Igreja

Arquidiocese ordena quatro sacerdotes

Com menos sacerdotes não podemos continuar com “esquemas tradicionais”

          
Arquidiocese ordena quatro sacerdotes

A diocese de Braga tem, desde o dia 14 de Julho, mais 3 sacerdotes, sendo um in­vi­sual, Padre Tiago Varanda, caso único em Portugal, e um vieiren­se, natural de Guilho­frei, Padre Fernando Carneiro. Mas D. Jorge Ortiga reco­nhe­ceu a crise vo­ca­cional e a falta de clero na Arqui­dio­cese Me­tropolita que no último meio sé­­culo assistiu à diminuição do número de sa­cer­dotes que baixou de mais de mil para menos de 340.


Na homilia que precedeu a ordenação de 4 pres­bí­teros, sendo três dioce­sa­nos e um Jesuíta, o Arce­bis­­po de Braga reconheceu a falta de sacerdotes, o seu envelhecimento e a necessidade de encontrar novos paradigmas para “acudir às necessidades pastorais”. “Não podemos continuar a alimentar esquemas tradi­cio­nais. Temos de arranjar uma pastoral diferente”, afirmou o prelado.
«São muitas as necessidades e todos temos de nos sentir comprometidos. Somos cada vez menos sacerdotes e as atividades pastorais são mais diversifi­ca­das e complexas. É importante que ninguém ignore esta realidade». A Arqui­dio­cese de Braga tem atual­­mente 372 padres dio­ce­sanos, dos quais 340 a resi­dir na Arquidiocese e 32 noutras dioceses e em Ro­ma. Conta ainda com se­te sacerdotes das dio­ceses de Angola e 15 religiosos de diversas Congregações. Quanto aos párocos, são 310 diocesanos mais 12 de outras dioce­ses. Os sacerdotes de An­go­la ou dos Institutos religiosos têm a seu cargo 35 pa­róquias. Segundo o Arce­bis­po, é de prever que os Re­ligiosos continuem com as 13 paróquias, mas os de Angola, que coordenam 22 comunidades, podem deixar a Arquidio­ce­se a «qualquer momento».
A esta realidade o arce­bis­­po acrescenta o envelheci­me­n­to do clero: a média etá­­­ria atualmente é de 65,31 anos, quando em 2012 situava-se nos 58,86 anos.
Todos os anos há um de­ficit aproximado de dez sa­ce­rdotes entre os que morrem e os que são ordenados, o que significa que daqui a cinco anos serão ainda mais os sacerdotes com 75 anos e o número rondará os 322” — referiu o Arcebispo.
Face a estes números, é ur­gente encontrar novas so­luções, pois não se pode continuar na lógica de ter um sacerdote por paróquia. Também os sacerdotes não poderão continuar com esquemas tradicionais. Somos menos e as forças di­mi­nuem. Teremos de, com alegria e dedicação, encontrar caminhos que não dependem apenas do Arcebispo e dos órgãos diocesa­nos», disse D. Jorge, defendendo a organização de “uma pastoral diferentes” com alterações nos hábitos celebra­tivos. «Não estamos a conseguir uma renovação de clero que nos permita manter as práticas e costumes que até há bem pouco tempo se observavam com facilidade», disse D. Jorge, ape­lando “às comunidades para descobrirem novas formas de organizar a celebração e vivência do Domingo. Os padres têm mais do que uma paróquia e não podem celebrar mais do que três eu­caristias aos domingos ou festas de preceito”, afirmou o arcebispo recordando o Direito Canónico.
Em dia de ordenações, “a ho­milia terá de conduzir a uma séria reflexão. Não po­demos cair em alarmismos e nunca permitiremos um cli­ma de desmotivação. Sa­bemos que caminhamos pa­ra uma realidade socioló­gica totalmente diferente. Não poderemos continuar na lógica de ter um padre por cada paróquia. Existem vá­rias hipóteses a ponderar e todos, de um modo sino­dal, terão de aportar as su­as reflexões, criando um cli­ma de mudança e fazendo tudo com serenidade e sentido positivo”, apelou D. Jorge Or­tiga.
Nesta celebração de or­de­­nações presbiterais, que foi solenizada pelo coro do Se­minário, estiveram também o bispo auxiliar, D. Nu­no Almeida, o padre José Fra­­­­­zão, provincial da Com­pa­nhia de Jesus em Portugal, para além de algumas dezenas de sacerdotes, re­li­­gio­sos, leigos consagrados, seminaristas e leigos ba­­p­tizados. Na assembleia, os quatro sacerdotes conta­ram com a companhia de fa­miliares e amigos, que qua­se ocuparam toda a crip­ta do Sameiro, e que aplaudiram os neo-presbí­te­­ros após serem ordenados.
2019-07-30


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