Igreja

Cónego António Rego sobre o programa 70x7

“Deixou de ser um programa feito à porta da igreja para ir à porta do mundo”

          
Cónego António Rego sobre o programa 70x7

Numa entrevista à Agência Ecclesia, por ocasião da comemoração dos 40 anos do primeiro programa 70x7, o seu iniciador, cónego António Rego, fala de como o programa 70x7 começou por ser a “expressão da Igreja na praça pública” e afirma a importância da “te­má­tica religiosa” na televisão em Portugal. Aqui publicamos partes da entrevista, que pode ser lida na íntegra em http://bit.ly/70x7entrevista.


Voltemos a 1979, ao dia 21 de outubro, quando começou o 70x7. Com que espírito?
Nós andávamos à procura da expressão da Igreja na praça pública. E a praça mais publica que havia era a televisão. Por isso, hou­ve um esforço de to­mar­­­mos a linguagem do Evangelho e da Igreja para a colocarmos nesse local teoricamente profano e, da fusão desse encontro, fazer uma comunicação evangélica. Isso não se fazia sem as pessoas, sem os lugares, sem as celebrações, sem as ações da vida da Igreja e do mundo. E da re­lação da Igreja com o mundo.
Talvez de uma forma não muito organizada, foi isso que procuramos ativa­mente, com o apoio da hierarquia, porque era um programa oficial da Igreja Católica (não posso deixar de lembrar D. António Marce­lino pelo grande apoio que nos deu). E a outra parte era a loucura da nossa juventude apostólica, que achava que não havia meio que não tivesse obrigação de falar do Evangelho. Nós demos a cara, as mãos e os braços para percorrermos este país e um bocado do mundo para dizermos que a Igreja não está fechada nem no ermitério nem o cemitério, mas viva na cidade. (...)
 
Que relevância teve o programa, nos primeiros anos?
Para nós, muitas vezes, era difícil responder a tantos pedidos que nos chegavam. Por vezes perguntavam: “como é que o padre Rego arranja temas para tantos programas?”. Eu respondia o contrário: como é que eu sou capaz de responder a tantos temas que nos propõem para o programa. E, de facto, o programa 70x7 teve esse mérito catalisador de juntar muitas sensibilidades, em muitos pontos do país e do estrangeiro, e nós íamos lá com meios tecnicamente frágeis ainda (ainda nem o vídeo havia quando nós começamos e fazer um programa em filme era um tormento: contávamos os fotogramas, porque tínhamos uma medida para um programa, e havia coisas interessantes que interessava valorizar e não conseguíamos). Foi dentro dessas contingências todas e desse gemido de não ter o quanto se pretendia que nós fomos dando um sinal. (...)
 
E é um programa que deve ter lugar na televisão, nos dias de hoje?
Todo o lugar! A televisão precisa dessa dimensão! Precisa do desporto, da informação geral, das temá­ticas da arte, da poesia… dessas temáticas todas! Mas precisa da temá­tica religiosa vista nessa pers­pe­tiva: não apenas a transmissão litúrgica, mas a experiência religiosa comuni­cada e vivida. Nós filmamos mais do que as pessoas dizem. De facto, a palavra é for­te, mas o gesto é que arrasta.
(in Voz da Verdade, entrevista por Filipe Teixeira
2019-11-27


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