Política

EUROPA forte e frágil 

          

O trágico evento do incêndio e do colapso do pináculo da catedral de Notre-Dame (Nossa Senhora de Paris), po­deria ser lido como um sinal premonitório do fim de uma civilização, uma cultura, uma religião, o fim da Europa. No entanto, contraditoriamente, todos se uniram, como nu­ma prece, no desejo da sua reconstrução, como se uma parte de nós mesmos tivesse desaparecido e fos­se urgen­te colmatar o vazio e a dor de tamanha perda.
Talvez, afinal, todo o ser humano tenha uma necessida­de visceral de símbolos pensados, construídos, conserva­dos, habitados e encarnados num tempo e num lugar. Tal contradição coloca questões que permanecem sem res­posta: acreditamos, ainda, que a Europa pode ser boa para o nosso futuro? Sentimo-nos, de facto, cidadãos da Europa?


Notre-Dame, cuja construção se iniciou em 1163, co­nhe­ceu ao longo destes mais de 800 anos, devastações brutais e belas reconstruções. Não é mais a mesma, como a Europa não é mais a mesma. Assistiu ao terror e à li­bertação, a revoluções, reformas e contra reformas. Um dia, como aconteceu com o templo de Jerusalém, não res­tará pedra sobre pedra. As pedras podem até ser um sím­­bolo, um sinal dos valores europeus, mas o que impor­ta, de facto, é a defesa da pessoa humana, dos seus di­reitos e dos seus deveres.
Por isso as eleições europeias são tão importantes.
Cabe aos cidadãos da Europa decidir se querem uma Europa de pedras, instituições, estruturas ou uma Europa alicerçada no valor sagrado da pessoa humana. Uma Europa tolhida pelo medo ou alicerçada na esperança? Uma Europa guiada e patrocinada pelo deus dinheiro ou fundada nos valores da política como serviço, da economia como organização da partilha do bem comum e da cultura que respeita e valoriza a diferença?
É um direito e um dever de todos e de cada um participar, informar-se, e não deixar que outros decidam por nós o futuro da Europa.
Como um grande navio a Europa é uma estrutura com­ple­xa, composta por diversos órgãos que colaboram entre si de modo a garantir o seu bom funcionamento: Conselho da Europa, Parlamento Europeu, Conselho de Ministros, Comissão da Europa, Tribunal de Contas (TCE),Tribunal de Justiça (TJUE), Banco Central Euro­peu (BCE), Comité Económico Social, CESE), Comité de Regiões (CR),Serviço Europeu para Acção Externa (SEAE), Banco E uropeu de Investimento (BEI).
Secundino Correia
2019-05-29


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