Opinião

BICADAS DO MEU APARO

A (con)fusão

          
BICADAS DO MEU APARO

Aquando da minha tomada de posse no Ministério da Fi­nan­ças, o chefe dos serviços, finda a cerimónia, alertou-me de que no dia seguinte teria de entrar ao serviço de gravata ao pescoço e munido de uma caneta para escrever, porque (ela) seria a minha sachola profissional. Sorri e disse “tudo bem”. Mas uma caneta de tinta permanente naquele tempo, po­dia ter vários preços e era apenas uma caneta. Nesse meu pri­meiro dia de trabalho, fiquei a saber também de que deveria trazer de casa um rolo de papel higiénico. Claro que não me indicaram a qualidade do papel, da gravata e da caneta.


Se podemos dizer que o Estado Novo tinha as suas formas de fugir a despesas e que, explorava os seus trabalhadores, es­tranho é saber-se que os”democratas-defensores-dos-tra­ba­lhadores fujam a grandes despesas, contra a algibeira dos fun­cionários, como no caso dos agentes da polícia que, para exe­cutarem as suas funções tenham de comprar do seu bolso ma­teriais que à instituição dizem respeito.
Entre vários materiais que certos policias vão adquirindo a suas expensas, está a aberração de terem de comprar as algemas para prender os prevaricadores que na sua missão vão en­contrando, conforme tem sido notícia nos órgãos da Comu­ni­cação Social.
Assim, questionado pela Comunicação Social a pronunciar-se sobre materiais comprados pelos polícias para trabalha­rem, o senhor ministro Eduardo Cabrita, com estilo propagan­dis­ta não tem dúvidas e diz que “se os polícias compram equi­pa­mento para trabalharem, é porque querem e não têm nada que o fazer”.
Ora esta resposta, esta forma de estar na política é rigorosa­men­te uma falta de respeito por quem zela pela segurança na­cional. No mínimo, o senhor ministro deveria ter dito que des­conhecia a situação e que se encarregaria de saber a verda­de. Mas não. Falou para gerar a confusão e para banalizar o ze­lo policial dos agentes.
Este Governo de António Costa, bem como o anterior, vão anun­ciando uma economia cor-de-rosa ao país. Mas toda a gen­te verifica a pobreza em todos os sectores dos serviços do Es­tado, da falta de funcionários em todo o lado e na demora que os serviços levam a resolver os problemas ou os serviços dos seus utentes/contribuintes.
No caso da PSP, quem desconhece a miséria que graça nas via­turas policiais? São viaturas encostadas por falta de mecâ­ni­ca, por falta de revisões e em certas Esquadras nem dinheiro têm para a comprar gasóleo e pneus. Ora o senhor ministro Cabrita, não tem pejo em tentar manipular a opinião públi­ca e falta saber-se que responsabilidades entende ter para as­sim falar. Daí, não admirar que agentes da Policia e da Guarda Nacional Republicana, em conjunto, e liderados pelo sindi­ca­to daqueles e pela Associação Profissional destes, neste pas­sado dia 21, se tenham manifestado em Faro, Lisboa e Braga con­tra a forma como são tratados pelo Ministério.
Foge o Estado às suas obrigações salariais, à reposição das pen­sões dos seus aposentados, sacadas desde 2011, às despesas que lhe competem, etc. Todavia, a vida económica cresce – vangloriam-se – mas, para engordar os amigos, familiares e a Banca, que a todos suga e tuberculiza.
E porque a economia do país não pode abrandar ou sofrer quaisquer atropelos, por a União Europeia o não permitir – porque quem mada nos países que lhe são afectos são eles – há que reduzir, reduzir e, como os do tempo de Salazar há que trazer para os serviços do Estado a gravata, a caneta e o pa­pel higiénico.
A GNR e a PSP entendem-se– pois são as vítimas do Gover­no – e por isso já se pensa que o melhor de tudo é fazer a fu­são das duas forças de segurança: é mais barato, deve ser me­lhor para reinar e, porque depois, quem faz as leis das novas forças da ordem são eles. E como em política se pensa que é melhor dividir para reinar, os fumos sentidos desta fusão, pretende-se para materialmente pagarem o que querem e colocar nos lugares do poder quem querem– isto é, colocar os amigos, os sobrinhos e os genros de toda a malta.
GNR e PSP, têm missões diferentes e o povo conhece-as. Mas tudo indica quererem acabar com as estruturas desta gen­te que vigia o crime, fundindo-as e com outro nome. Também acabaram com os guarda-rios; com os guardas-florestais, com os cantoneiros que limpavam as valetas e vigiavam a floresta, acabaram com escolas, com centros de saúde e aca­ba­ram, acabaram! No que dará tudo isto? A (con)fusão).
(O autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)
(Artur Soares escritor d’Aldeia)
2020-02-27


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