Igreja

Palavra e Vida

          

Em pleno Tempo Pascal, a Liturgia faz memória dos primeiros tempos da Igreja. No primeiro Domingo de Maio, recordamos a exortação de Pedro, no dia de Pentecostes.
A Boa Nova que ele e os Apóstolos devem levar a todo o mundo, só pode ser acolhida pelos corações verdadeiramente arrependidos. Por essa razão as suas palavras vão no sentido de assumirem a culpa da morte de Jesus. E quando lhe perguntam o que devem fazer, ele indica o caminho da contrição perfeita, do batismo para obter o perdão e receber o dom do Espírito Santo.


Nada é mais frustrante que sentir-se abandonado, carregando o peso de muitos erros evitáveis. Nos dias de isolamento imposto, no silêncio provocado por novos hábitos difíceis de aceitar, certamente que todos nós, em algum momento de aborrecimento compreensível, nos sentimos assim. Compreendemos facilmente o que ia no coração daquela multidão que ouvia Pedro!
Mas nem os primeiros seguidores de Jesus, nem nós, temos por que nos sentir abandonados.
O Salvador, anunciado como pastor, já no Antigo Testamento, apresentou-se como o Bom Pastor que vela pelas ovelhas, cuidando individualmente de cada uma. Ele “chama cada uma pelo seu nome”.
A certeza desta presença de Deus nas nossas vidas, é o fundamento da nossa esperança.
De que modo esta verdade, dá sentido às nossas vidas ou imprime luz, nas dúvidas, incertezas ou angústias da nossa vida, sobrecarregada de riscos e pesadelos, como os que tem ensombrado os nossos dias?
Talvez nos sintamos por vezes, rebanho afastado do Pastor! Dificuldades na sua organização sempre a Igreja as sentiu. Mais uma vez a liturgia do V Domingo da Páscoa (10 de Maio), nos recorda como o Espírito Santo guia a Igreja, indicando a forma como se devem distribuir os vários ministérios, para que seja realizada a missão salvífica que Jesus lhe confiou.
Nesta caminhada pascal, ao procurarmos reacender em nós o ardor missionário dos primeiros cristãos, hoje confrontados com restrições tão pesadas que nos afastaram fisicamente das nossos templos, podemos repensar nas nossas comunidades, nas nossas assembleias dominicais, tantas vezes tristonhas, envelhecidas, com os seus membros menos idosos ausentes, numa hibernação religiosa, à espera da idade madura, em que já não são ridicularizados ao ser reconhecidos por cristãos praticantes… pensemos que o Pastor, a Pedra Angular da Igreja espera as ovelhas ou as pedras dispersas.
Neste ano de tribulação, não só nos devemos ocupar da nossa conversão, mas na das nossas famílias e paróquias, como o fizeram os primeiros cristãos.
L.C.
2020-04-30


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