Igreja

O bem de todos e de cada um difere da «ditadura da maioria»

          
O bem de todos e de cada um difere da «ditadura da maioria»

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) em Documento apresentado em dois de Maio, em Fátima, defende que “o bem comum é o bem de todos e de cada um”, sem repre­sen­tar uma “ditadura da maioria”.
“A democracia, que supõe o respeito pela regra da maio­ria, não pode assentar no seu domínio absoluto. Se num país a classe média cons­titui a maioria da po­pu­la­­­ção e os pobres são mi­no­­­ria e não têm peso eleitoral decisivo, o bem comum exige que os direitos destes não sejam esquecidos ou me­nosprezados”, afirmam os bispos portu­gue­­ses.
Na Carta Pastoral ‘Um olhar sobre Portugal e a Europa à luz da Doutrina Social da Igreja’, destaca que este exemplo vale, de modo especial, para muitas das regiões do in­terior que “sofrem a de­ser­tificação populacional, agrava­da pelo encerramento de ser­viços públicos”, que não têm peso eleitoral decisivo e cu­jos problemas foram “evidencia­dos depois das tragédias dos incêndios dos últimos anos”.


O texto reflete sobre “o bem comum e a corrupção” e con­­­­sidera que “urge uma pedagogia ativa” junto de todos, pa­­ra que se entenda como o que pode parecer inoce­n­te “co­­loca em vantagem os que têm mais acesso ao po­der”.
“Uma gratificação a troco de um pequeno favor pode ser o primeiro passo para uma cultura que desculpa o su­bor­no, o tráfico de influências e a aquisição indevida de vanta­gens, até à corrupção, que tanto está a minar a so­ciedade em que vivemos”, exemplificam os bispos.
Lembrando que todos são “responsáveis e a erra­di­ca­ção da corrupção é possível”, a CEP realça que não se po­­­­dem “desvalorizar as consequências sociais” de com­por­­­tamentos no recurso à “cunha”, à obtenção de vantagens que são indevidas e “à retribuição de pequenos favo­res”.
Temos, cada um, de proceder com a mesma transparên­cia que exigimos a todos na obtenção de um emprego ou na luta por uma promoção, um salário justo ou um prémio la­boral”.
Já em relação aos migrantes, os bispos católicos consi­de­­ram “inaceitáveis” as correntes inspiradas no “naciona­lis­­mo de exclusão”.
“Não estamos imunes a um clima de medo e desconfian­ça em relação aos estrangeiros, bem como o perigo de os en­carar como concorrentes a postos de trabalho ou ameaça ao nosso nível de vida, esquecendo que muitos de nós bus­cam o mesmo estatuto e nível de vida noutros paí­ses”, de­senvolvem, destacando que os dados mais re­cen­tes do Ob­servatório para as Migrações os contributos fi­nan­ceiros dos imigrantes para o Estado português “são maiores do que as prestações de que beneficiam”.
Sobre o momento atual, o documento alerta para “movi­mentos de desagregação da União Europeia”, como o Bre­xit e o crescente nacionalismo “autoritário ou populista”, acom­pa­nhados da generalização do discurso xenófobo, ao re­gres­­so de ideologias neonazis e antissemitas, e o is­la­mo­fo­­bismo é, simultaneamente, “origem e conse­quên­cia de no­­­vos movimentos de cariz terrorista”.
A nova carta pastoral foi apresentada, no final da As­­sem­­­­­bleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa.
Ecclesia
2019-05-13


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