Do Cávado ao Ave

In memoriam - Padre Manuel António Luiz - (1886-1949)

ROSSAS

          

Em Novembro, mês dedicado à memória e sufrágio dos mortos, este periódico, ór­gão dum arciprestado, con­tinua a recordar sacer­do­­tes falecidos que foram destas terras de Vieira ou por cá andaram em trabalhos pastorais da vinha do Senhor.
Hoje fazemos memória dum sacerdote, falecido há 70 anos, com fama de santi­dade, dada a sua total dedi­cação aos pobres, como tes­­temunha o seu afilhado e sobrinho Rev. Diácono Per­­manente, Manuel Fer­nan­des Moura, residente em Bessancourt (França).
Segundo o relato do nosso assinante, o Padre Manuel António Luiz, nasceu em 1886 no lugar de Calvos, freguesia de Rossas e fa­leceu em Sta. Eufêmia de Prazins (Guimarães) a 30 de Outubro de 1949.


Recorda o seu percurso Sa­cerdotal após a ordenação em 12/11/1911 e alguns epi­­sódios da sua vida sa­cer­­dotal nos primeiros anos da República. Oito meses ap­ós a ordenação, quando regressava de celebrar a Eu­­caristia, em S. Nicolau de Ca­beceiras, foi humilhado e tra­tado como um criminoso pelas tropas republicanas. Levado para Casa do Barão Cabeceiras de Basto e tra­ta­do sem nenhuma hu­ma­ni­dade foi ameaçado de morte caso não renunciasse à Religião Católica.
Passando depois pela cadeia das Pereiras onde foi jul­­gado e condenado sendo poucos dias depois transferido para a penitenciária de Coimbra. Estas e outras in­for­mações foram encontradas nos seus escritos diários. Firme na sua fé e com a força do Senhor depois de muito injuriado e de mo­men­­tos de muito sofrimento, situação esta vivida também por outros Sacerdotes em todo o país.
O Sacerdote Manuel, meu tio e padrinho emigrou en­­­tão para o Brasil onde con­­­­tinuou a divulgar a pala­vra do Senhor da freguesia de Santo António na cidade do Grão Mogol (Minas Ge­rais).
Tendo regressado a Por­tu­­­­­gal em 1931 foi pároco da freguesia de Prazins durante 18 anos terminando a sua caminhada neste mundo, marcando fortemente os seus paroquianos pela sua ca­pacidade de escuta e de­di­cação aos mais ca­ren­cia­dos e doentes. Faleceu nesta paróquia do ar­ci­­prestado de Guimarães, com fama de santidade, on­de foi sepultado no cemitério de Santa Eu­­fêmia de Pra­zins.
2019-11-13


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