Editorial

Que futuro no póscoronavírus?

          

Para além de muitas outras realidades, o surto de epidemia coronavírus, logo declarado de pandemia, depressa alertou a consciência da humanidade de que o mundo es­tá doente, não só devido ao COVID-19, mas, sobretudo, pelo estado em que se encontra.
Após o crescimento a que o mundo chegou, e que tanto cresceu nas primeiras décadas do séc. XXI, na ciência, na técnica, na medicina, na informática e na comunicação, não podemos tolerar derrotas como as provocadas pe­la fome, a guerra, a poluição, a corrida aos armamentos, para não falar da violência e da injustiça que pesam ca­­da vez mais sobre os pobres e devastam a casa comum que é o planeta terra.
O alastramento desta pandemia é uma campainha de alar­me a chamar a atenção para a urgência de uma “nova or­dem mundial”, um novo renascimento, quer para o mundo, quer para a Igreja. Desde logo, numa avaliação dos cri­térios e dos valores que orientam a sociedade, no con­texto da globalização mundial, do nosso modo de viver e da forma de celebrar a fé.
No que se refere à Igreja a pandemia veio pôr a nu a sua incapacidade de oferecer uma palavra clara e convin­cen­te como sinal, “sacramento” da proximidade Deus.
O confinamento, o estado de emergência e de calamida­de pública imposto pela COVID-19, “derrota-se, em pri­mei­ro lugar, com os anti-corpos da solidariedade”, referiu o Papa Francisco numa entrevista à revista espanhola Vida Nueva, apelando ao protagonismo do povo de Deus e recordando os seus recentes apelos a favor de um sa­lário mínimo universal, da condenação da dívida exter­na, do apoio aos pactos para as migrações e acordos climáticos.
Depois de elogiar a dedicação e solidariedade dos pro­fis­sionais de saúde e de tantas pessoas que, individualmente ou em grupo, se dedicam a ajudar os mais vulnerá­veis, o Papa reflete no futuro, a partir dos acontecimentos da Ressurreição de Jesus que nos oferece a força da fé e do serviço ao próximo.
“Se aprendemos alguma coisa neste tempo é que ninguém se salva sozinho”, por isso, “não nos conformemos com lógicas paliativas que impedem de assumir o impa­cto e as graves consequências do que estamos a viver”, afir­­mou o Papa Francisco naquela entrevista, deixando um sério alerta para “o perigo de uma fé virtual” em que po­­dem mergulhar os cristãos. “Uma vida de fé, sem co­mu­nidade e sem ir à igreja é perigosa. Nós, cristãos, deve­mos crescer nesta familiaridade, que é pessoal, mas co­mu­­nitária. Uma familiaridade sem comunidade, sem Igreja, sem os sacramentos, é perigosa, pode tornar-se uma familiaridade gnóstica, separada do povo de Deus”, avisou o Papa.


O alastramento desta pandemia é uma campainha de alar­me a chamar a atenção para a urgência de uma “nova or­dem mundial”, um novo renascimento, quer para o mundo, quer para a Igrej ...

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