Entrevistas

O “Águas”, bombeiro para todo o serviço

          
O “Águas”, bombeiro para todo o serviço

António José Matos da Mota, mais conhecido por “O Águas” é uma fi­gu­ra típica vi­ei­rense. Quase a completar 77 anos de idade tem orgulho em mostrar as suas oito me­dalhas conquistadas nos Bombeiros Voluntários de Vi­eira do Minho. Então o Cra­chá de Ouro, distinção ho­norífica por assiduidade revelada por um serviço (35 anos) efectivo com exemplar comportamento e dedi­ca­ção é o que mais se destaca no lado esquerdo do dól­men. A pé ou à boleia quase todos os dias vai ao Quartel falar com os soldados, Comandante e com a “escriturária” Maria José.” “Já não é como antigamente, mas te­­nho uma amizade louca pe­los bombeiros”.
Foi “batizado” por Águas quando no campo das sardi­nhas, no centro da Vila, dis­putava um jogo de futebol marcou um golo ao Ge­rês. An­tónio Monteiro, ben­fi­quista de quatro costados, ao ver o andar gingão e aquele golpe de cabeça cer­tei­­­ro, logo gritou: Temos aqui o Águas”.


Começou a trabalhar aos 8 anos de idade na loja (A ba­rateia) do seu pai e frequentava a escola Primária, tendo como colega de car­tei­­ra o Padre João La­mei­ras. “Em contas eu era melhor do que ele”. O professor Brás da Mota dizia: Estou a levar-vos para a er­vi­nha tenrinha e vós a fugir pa­ra o tojo. Deixai alguma para comer”.
Terminou a 4ª classe com a professora Fernanda Santos e na prova final foi artis­ta numa prova de teatro. Ain­da me lembro: “Tinha a me­nina Loló uma sábia bo­ne­quita, aquilo que bas­ta­va só puxar por uma guita. O sr. Loló também tinha uma gata maltesa, era porém, mu­da concretiza. Mia­va mais nada, até chora com pena”.
O Águas, como ator social e agente de transformação, que presta serviços não re­munerados em benefício da comunidade, aos domingos no campo Municipal aco­lhe os adeptos do Vieira SC e dos adversários com o “sorteio do telemóvel”, re­co­­­­­nhece: Sou educado e co­nhe­cido em todo o concelho. Na Guiné “manobrei me­­tralhadoras Browning e G3. Parti em 1965 no pa­que­te Niassa e regressei 31 meses depois no Uige”.
Na Barateira junto à Casa do Povo trabalhou durante 40 anos a vender artigos de drogaria. Perto da saída das camionetas de passageiros da Viação Automotora, uma senhora entra apressada na loja e pediu “uma ratoeira, rá­pido, para apanhar a ca­mio­neta. Eu de imediato res­­­­­pondi, minha senhora não tenho dessas ratoeiras só tenho para caçar ratos”.
Agradece ao Dr. Alfredo Ra­­malho o ter largado o álcool. Deu-me um prazo de 5 meses de vida. Já lá vão 35 anos que não bebo vinho. Até lá era uma coisa por demais. Eu vou-te contar uma his­tória que tu já conheces. O José Maria do Terreiro deu um pipo de vinho de 8 cân­taros ao meu cunhado (Fuá). Deixou-o repousar quin­ze dias e depois convidou os amigos para o enxertar. Meteu a torneira e saiu ar. O pipo estava escoado. O Lo­pinhos abriu o batoque e disse foi o Águas que bebeu o vinho. E realmente ti­nha sido. O Fuá teve de ir com­­prar um garrafão de 5 li­­­tros pa­ra satisfazer os ami­gos.
Muito mais tem para contar este comensal, so­bre­tu­do nos aniversários das Associações Humanitárias dos Bombeiros Volun­tá­­rios do Norte a Sul de Por­­tugal.
2019-12-27


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