Igreja

D. Américo Aguiar celebra regresso ao Santuário e pede «gramática da hospitalidade»

          
D. Américo Aguiar celebra regresso ao Santuário e pede «gramática da hospitalidade»

O bispo auxiliar de Lisboa afirmou em Fá­ti­ma, na peregrinação internacional aniver­sá­ria de Junho, a necessidade de rea­pren­der a “gra­mática da hos­pitalidade”, sublinhando a necessidade de todos serem res­ponsáveis pela “saú­­de, o bem-estar, a alegria e a salvação dos outros”.


“Uma das grandes lições que a humanidade aprendeu com o Covid-19 é que os nossos pequenos gestos podem ter uma consequên­cia não só em relação a quem está próximo, mas tam­bém comunitária e mes­mo até universal. Pe­ran­te isto, todos teremos de reaprender a «gramática da hospitalidade»”, afirmou D. Américo Aguiar na ho­milia da celebração.
A peregrinação internacional aniversária de junho voltou a juntar no Santuário de Fátima os peregrinos que, em Maio, devido à pan­demia do Covid-19 e às restrições para as celebrações litúrgicas, não puderam participar. “E aqui che­gamos, hoje… voltando, regressando… descon­finan­do… enchemos com as nossas preces este Altar do mundo, dirigimos o nosso olhar à imagem de Nossa Senhora de Fátima”, disse.
O bispo auxiliar de Lisboa afirmou a hospitalidade co­mo um “ato racional permanente de acolhimento do outro” necessário nesta altura.
“A nossa União Europeia, terá de perceber que já não basta ser aquela original comunidade económica e política, mas terá de dar o passo seguinte: ser uma verdadeira comunidade humana, mais hospitaleira, determinada no combate solidário às consequências económicas e sociais desta pandemia, decidida no acolhimento de todos e apostada no respeito pela casa comum que todos habitamos”, sublinhou.
O responsável deseja que a “solidariedade europeia” não seja “uma urgência pan­­­démica” mas possa re­sul­tar da “identidade” do pro­jeto europeu.
“Que a ajuda entre povos e países europeus não resulte do medo provocado por um vírus, mas seja um ímpeto do humanismo e da matriz cristã que caracteriza o velho continente. Só com essa determinação asseguramos o nosso futuro e o das gerações vindouras, feito cada vez mais do encontro entre povos, culturas e religiões”, indicou.
A celebração do 12 e 13 de junho acontece dias depois de cancelada a peregrinação das crianças que habitualmente junta no recinto de Fátima milhares de crianças.
D. Américo Aguiar desejou que no próximo ano a en­chente volte a acontecer e sublinhou a importância de olhar para os mais pequenos e “aprender” com eles.
“Este é um grande risco que corremos, quando pensamos, que já nada temos a aprender, sobretudo com as crianças. E recordo aqui a alegria de ver este recinto cheio de crianças a cada dia 10 de Junho. Este ano foi diferente, mas cá voltarão para o ano, se Deus quiser! Sim, voltarão…”, assegurou.
O celebrante pediu uma “nova fase da humanidade, a pós-globalização”, nascida a partir da certeza de que a santidade, “que é para todos”, “consiste em acolher com hospitalidade o outro, vítima do efeito sócio-económico” da pandemia.
“Não permitamos que nos dividam entre novos e velhos, pobres e ricos, brancos e pretos, do norte e do sul, azuis ou vermelhos, ou outras cores… não deixemos que a nossa velha Europa se queira esquecer, arrancar-se das suas raízes… até aqui chegamos, assim deste mo­do, à Pandemia”, sublinhou.
Neste contexto, “talvez possamos entender melhor a urgência de uma economia nova, de Francisco, que não mate”, indicou.
D. Américo Aguiar afirmou-se “emocionado” por re­gressar ao santuário e presidir à celebração do recomeço, anos depois de ter participado, como seminarista, no programa «um dia como peregrino».
“É o mundo inteiro que celebra aqui connosco esta Eucaristia, de mãos dadas com Maria”, sublinhou.
O bispo auxiliar de Lisboa quis lembrar, na celebração, as “autoridades do Estado, autarcas, profissionais de saúde, dos lares, IPSS e Misericórdias, famílias e cui­dadores informais”, pessoas que “na linha da frente e de forma anónima” cuidam dos irmãos, e também os “concidadãos que faleceram”: “1505 nossos conci­dadãos que partiram no contexto desta pandemia e os sacerdotes que hoje estão na casa do Pai”.
Redacção/Ecclesia
2020-06-15


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