Do Cávado ao Ave

Casa Florestal em ruínas. Quem pode acudir

          
Casa Florestal em ruínas. Quem pode acudir

No passado dia 13 de maio (2020), quase ao cair da noite, passando, em modo de ca­mi­nhada, pela enésima vez, pelo recinto da «Casa Florestal» de Vilar Chão, no emble­mático lugar da Pedreira, ali mesmo, no sopé da pobre Ser­ra da Cabreira, observando, também pela enésima vez, o estado de abandono e de degradação de que foi e con­ti­nua a ser objeto aquele ícone da vida e da história da comunidade de Vilar Chão e do município de Vieira do Minho, fomos assaltados por um turbilhão de sen­ti­mentos e de pensa­me­n­tos que não conseguimos inibir e que reconhecemos dever partilhar, sem saber, porém, a quem, em pri­­­meira e úl­­tima instância, principalmente nos deveríamos dirigir, para fazer de­­núncia e pedir contas por este “crime” contra o património do nosso Interior rural!


É este turbilhão de sentimentos e pensamentos, de indignação, de frustração, de factos e de ideias, de lamentáveis realidades e de múltiplas possibilidades, que reconhecemos dever denunciar.
Sempre que passamos por este lugar de memórias , sentimos e inspiramos os aromas inebriantes das espécies vegetais das sebes dos dois viveiros ligados à vida e à história desta Casa e deliciamo-nos com a recordação do primor das plantas que ganhavam raízes e porte naqueles vi­veiros, “maternalmente” re­gadas, mondadas, cuidadas, por admiráveis viveiris­tas de Vilar Chão.
Se, pela terceira década do sé­culo XXI, a «Casa Florestal» de Vilar Chão, com os seus artísticos viveiros, pudesse oferecer aos seus potenciais visitantes atuais o es­plen­dor que tivera na segunda metade do século XX, hoje, aquele lugar seria um polo de atração para lazer e fruição tu­rística comparável aos mais belos e aprazíveis do nosso Verde Minho!
Com a imagem da tristeza, do desgosto e da indignação atravessada nos olhos e na mente, prosseguimos a caminhada, passando à entrada da estância iluminada do «Campo de Tiro da Cabreira”, descemos a encosta do encantado Parque da Senhora da Ora­da, bordejámos a iluminada e vistosa «Quinta do Fa­rejal», atravessámos Vilela, até ao nosso destino. No centro histórico de Vilar Chão, de­pa­rámos, próximo da meia noite, com a Sede da Junta iluminada, com sinais de Reunião em curso. Cuidando de saber da identidade dos reunidos, logo fomos informados de que se tratava da Reunião estatutária da “Associação de Caça e Pesca do Penedo da Pinga”. Passados minutos, vimos sair os associados caçadores e logo se gerou nova reunião, com a improvisada agenda que trazíamos em mente: o miserável e lamentável estado de de­gra­­dação e de abandono da “Casa Florestal de Vi­lar Chão” e de seu desgraçado recinto!
Verificámos que os associa­dos caçadores do “Penedo da Pinga” eram testemunhas bem informadas das múltiplas e inconsequentes diligências desenvolvidas, nas últimas décadas, no sentido de obstar à referida degradação do património em causa. Ficámos a saber que a Junta de Freguesia de Vilar Chão tudo fez, em sinergia com a Câmara Municipal, para resolver o problema; que havia acordo na apresentação de uma proposta de gestão daquele imóvel, formalmente assumida pela Junta, para ser partilhada pela Associação de Caça e Pesca de Vilar Chão e pela equipa de Sapadores Flo­­res­tais, mas que esta e outras propostas de solução todas se tinham perdido no labirinto estatal, onde se escondem os (ir)responsáveis nacionais da gestão do património das Casas Florestais.
Embora, como dissemos, o sentimento dominante desta improvisada miniassembleia de rua fosse de desilusão, de frustração, de descrença e de desânimo relativamente à possibilidade de salvar o que resta daquele património (por exemplo, das peças de pe­­dra lavrada da cornija da Casa, que começam a desaparecer), foi também aventada a hipótese de se fazer uma derradeira tentativa no senti­do de saber a causa deste aban­dono, desta demissão e omissão do Estado, relativamente a este recurso de uma comuni­da­de do Interior Rural, Interior que tanto enche a bo­ca dos Go­­­ver­nantes, mas que parece não passar de palavreado inconsequente. Oxa­lá a vir­tude da re­si­­liên­cia cívica possa encher de ver­go­nha os (ir)­res­­pon­sá­veis da degradação a que che­­­gou a “Ca­sa Flo­restal” de Vilar Chão e o seu desgraçado recinto!
Pelo histórico deste caso, é-nos dado sa­ber que a Junta de Freguesia está, pois, disposta a assu­mir a gestão for­mal do imóvel, em parceria com a Equipa local de Sa­pa­dores Flo­res­tais e com a “As­soc­iação de Caça e Pesca do Penedo da Pinga”.
Se as trabalhadas pedras das cornijas desta Casa vierem a ser delapidadas, como foram já outras peças e partes deste imóvel, a comunidade de Vilar Chão tem o direito e o dever de acusar e pe­dir contas aos (ir)res­pon­sá­veis estatais por este crime pa­trimonial.
Ao estado a que isto chegou!...
Ao estado a que deixámos isto chegar!...
JMF
2020-07-30


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