Opinião

Uma Igreja em conversão

          

Eu sei que a palavra “conversão” incomoda. Traz o reco­nhe­cimento de algo errado. E é tão difícil reconhecer erros!
A desorientação geral em que crescemos e vivemos, acu­mu­lou crises que se interligaram, sem nos apercebermos bem, como surgiram e qual o verdadeiro objetivo. As con­se­quên­cias, essas, conhecem-se, pelo mal que causam.


A destruição da família motivando a desestruturação da so­ciedade, a desvalorização da virtude, arrastando a prolife­ra­ção de vícios e abusos, de corrupção e toda a espécie de mentiras, contribuíram para perdas da fé e criaram conceitos errados de religião.
A oposição ao espiritual, apareceu no século XIX, pelo racionalismo, que encontrou na maçonaria os militantes que precisava. No início do século XX o comunismo aliou-se à “morte de Deus”, ao reprovar a religião que considerava o “ópio do povo”. Como a fé é algo que transcende os interesses económicos egoístas, estas ideologias não tiveram o impacto politicamente desejado.
Iniciou-se então um ataque verdadeiramente diabólico: o enfraquecimento da fé, dos valores, das organizações eclesiásticas e eclesiais, a desunião entre os seus membros, seria capaz de enfraquecer a Igreja e acabar com a religião. Tu­do isso seria substituído por um novo poder…uma suposta “nova ordem”.
Proliferaram ideologias, relativizando valores e conceitos, numa pressa de novas definições, que pudessem destruir a verdade e a ciência, herdada duma cultura que levou séculos a construir.
A Igreja conheceu e venceu “guerrilhas” semelhantes e não po­dia deixar de estar atenta. A Exortação Apostólica Pós-Si­nodal “Querida Amazónia” é uma prova do lugar que a Igreja ocupa no Coração de Deus.
Providencialmente as pessoas de boa-vontade, que esperavam os resultados dum Sínodo, gerador de opiniões, por vezes controversas, tiveram oportunidade de conhecer o que sobre possíveis dúvidas, pensavam Bento XVI e o Cardeal Robert Sarah.
Com o livro «Do Fundo dos Nossos Corações», elucidam-nos sobre as funções do clero e dos leigos. Compreendemos como anda desconhecido o Concílio Vaticano II. A pressa de pôr em prática a sua doutrina gerou confusões, com atri­bui­­ção de funções desajustadas e impróprias que é urgente corrigir.
Este trabalho de conversão que requer colaboração e compreensão do clero e do laicado, é estimulado pelas palavras do Papa Francisco: «Com esta Exortação, quero expressar as ressonâncias que provocou em mim este percurso de diálogo e discernimento».
De coração aberto, com a inteligência livre para discernir, não permitamos que esta Exortação nos passe ao lado. Co­me­cemos por converter a indiferença crónica, em zelo apos­tó­lico.
M. Leonor Coelho
2020-03-19


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