uma grande ilusão)!
O Povo diz que é rico quem tem saúde e trabalho. Porém, tantas vezes, essas duas riquezas não geram mais que isso mesmo, e às vezes geram até menos quando o homem não consegue andar para a frente com a vida; noutras, a saúde e o trabalho levam a humanidade a acumular alguns bens de acordo com gostos pessoais, estilo de vida, condição social, ambição, a sua atitude perante a existência.
Se nos lembrarmos do que aconteceu com Job que foi posto à prova até ao limite do reconhecimento da miséria humana, ou da parábola do pobre e do rico avarento, rapidamente alcançamos a certeza de que a nossa herança, a nossa riqueza não está nos bens materiais mas nos bens espirituais, naqueles que espelham a pessoa na sua acção na sociedade, na dimensão do Ser e não do Ter.
Escreveu o Pe. António Vieira que “quando nascemos somos filhos dos nossos pais e quando morremos somos filhos das nossas obras”; e a Madre Teresa de Calcutá também deu disso testemunho afirmando mesmo que “são mais santas as mãos que trabalham do que as mãos que rezam” - ambos destacando que o importante é a pessoa e os seus valores, as atitudes, e não tanto uma fé vazia de gestos, como se conclui da Epístola de S. Tiago: ”Mostra-me a tua fé sem obras que eu pelas obras te mostrarei a minha fé”-.
E assim, olhando para o mundo que se transforma todos os dias - morrem ricos e morrem pobres -, devemos cuidar da herança: a que nos deram e a que pelo trabalho conquistamos. E delas devemos fazer Testamento para que os que ficam ainda deste lado, não passem o resto da vida engalfinhados com o que deviam herdar e não herdam.
Os desapegados do mundo sabem que a grande herança é Jesus Cristo! Os que se dedicam a Causas já intuíram que o importante é o dar e não o receber; os que sendo ricos repartem da sua riqueza com o pobre, também descobriram o caminho da salvação. Mas os usurários deste Planeta precisam ainda de ser catequizados por Jesus Cristo, a nossa verdadeira herança porque só Ele é o depositário fiel de tudo quanto somos e temos. Ele é a grande riqueza dos crentes!
Ermelinda Silva
2020-05-14


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