Igreja

Igreja “hospital de Deus”

          

Um pequeno e invisível vírus irrompeu nas nossas vidas e faz-nos viver uma experiência com contornos absolu­ta­mente novos na história da humanidade. Se, por um lado, vem encher de medo, sofrimento e morte a nossa existência, por outro, faz despertar imensos gestos de partilha, pro­ximidade e comunhão porque tomamos consciência de que estamos todos, mesmo todos, no mesmo barco, experi­men­tamos que somos uma “única família humana”. Como Igre­ja, também estamos a viver tempos novos, comungando intensamente as inquietações e angústias do Povo Santo de Deus que todos constituímos e ensaiando expressões no­vas de presença, serviço, anúncio da boa notícia de Jesus Cristo ressuscitado e celebração dos mistérios da fé.


Ninguém ignora que a pandemia provocará uma crise pro­funda com muitas consequências sociais, económicas e culturais. A pobreza regressa e as nossas famílias experi­men­tam carências de vária ordem. Continuaremos a tradu­zir o Evangelho em gestos de consolação, cura, perdão e par­tilha de bens. Mobilizando e recriando formas organiza­das de partilha e socorro através da Cáritas, das Conferên­cias Vicentinas, das IPSS, do Fundo Partilhar com Espe­ran­ça e sempre conjugados com outros organismos e a in­dis­pensável parte que ao Estado compete no cuidado de to­dos os cidadãos, mas também desenvolvendo pensamento crítico e propostas com visão profética, capazes de fa­zer ouvir o clamor dos pobres e o clamor da terra, para que ninguém fique para trás. Reafirmamos, com o Papa Fran­cisco, “que a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual” (EG 200) e queremos co­locar sempre no centro da vida e missão da Igreja o en­con­tro com a pessoa de Jesus Cristo que é o coração do Evan­gelho.
Não ignoramos que muitas comunidades e instituições ecle­­siais se têm visto privadas das suas fontes de sus­ten­ta­­bilidade económica e que partilhamos com muitíssimas fa­mílias a necessidade de repensar e reinventar a gestão dos recursos necessários para o nosso sustento. Juntos, par­tilhando o que temos e somos, cuidando de todos, que­re­mos ser expressão do Jesus Cristo que, “como bom sa­ma­ritano, vem ao encontro de todos os homens atribulados no corpo ou no espírito e derrama sobre as suas feridas o óleo da consolação e o vinho da esperança” (Prefácio comum VIII). Não passaremos à frente de tantas neces­si­­dades, mas ofereceremos o óleo da consolação e a força da solidariedade.
(do Comunicado do Conselho Presbiteral da diocese
2020-07-30


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