Opinião

Saber Calar, para Escutar

          

Na continuação de reflexão apresentada no último nú­me­ro deste Jornal, reafirmo sermos injustos culpabilizan­do o cle­ro pela preguiça que a nós, leigos, nos instala.
Curiosamente, do silêncio passivo de muitos sacerdotes, somos nós inteiramente culpados. Provo-o: Se fosse um sacerdote a dizer a um grupo coral que o canto não de­ve atrasar o ritmo normal da Eucaristia, obrigando-nos a esperar que terminem para prosseguir a oração eu­ca­rística, ou que o grupo coral só deve servir para dar apoio à participação de to­da a assembleia, o que poderia acon­tecer? No mínimo uma ca­deia de críticas, melindres e amuos, senão deserções infan­tis ou chantagistas.


Eu porém posso afirmá-lo e apresentar razões. Não fico pior do que estou, pois tenho bem presente o preço com que pa­­go a liberdade de dizer o que penso.
O padre é o pastor que espera pacientemente a cura das ove­lhas que coxeiam. Eu sou uma ovelha que o pastor autori­za a procurar o local onde encontra alimento mais rico. Logo, a correção torna-se mais fácil aos leigos que ao clero.
É muito difícil porém que nos oiçam! Realmente com que “au­toridade” posso dizer que «Devemos trabalhar pe­lo Reino, sem lutar pelo trono»? Se não corresponde à nos­sa forma de agir, não passamos de fariseus hipócritas.
Essa afirmação dum Amigo, que muito admiro, foi tema de meditação para muitos dias e abriu pistas para estas re­flexões. Também me levou a repensar como é difícil ser escutado.
As nossas igrejas esvaziam-se e continuamos a não as­su­mir uma culpa pessoal. A mudança começa por nós pró­prios e só pode partir duma virtude que nunca podemos negligenciar – a de ser capaz de escutar, com o cora­ção, em permanente vontade de se libertar (de vaidades, amor-próprio, in­vejas, ciúmes…até dificuldade de se aceitar como se é). Cres­cer em humildade!
Aprender a escutar para ensinar… É um bom ponto de partida.
M. Leonor Coelho
2020-02-27


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