Autarquia

União de Freguesias Caniçada/Soengas vai a eleições

          
União de Freguesias Caniçada/Soengas vai a eleições

A Assembleia de União de Freguesias Caniçada/Soen-gas reuniu em sessão ordinária, sem nenhum ponto na ordem de trabalhos, no passa­do dia 28 de Setembro em S. Martinho de So­en­gas.
Os eleitos na lista única concorrente independente, “Juntos Por Ca­­niçada e So­engas” apresentaram o pedido de demissão, o mesmo acontecendo com o secretário e tesoureiro da Junta, respectivamente José Sou­sa Barbosa e Renato Mendes, alegando “falta de confiança e motivos pessoais”.


Jorge Pereira, presidente da As­sem­bleia, anunciou que a partir daquele momento deixava de haver Executivo e As­sem­bleia.
A reunião que contou meia centena de participantes passou a “plenário de rou­pa suja”. A Mesa da As­sembleia pediu ao presidente da Junta, Jo­ão Rocha, que “esclarecesse acusações de que ele tem sido al­vo, sobre documentos, dinheiros e cheque”. O conta­bilista da Junta, Rui Alberto Reis, interveio para dizer que “os documentos (cheques e faturas) não chegaram às suas mãos e não constam da contabilidade”, disponibi­li­zando duas pastas para consulta.
Com algum público da assembleia a comentar que estavam a esconder “rabos de palha”, João Rocha, tomou a palavra para dizer: “convoquei a meu pedido as pessoas para esta reunião, inclusive o presidente da Câ­mara, mas que não pode estar presente. Foi atacada a minha pessoa e até a minha família. Fizeram uma panela contra mim. Aquilo que fiz pela freguesia está à vista de todos; que o caminho foi pago por um particular e pela Câmara e que o donativo do par­ticular não entrou nas contas da Junta”. Quanto ao “cheque de 2000 euros, dinheiro que saiu do meu bolso, foi para o em­prei­teiro que está aqui. Aquando do reembolso, o che­que foi para a conta da fun­cionária Fátima e dela para a minha”, referiu João Ro­cha. Continuando a sua intervenção, afirmou que “os documentos fotocopiados e retirados da Junta apareceram nu­ma casa par­­ti­cu­lar. Alguém terá de responder no Ministério Público”. Renato Men­­des, tesoureiro da Junta, sen­ta­­do na as­sem­bleia pediu: “que fi­­que registado em ac­ta e que vá pa­­ra o Ministério Público”.
A assembleia, já em estado eferves­cen­te, fi­cou ao rubro, quando Rui Pe­reira, replicou: “A minha es­posa [Fátima] transferiu o cheque para a conta do Jo­ão Rocha, mas este queria que fosse levantado o di­nheiro e entregue em mão”. Respondeu o presi­den­te da Junta: “se o dinheiro era meu qual o problema. Nunca mais me dirijas a palavra!”
A reunião acalmou um pou­­­­­co quando Sónia Mendes explicou “a doação do Sr. Eduardo, um caso parti­cu­lar, que não era ali chama­do”, o que levou a que algum público abandonasse a sala.
João Rocha voltou a usar da palavra acusando os de­mis­­sionários de falta de com­promisso com a freguesia. “Não sabiam das coisas porque não queriam e outros só vêm à freguesia de quinze em quinze dias. Eu estou aqui sempre”, afirmando que “não tinha nada a temer nem a esconder para se refugiar na demissão, e que era o último a abandonar o barco, assim como os ratos são os primeiros a saltar fora”.
Ao terminar a intervenção, João Rocha afirmou que não pretendia ser candidato a futuras eleições. Algum pú­blico, aos gritos, reagiu pe­dindo que continuasse à frente da Autarquia e apuparam a Me­sa de Assem­­bleia de “cobardes e traidores”, acabando assim a reunião que durou duas horas.


Os procedimentos a seguir obrigam o presidente da Assembleia a comunicar “o facto ao membro do Governo responsável pela tutela das Autarquias Locais, para que este marque, no prazo de 30 dias, novas elei­ções”.
As eleições realizam-se no prazo de 40 a 60 dias a contar da data da respe­cti­va marcação. (Lei 169/99 Art.º 11, n.º 2 e 3 e Lei Orgânica n.º 1/2011).
Texto e foto: Zé Maria
2019-10-07


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