Igreja

Palavra e Vida

          

A Palavra, que a Liturgia desta quinzena nos propõe para me­ditação, tem por objetivo o conhecimento cada vez mais profundo de Deus, para nos ser mais fácil aproximar-nos e en­trar numa relação de amorosa intimidade.
O Livro da Sabedoria fala-nos do Deus que é bondoso, justo e misericordioso. Sendo Deus um Ser prefeito, como ou­­samos dirigir-nos a Ele, ao reconhecermos a nossa malda­de e pecado?


S. Paulo na Carta aos Romanos, explica-nos que o Espírito Santo, vindo em auxílio da nossa fraqueza, Ele próprio nos inspira como nos devemos dirigir ao Pai. Sem impor, é pa­ciente e espera a nossa adesão livre ao Seu amor.
O conhecimento de Deus, o reconhecimento dos nossos li­mites predispõe-nos para uma melhor compreensão das Parábolas do Reino que começam a ser-nos apresentadas no XVI Domingo do Tempo Comum (dia 19).
Jesus serviu-se de parábolas, para melhor compreendermos o desejo de O conhecer, e compreender a razão da nossa existência.
Fala-nos do trigo e joio, apelando à prudência em não eliminar o que nos parece mau, nas esperar o momento oportu­no, do grão de mostarda que crescerá e dará abrigo, e do fer­­mento que embora em pequena quantidade fará levedar to­da a massa.
Que sei de Deus? Que sei de mim? Como posso contribuir consciente e pessoalmente na edificação do Reino?
Não podemos desculpar com a falsa modéstia de estar à es­pera que outros façam, outros nos indiquem o que fazer. Todos nos devemos comprometer individualmente.
No último Domingo do mês temos a lição deixada por Sa­lo­mão. Não pediu a Deus o poder, a força, qualquer grandeza. Pediu apenas um coração inteligente para saber governar bem o seu povo; para saber distinguir o bem do mal. Hoje talvez dissesse apenas “saber discernir”.
Deus concedeu-lhe o que pediu como nos concede o mesmo, se o pedirmos.
Na mesma linha deste discernimento compreendemos S. Paulo, quando nos ensina que tudo o que acontece e que até nos pode perturbar e levar a pensar que Deus se esqueceu de nós, é aproveitado para nosso bem. Podemos não o entender de imediato, como a recente pandemia. Como muitos “desastres”, um dia, mais tarde, podemos ter de concluir que no meio de muito sofrimento, cresceram virtudes hu­manas, aprendemos a olhar com compaixão, tornamo-nos mais humanos.
Concluímos com a parábola do tesouro que qualquer um pro­cura. Tudo somos capazes de dispensar para o alcançar. O tesouro que é a felicidade sem fim, vale o desprendimento do que é supérfluo.
É um despojamento exterior e interior que dura uma vida ter­rena mas, verdadeiramente imprescindível.
L.C.
2020-07-14


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