Igreja

Palavra e Vida

          

A Páscoa, que celebramos fazendo memória da Morte e Ressurreição de Jesus, dá o sentido à nossa vida de cristãos.
Somos cristãos porque Deus encarnou e Se entregou à morte para nos salvar.
Em cada Páscoa, somos convidados ao reencontro pessoal com Cristo, a identificar-nos cada vez mais com Ele, a ser mais santos.
A Igreja propõe-nos, todos os anos, após o período de preparação e conversão, a que chamamos Quaresma, o Tríduo Pascal, para, de uma forma mais intensa e formal, conhecermos, conforme as nossas capacidades, o maior mistério da história. Estamos perante o Amor de Deus, que se entrega às criaturas por Ele criadas, para as salvar e integrar numa felicidade eterna, que não conseguimos imaginar, porque “nunca os olhos viram”, o que o Apóstolo não conseguiu descrever.


O maior mistério, Mistério da Salvação, que este ano temos de viver dentro de casa, em pequena comunidade familiar ou individualmente, iniciamo-lo no Domingo de Ramos, com o reconhecimento da chegada do Messias a Jerusalém.
O povo já não precisava de esperar mais. Perante a chegada do Salvador esperado, surge o regozijo, a festa. Com Hossanas de alegria entra solenemente em Jerusalém!... hoje, como então, seremos capazes de O acolher com hinos de alegria?
Jesus que veio para servir, como disse, perpetuou esse serviço, ficando connosco na Eucaristia.
Desce ao Altar no momento da Consagração, possibilita que nos sirvamos do Seu Corpo e Sangue, fiquemos limpos, porque nos “branqueamos no Sangue do Cordeiro”. Permanece fisicamente perto de nós, no Sacrário para nos acolher, escutar e…aconselhar.
Toda a Liturgia da Quinta-feira Santa encerra o caminho proposto a cada um de nós. Ensina-nos o dever de servir, com amor, de entrega e de escuta. O Mestre ficou connosco, no Sacrário perante o qual, tantos cristãos continuam a passar indiferentes.
Que a separação física a que fomos obrigados, desperte em cada um de nós o desejo de encontros e diálogos, mais fervorosos, com Jesus escondido.
A Cruz, sinal rejeitado pelos primeiros cristãos cedo passou a ser querida para os cristãos. Na Sexta-feira teremos oportunidade de a adorar, após ouvirmos ou lermos o relato da Paixão, segundo S. João. Será o reconhecimento humilde da maior expressão de amor dada por Deus à humanidade. Deus deu a vida por mim!...
Teremos depois o silêncio que devemos respeitar. São horas que nos ajudam a contemplar Quem nos procura, espera por nós, e Se quer revelar ao nosso coração, esquecendo as nossas infidelidades, os nossos pecados.
Depois deste tempo de silêncio e recolhimento, a Igreja, Mãe e Mestra convida-nos a fazer a—“revisão” da história do “povo eleito”, referida na leitura de textos e salmos numa Liturgia da Palavra mais longa.
A Vigília Pascal que finaliza o Tríduo Pascal termina com Liturgia Eucarística festiva, porque nos sobram motivos de santa alegria.
Celebramos a Ressurreição do Senhor! Venceu a morte e venceu-a por todos nós, para nos dar vida.
Certamente que as circunstâncias presentes, nos fazem sentir mais impotentes, frágeis e abandonados. Certamente sentiremos mais necessidade que nunca de pedir, pedir, até sermos ouvidos. Não esqueçamos porém, que a dor, a saudade de entes queridos, podemos senti-la na cruz que arrastamos, mas que ficará para trás no momento da ressurreição. E digamos para nos reconfortarmos: Jesus Cristo venceu a morte!
A Vida triunfará!
L.C.
2020-04-02


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