Igreja

Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz

“A boa política está ao serviço da paz”

          
Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz

«Vícios» da política são «vergonha da vida pública» e ameaçam «paz social», afirma o Papa


«A corrupção, nas suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumen­talização das pessoas», é o primeiro dos «vícios» da política, que são «a vergonha da vida pública», «fra­gilizam o ideal de uma au­tên­tica democracia» e ameaçam a «paz social», considera o Papa na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, que hoje celebramos.
O desregramento está também presente na «negação do direito, o não respeito das regras comunitárias, o enriquecimento ilegal, a justificação do poder mediante a força ou com o pretexto arbitrário da “razão de Estado”, a tendência a perpetuar-se no poder, a xe­­nofobia e o racismo, a recusa de cuidar da Terra, a exploração ilimitada dos recursos naturais em vista do lucro imediato» e o «des­prezo por aqueles que foram obrigados ao exílio».
No texto, intitulado “A boa política está ao serviço da paz”, o Papa Francisco frisa que «não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres da esperança».
«Ao contrário, de­ve-se reafirmar que a paz se ba­­seia no respeito por toda a pessoa, independentemente da sua história, no respeito pelo direito e o bem comum, pela criação que nos foi confiada e pela riqueza moral transmitida pelas gerações passadas», defende.
Depois de recordar o en­sinamento do papa emérito Bento XVI e «as bem-aven­turanças do político», declinadas pelo cardeal vietna­mi­ta Francisco Xavier Ngu­yen Van Thuan, o documento recorda que «cada renovação nos cargos eletivos, cada período eleitoral, cada etapa da vida pública constitui uma oportunidade para voltar à fonte e às referências que inspiram a justiça e o direito».
Duma coisa temos a certeza: a boa política está ao serviço da paz; respeita e promove os direitos humanos fundamentais, que são igualmente deveres recí­pro­cos, para que se teça um vínculo de confiança e gratidão entre as gerações do presente e as futuras», acentua Francisco.
O Papa reconhece que «confiança» na vida política «nunca é fácil», especialmente num tempo marcado pela «desconfiança que está enraizada no medo do outro ou do forasteiro, na ansiedade pela perda das próprias vantagens», bem co­mo em «atitudes de fe­cha­mento ou nacionalismos» que lançam suspeitas sobre a «fraternidade» de que o mundo globalizado «tanto precisa».
A mensagem evoca os 100 anos após o fim da Iª Guerra Mundial, nomeadamente «os jovens mortos» e «as populações civis dilaceradas», para lembrar «a terrível lição das guerras fra­tricidas, isto é, que a paz não pode jamais reduzir-se ao mero equilíbrio das forças e do me­do».
«O nosso pen­samento detém-se, ainda e de mo­­do particular, nas crianças que vivem nas zonas atu­ais de conflito e em todos aqueles que se esforçam por que a sua vida e os seus direitos sejam protegidos. No mundo, uma em ca­da seis crianças sofre com a violência da guerra ou pe­las suas conse­quên­cias, quan­do não é requisitada pa­ra se tornar, ela própria, soldado ou refém dos grupos armados. O teste­mu­nho daqueles que trabalham para defender a dignidade e o respeito das crianças é extremamente precioso para o futuro da humanidade», aponta.
O texto assinala também o 70.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ocorrido a 10 de Dezembro, antes de referir que «a paz é uma conversão do coração e da al­ma» que requer três condições: «a paz consigo mesmo, rejeitando a intran­si­gên­cia, a ira e a impaciên­cia», «a paz com o outro: o fa­­miliar, o amigo, o es­tran­geiro, o pobre, o atribulado, tendo a ou­sadia do encontro, para ouvir a mensagem que traz consigo» e «a paz com a criação».
Francisco salienta que «a função e a responsabilidade política constituem um desafio permanente para todos aqueles que recebem o mandato de servir o seu país, proteger as pessoas que habitam nele e trabalhar para criar as condições dum futuro digno e justo».
Por isso, prossegue, «se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade».
2018-12-27


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