Editorial

Férias fora dum verão “normal”

          

Um dos benefícios do Verão, pelo menos para quem está em férias, é o de poder descansar. Chegamos ao fim de um ano de trabalho não só cansados, mas por vezes, magoados, angustiados, desanimados… e este ano o Verão, dadas as circunstâncias, saltou fora da “normalidade”. Estão canceladas as saídas para muito longe e as acti­vidades lúdicas que envolviam crianças, jovens, idosos fo­ram reduzidas ou transferidas para a área digital, como aconteceu nos últimos meses de pandemia com o trabalho em casa, o teletrabalho e teleensino.


Talvez gostássemos de um Verão “mais normal”, livre de incertezas em relação ao futuro, como as que estamos a viver; livre de pessoas infectadas por esta doença que nos atormenta, sem necessidade de novos confinamentos. A necessidade de desconfinar, de abraçar, socializar, vive ain­da cruzada com a obrigatoriedade de darmos passos se­guros que não deitem tudo a perder e não ponham tudo e todos em risco.
Sonhamos com o verão, mas a convivência da família na mesma casa de férias, nem sempre é assim tão idílica co­mo imaginámos. Podem vir ao de cima os caprichos, as feridas e os temperamentos de cada um… e a tentação do egoísmo é grande, a tentação de ter as “minhas” férias. É verdade que precisamos de tempo para nós, o que não significa que tenhamos de fechar o coração aos outros. Há férias de coração aberto e de coração fechado. No egoísmo ninguém descansa. Só o bem descansa. O egoís­mo pode aliviar mas não descansa; alivia mas não car­rega as baterias.
O descanso é fundamental para uma vida saudável. Mes­mo em férias, nem sempre é fácil parar para descansar. Por vezes paramos, mesmo sem férias, mas ainda as­sim não descansamos, porque há cansaços mais pro­fun­­­dos que o cansaço físico e mental. Descansar não é só o dolce far niente, o não fazer nada, porque às vezes, fazer nada também cansa.
Finalmente, para os crentes, o descanso também é uma ques­­tão de fé. Há um descansar com Deus e em Deus que precisamos de aprender. É o saber que o Senhor é um “Pastor que nos leva a descansar em verdes prados” e nos conduz por bons caminhos que nem sempre quere­mos percorrer.
Boas Férias!
L.J.
2020-07-30


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