Opinião

Liturgia e boas maneiras

          

Que tem a ver a Liturgia com “boas maneiras”, com bom desempenho de funções, se assim nos quisermos exprimir, ou simplesmente, com delicadeza nas pa­lavras e atitudes?
Como nos ensina o Cate­cis­mo da Igreja Católica (CIC, 1069) a palavra litur­gia significa “obra pública” e como tudo aquilo que se vi­ve publicamente, com os outros, tem normas e regras que devemos conhecer e res­peitar.
Pelo sacramento da Con­fir­mação, recebemos dons que nos vão ajudar a desenvolver qualidades ou virtudes para vivermos como Cristo, como cristãos.


É pela celebração da Sa­gra­da Eucaristia que encon­tra­mos o caminho para a san­tidade. Como qualquer ca­minho, vamos descobrindo aos poucos, e retificando sempre que necessário.
A Igreja é Mãe e Mestra e é com ela que vamos apren­den­do. Em primeiro lugar de­senvolvendo as virtudes humanas da humildade, no reconhecimento de que não sabemos tudo e temos de nos abrir à escuta; da obedi­ência porque a Igreja é hie­rár­quica e devemos obedi­ên­cia ao Papa, ao Bispo (ou sa­cerdote que o representa); e da solida­rie­dade, porque devemos desejar o bem, a santidade de todos.
Presto culto a Deus publicamente em assembleias reunidas para esse fim, mas presto culto individualmente, sempre que, como filha, me dirijo ao Pai. Nesse caso, farei como o Evangelho me recomenda. Entro no meu quarto e a sós, oro ao Pai (Mt 6,6).
A sós, posso escutar Deus que me fala ao coração e res­pon­der-Lhe como o coração me vai aconselhando. O que está mal é que eu vá impor aos outros as “minhas” orações ou devoções, quando me convidam a orientar uma devoção pública como por exemplo a recitação da devoção ma­ria­na do Rosário.
Em matéria de normas e regras litúrgicas, conheci al­gumas que o Concílio aper­feiçoou, outras que o Episcopado atualizou. Aceitei as alterações sem qualquer dificuldade.
Custa-me por isso dar con­ta de “atropelos na li­tur­gia” que revelam o desinte­res­se dos fieis em viver “num só coração”.
Como a minha “opinião” não pode ser mais do que is­so – opinião, sugiro aos leigos o cuidado de ler/es­tu­dar o que está prescrito pela Comissão Episcopal da Liturgia, publicado todos os anos no Directório Litúr­gi­co, ultimamente com Im­pri­­matur de D. José Cordeiro. Se há normas… não devem ser os leigos a apresentar sugestões segundo as suas devoções pessoais.
M. Leonor Coelho
2019-12-27


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