Opinião

BICADAS DO MEU APARO

Escrever certo

          

Escrever certo os acontecimentos errados, é bem, é justo e é para o que servem os cronistas, colunistas ou os escritores da aldeia e da cidade. Mas escrever errado os acontecimentos é mau se, se escreve por excesso, por defeito ou por detur­pa­­ção dos acontecimentos. E como gosto de dizer, “escrever é destapar”, principalmente as coisas erradas, entre outras. Sen­do assim todos os órgãos de informação devem estar ao ser­viço da verdade, ao serviço da comunidade. Jornais, rádios ou televisões, repito, apontam, destapam o que está mal e só os elogiadores-interesseiros ou os profissionais das relações pú­bli­cas é que gabam o que está bem.
Tantas vezes, elogiadores e gente das relações públicas, são nor­malmente “pintores da vida social”, porque recebem, vendem a bajulação e sabem que são bem recebidos e aceites com a hipocrisia vendida, aos que pensam ter o pêlo liso e brilhan­te, na sociedade ou nos locais de trabalho.


Inteligentes e justos eram alguns primeiros sacerdotes de an­tes de Cristo, que elogiavam os monarcas do Egipto – e só o que bastasse – desde que os vivos não ouvissem. Até a nossa Agustina Bessa escreveu que “bajuladores/elogiadores, podem ser bebidas engarrafadas, que a serem usadas poderão ser uma zurrapa”.
E se escrever certo sobre coisas erradas é bem e justo, bem escreveu Mia Couto quando afirmou que “a maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos”. Na verdade, e no meu último texto aqui publicado, debrucei-me sobre o país angolano em que afirmei isso mes­­mo: Angola, em 40 anos produziu algumas centenas de ri­­cos e não ri­queza a distribuir à Nação. A filha do ex-presiden­te angolano José Eduardo dos Santos era nesta data possuido­ra de seis bi­lhões de euros, com a ajuda do pai e de muita gen­te em Portugal. E se afirmei no referido texto que muito “boa gente” deste país estava envolvida nos milhões de Isabel dos Santos, desconhecia ao escrever na passada semana que to­dos os partidos políticos com assento na Assembleia da Re­pú­blica – excepto o Bloco de Esquerda que nunca aceitou tal si­tuação - se deixavam subornar pelo dinheiro rapa­ceado de An­gola, transportado na saca da referida senhora, se é que se po­de tratar como tal.
É nesta bagunça da produção de ricos, que entra o famoso Rui Pinto, o homem que para os franceses devia ser um herói na­cional, uma vez que ele se apoderou dos nomes e autores da corrupção em Portugal e em vários países da Europa. É este preso que as autoridades portuguesas procuram silenciar. Enquanto Rui Pinto colaborou com o Governo francês e com os Estados Unidos, denunciando os leões de afiadas garras da economia e tem o apoio de vários países que também ti­veram acesso aos autores rapaces de cada um, Portugal colo­cou-o nas grades e nem tão-pouco Rui Pinto teve lucros mate­ri­ais nas buscas efectuadas, segundo afirmou, peremptoria­men­te o seu advogado Dr. Francisco Teixeira da Mota. É evi­den­te que o homem das buscas sabe o que fez e “voltaria a re­peti-lo”, afirmou. “Há muita podridão em Portugal e então no fute­bol até é bem perigoso falar nisso”- acrescentou. Rui pin­to não se arrepende do que descobriu e apenas sabe que se meteu com muita gente do dinheiro sujo. Conhece e tem a ga­rantia da sua segurança, de França, Estados Unidos e outros países. De Portugal nada tem e tudo lhe querem tirar. Por isso tem medo de estar na prisão, colocando-se sempre atento a todas as movimentações e atitudes prisionais.
Há milhares e milhares de documentos que indicam as ri­que­zas indevidas portuguesas e estrangeiras. “França, Estados Unidos e outros países, estão a confirmar a minha acção con­tra a corrupção, enquanto Portugal apenas quer a minha ca­beça, porque sabem, como eu sei, quem são e onde estão os corruptos. “A invasão fiscal tem sido o descalabro em Por­tu­gal e milhares de documentos meus identificam os desones­tos”, afirmou.
Não quero escrever mal sobre os acontecimentos maus. Não pre­vejo os resultados deste julgamento que a Justiça quer fazer a Rui Pinto. Não consigo também saber o que outros paí­ses beneficiados - com as buscas deste “herói nacional”, como lhe chamou um gigante de Direito francês - podem fazer ou que podem garantir em termos futuros a Rui Pinto. Uma si­tua­ção parece ser certa: com esta acção de Rui Pinto na desco­ber­ta e denúncia dos prevaricadores – embora o queiram julgar por prevaricação também - Portugal nunca mais será igual, se os portugueses pararem para reflectir e actuarem em lugares devidos, contra aqueles que em vez de “produzirem riqueza, produzem ricos”.
(O autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)
(Artur Soares escritor d’Aldeia)
2020-03-19


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