Igreja

Canonização de Frei Bartolomeu dos Mártires celebrada na Sé de Braga

          
Canonização de Frei Bartolomeu dos Mártires celebrada na Sé de Braga

O prefeito da Con­gre­­gação para as Cau­sas dos Santos, cardeal Angelo Becciu, presidiu em 10 de Novembro, à Missa de Ação de Graças pela ca­no­ni­zação equi­polente de Frei Bar­to­lo­meu dos Mártires, decidida pelo Papa Fran­­cisco em 6 de Julho.


“A expansão do seu culto para além dos confins da Arquidiocese de Braga e a relevância eclesial da sua santidade e da incidência do seu ensinamento sobre a prática cristã e sobre a evangelização levaram o Santo Padre Francisco a incluí-lo definitivamente no elenco dos santos”, afirmou o cardeal Angelo Becciu na homilia da Missa.
A celebração da Eucaristia de Ação de Graças, on­de foi lido o decreto de ca­no­­ni­­zação do novo santo português, decorreu na Sé de Braga, completamente cheia de fiéis e contou com o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, do arcebispo de Braga, D. Jorge Or­­tiga, de 21 bispos da maioria das dioceses de Portugal e ainda da Galiza e de mais de duas centenas de sacedotes dos territórios onde foi bispo D. Barto­lo­­­­meu dos Mártires.
Na homilia da Missa, o pre­­feito da Congregação para as Causas dos Santos apontou os “motivos de con­­­­veniência pastoral para es­ta canonização”, referindo a “profundidade da sua cul­­­tura teológica e do seu en­­sinamento como doutor e exemplar mestre da ordem dos pregadores”.
O cardeal Angelo Becciu lem­brou o “forte empenho pe­­­la reforma da Igreja e a re­­novação da vida cristã” de D. Frei Bartolomeu dos Már­­­­tires, um dos mais “fér­vi­­dos e conceituados padres do Concílio de Trento o mais importante aconteci­men­to eclesial quinhentista”. “Compreendemos a grande atualidade da sua mensagem, especialmente no âm­bito doutrinal e pastoral, como homem de oração, grande evangelizador e bispo totalmente dedicado às pessoas a ele confiadas”, afirmou.
O Cardeal referiu-se também à “in­cansável renovação da dio­cese” levada a cada por D. Bartolomeu dos Mártires, que visitava as 1300 paróquias em cada três anos.
Frei Bartolomeu dos Mártires, de seu nome Barto­lo­meu Fernandes, nasceu em Lis­boa a 3 de Maio de 1514; foi arcebispo de Bra­ga nu­ma ocasião em que a ar­qui­diocese incluía os terri­tórios das dioceses de Bra­ga, Bra­gança, Vila Real e Via­na do Castelo.
Para D. Jorge Ortiga, a ca­­nonização do seu ante­ces­sor é um convite ao tra­ba­lho no presente e no futu­ro e não pode ser vista co­mo “acontecimento do passado”.
“A graça da declaração da sua santidade nunca po­de­rá ser interpretada como acontecimento passado sem incidência no quotidiano das pessoas e das dio­ceses”, disse o arcebispo de Braga.
Presente na celebração, o Presidente da República em declaração aos jornalistas, considerou o novo santo por­­­­­­tuguês percursor do Con­­­­cílio Vaticano II, trabalhando pela reforma da própria Igreja e defendendo a “prioridade aos pobres”.
S. Bartolomeu destacou-se pela sua missão pastoral nas comunidades católicas do Minho e de Trás-os-Montes, com especial relevo para o seu gosto pe­­las visitas pastorais às po­­pu­lações, a que dedicava grande parte do seu tempo.
Ao longo do seu percurso, D. Frei Bartolomeu dos Már­­­tires ficou conhecido pela sua preocupação com a estruturação da Igreja Ca­tó­lica local, do clero às co­mu­­nidades católicas, e pelo seu empenho nas causas so­ciais, de modo particular junto dos mais pobres e do­entes.
Depois de resignar em 1582, por motivos de idade, Frei Bartolomeu dos Mártires viria a falecer em 1590, no Convento de Santa Cruz, ao lado do convento de S. Do­­mingos, Viana do Castelo.
No anúncio da sua cano­ni­­za­ção, feito a 6 de Ju­­lho, o texto publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé refere que o Papa Francisco “apro­vou os votos favoráveis” dos membros da Congregação para as Causas dos Santos e estendeu o culto litúrgico em honra ao arcebispo português a toda a Igreja, “inscrevendo-o no livro dos santos” por “cano­ni­zação equipolente” (dispensando o milagre requerido após a beatificação).
O arcebispo afirmou-se co­mo uma das vozes de re­ferência no Concílio de Tren­to (1543-1563), foi declarado vene­rá­­vel a 23 de Março de 1845, pelo Pa­pa Gregório XVI, e bea­tifi­ca­do a 4 de Novembro de 2001, por Jo­ão Paulo II.

De armas na mão...

O culto de veneração ao Santo Arcebispo começou no dia da sua “morte em odor de santidade” devido à sua humildade e solicitude por todos, mas sobretudo pe­los mais pobres.
A sua fama de santidade e o carinho que despertou nas pessoas ficou demonstrada “pelos habitantes de Via­na, onde estava o convento, para onde se retirou o Arcebispo depois de apresentar a sua renúncia ao Papa”, - escreveu após a sua morte um jesuíta seu amigo e admi­rador - que os vianenses “vela­ram os seus restos mortais com ar­mas na mão, com me­­do que os cidadãos de Braga, onde tinha sido arcebis­po, pudessem vir a Via­na da Foz do Lima roubar o seu corpo.
2019-11-13


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