Entrevistas

Irmãs da Ordem de Cister 15 anos em São Bento da Porta Aberta

          
Irmãs da Ordem de Cister 15 anos em São Bento da Porta Aberta
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Em 16 de Julho de 2005 duas monjas, da Ordem de Cister, chegadas do Mosteiro de Santa Maria de Boulaux (França), após mais de um século de ausência, fixaram resi­dência em Portugal. As instalações foram cedidas pela Irmandade de S. Bento da Porta Aberta, em Rio Caldo, Terras de Bouro.


Esta Ordem monástica, muito presente na nossa História, em apoio prestado na cultura, nomeadamente nos Estudos Gerais que deram origem à primeira Universidade, no desenvolvimento da agricultura e povoamento, preocupações reais na I Dinastia, mereceu a simpatia de D. Afonso Hen­­riques que consta ter pedido a S. Bernardo de Cla­raval, o envio de mais monges da Ordem, estabe­lecida em Portugal, poucos anos antes de ser reconhecida a independência.
A Revolução Francesa, teve entre outras conse­quên­cias por toda a Europa, a divulgação de erros e conceitos filosóficos que encontrariam na fé católica e na religião, enraizada no coração do povo português, uma forte oposição ao clericalismo que pretendiam impor. Por essa razão, na primeira metade do século XIX, um decreto do Governo, extinguiu as ordens religiosas saqueando e destruindo bibliotecas e documentos de valor histórico incalculável.
Ficará para sempre ligado à história o “regresso” da Ordem a S. Bento da Porta Aberta.
Desta vez Portugal acolhe, em primeiro lugar, um mosteiro feminino, esperando os que reconhecem a importância das vocações contemplativas, que outros escutem igual chamamento e novos mosteiros, sejam oásis ou luzeiros tão necessários num mundo que se tem secularizado e empobrecido.
Nos 15 anos em Portugal, O Jornal de Vi­eira visitou esta comunidade, agora formada por 3 monjas re­si­den­tes em Rio Caldo.
Elevando o olhar, logo ao chegar ao portão da entrada da casa das irmãs da Ordem de Cister, uma casa em tudo semelhante às da freguesia rural banhada pela barragem da Caniçada, é por direito um pequeno Mos­­teiro, que vive a fidelidade à Regra de S. Bento.
«Ora et Labora», é vi­vi­do com a alegria de quem encontrou a pedra preciosa e tudo trocou para a possuir.
A oração, de 5 horas diárias, leva a Comunidade à Capela com frequência durante o dia, que começa bem cedo, pois o trabalho é, como a oração, um meio de atingir a santidade. Oram com a Igreja, pelas intenções de todos os que procuram o Pai e aqueles que ainda não O encontraram.
O cuidado da criação, co­mo o Santo Padre nos ensina na Laudato Si, é vivido no cuidado da horta e jardins, onde cultivam plantas para chás diversos, que vendem, com outros trabalhos. São bem conhecidos os terços (sem arame). As compotas os doces secos, ervas aromáticas e bálsamos, confeccionados a partir da horta biológica, são outras especialidades que tivemos ocasião de apreciar.
Não faltam, entre “outros la­vores caseiros”, os casa­qui­­nhos e capas para bebés, que além do aconchego que oferecem, não duvido, trans­portam muito amor transformado em lição.
Hoje estas Monjas, começam a ser mais conhecidas, graças à divulgação das compotas que confe­cio­nam, já várias vezes pre­mia­das, e através das redes sociais, nomeadamente no Face­book.
As comemorações do 15.º ani­versário, que amanhã (16 de Julho) se realizam, serão assinaladas com uma Missa de Acção de Graças e terão a apresentação pública dum novo “chá de Verão” e um avental com pintura manual no peito.
Auguramos o crescimento desta Comunidade com novas vocações.
2020-07-14


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