Igreja

O Palácio dos sem-abrigo com vista para o Vaticano

          
O Palácio dos sem-abrigo com vista para o Vaticano

Palazzo Migliori, edi­fí­­­cio do início do século XIX que o Papa man­­­dou adaptar para ser ca­sa para pessoas sem-abrigo, e que alberga cerca de 50 homens e mulheres sem-abrigo que dormem nos 16 quartos com vista privilegiada para a Praça de S. Pedro.


A diferença é esta: “Aqui sinto-me mais em casa. Tenho a minha própria cama, quarto e casa de banho. É bem diferente dos dormitórios onde tenho passado até agora, onde por vezes parecemos animais num está­bu­lo sobrelotado.”
As palavras são de Mario Brezza, 53 anos, citadas pe­la cadeia NBC News, dos Es­tados Unidos. E referem-se ao facto de ele ser, agora, um dos cerca de 50 homens e mulheres sem-abrigo que dormem nos 16 quar­tos do Palazzo Miglio­ri, um edifício do início do século XIX que, oferecido à Igreja pela família que lhe deu o nome, já foi casa de re­­ligiosas onde eram aco­lhi­das mães solteiras e, agora, poderia ter sido um hotel com vista privilegiada pa­ra a Praça de São Pe­dro…
A vista continua lá, mas o Papa Francisco quis que o edifício, depois de algumas obras, fosse destinado a aco­lher pessoas pobres e sem-abrigo. E, acrescenta a Renascença, o Papa ordenou explicitamente ao es­mo­ler do Vaticano, o cardeal Konrad Krajewski, que o prédio fosse adaptado ao uso que agora começou a ser feito.
O Palazzo está ainda preparado, se necessário, para acolher mais pessoas, caso o frio em Roma obrigue os sem-abrigo a refugiar-se em sítios mais protegidos.
Carlo Santoro, da Comu­ni­dade Sant’Egidio, grupo católico que tenta ligar oração e acção social e desenvolve vários projectos ligados à paz, define o Palazzo Migliori como um “paradoxo”: “É um belo palácio ao la­­­­­do da Praça de São Pedro e da Basílica e é o lar de quem até há pouco tempo não tinha uma casa para on­de ir”, afirmou, citado pe­la NBC.
Sharon Christner, 23 anos, norte-americana ori­un­­da da Pensilvânia, vo­lun­­tá­ria no projecto, afirma, na mesma reportagem: “O que há de especial neste lugar é que não se trata de maxi­mi­zar cifrões.” E acres­­centa a jovem, que foi para Roma fa­zer uma pesquisa sobre questões sociais e falta de casa que se trata, antes, de “dar às pessoas um lugar real­­mente bo­ni­to para se es­­tar, com a ideia de que a be­leza cura”.
“A beleza cura” foi a ex­pres­­são usada pelo Papa quando foi visitar o palácio, depois do final das obras em Novembro, e al­mo­­­çou com as pessoas que agora ali moram.
O Papa almoçou com pessoas pobres e sem-abrigo no Palazzo Migliori, edifício do início do século XIX que o Papa mandou ada­­ptar para ser casa para pessoas sem-abrigo.
António Marujo, 7 Margens
2020-02-13


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