Editorial

Confiança em crise

          

Tem-se acentuado uma desconfiança que fragiliza as relações pessoais, institucionais, de grupos…e assim temos vindo a esquecer a conjugação do verbo “confiar”.
Em quem confio? – Uma boa pergunta para muitas horas de reflexão, para muitas mesas redondas, muitas tertúlias em lugares tranquilos e frescos, no verão que se aproxima.
Os nossos critérios, os valores que nos norteiam, servem de norma para escolher quem merece confiança. Mas serão eles válidos?


Quantos deseducadores se apresentam como os donos e senhores da verdade! Quando alguém apresenta uma opinião, emite um juízo, faz uma crítica e se fecha de imediato a qualquer contestação, concluo que, porque se habituou a confiar só em si, tem grande dificuldade em encontrar-se com a verdade. Vai, sem querer, cultivando um estado de espírito que a leva a desconfiar. E fecha-se.
Isto verifica-se muito nas nossas comunidades paroquiais, nomeadamente em regiões a desertificarem-se como aquela em que vivo.
Onde estão os jovens? Lá fora…olhando desconfiados aqueles que perderam a confiança.
Eu confio nos jovens, na sua criatividade, na curiosidade, vontade de triunfar, de construir uma sociedade mais justa e verdadeira.
Tenho presente as recomendações do Papa Francisco numa das Jornadas da Juventude, pedindo que não esquecessem a “memória”, ou seja a história transmitida pelos avós, os valores, que caraterizam um povo, uma cultura. É a partir daí que qualquer construção tem garantia de sucesso.
Que estamos a oferecer aos jovens, que seja garantia de confiança? - A mentira, a corrupção, o egoísmo, a vaidade, a ganância…não inspiram confiança. Se não nos con­vertermos, não podemos esperar o regresso dos jovens. Seremos um dia julgados pela sua debandada, pelas suas quedas em precipícios ou terrenos pantanosos. Sejamos sinceros, antes de culpar outros.
M. Leonor Coelho
2019-06-13


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