Reportagem

PEDALAR VIEIRA – por montes e serras numa caminhada bem sucedida

          
PEDALAR VIEIRA – por montes e serras numa caminhada bem sucedida

A Associação Pedalar Vieira organizou uma caminhada em 21 de Outubro passado subordinada ao tema “Pe­las Serras de Vieira” num magnífico percurso desenha­do com partida e chegada na Capela da Srª da Lapa em Sou­telo seguindo um trajecto suave ao longo das curvas de nível da zona alta da Serra de Pena Mourinha e passa­gem pelo Castro de Anissó, contando com cerca de 80 par­ticipantes, provenientes das mais diversas origens des­de Matosinhos, Guimarães, etc. A utilização das redes so­ciais para a promoção do evento, revelou-se efici­en­te e eficaz na cativação de tão elevado numero de amantes da natureza.
As panorâmicas paisagísticas que todos puderam des­fru­tar são de cortar a respiração. Daqui, está ao nosso alcance toda a envolvente da bacia hidrográfica do Alto Ave com a Serra da Cabreira a Nascente; a serra do Me­rou­ço a Sul; a encosta do monte do Sameiro de Braga e o monte de S. Mamede a Poente; todo o recorte do Gerês a Norte com o Monte de Santa Cecília (Sra da Fé) no pri­meiro plano. Daqui, sentimo-nos em contacto directo com a natureza, ar puro e sensações únicas de bem estar.


Contamos com excelentes condições atmosféricas para a prática da caminhada, num ambiente animado e saudá­vel, apoiados por uma organização sempre atenta e empenhada em coordenar de forma discreta tão grande nú­mero de participantes, sem interferir no ritmo que cada um pretendia seguir. A Associação Pedalar Vieira está de parabéns pela organização irrepreensível deste evento, brindando os participantes com um reforço alimentar rico e variado, servido no largo do Cruzeiro da Povoinha em Anissó, onde alguns também partilharam generosamente o que levavam nas suas mochilas, num convívio alegre e fraterno.
O percurso começou na Sra da Lapa que não visitávamos há alguns anos e nos surpreendeu pela positiva, par­ti­cularmente pela infraestruturação da área com bar de apoio, palco, guardas de acesso aos miradouros, tudo mui­to bem cuidado e esteticamente muito bem conseguido pe­las gentes que têm liderado a confraria. Para eles também os nossos parabéns, pelo gosto e asseio com que tão carinhosamente cuidam deste monumento religioso sin­gular, talvez único no mundo. Então o Miradouro é algo de espectacular, quer pelo local que em si é encantador (em cima duma rocha enorme que a natureza se encarregou de talhar para o efeito), quer pela infraestrutura de acesso, protecção e segurança que os valorosos homens da confraria instalaram, utilizando materiais e condições de acesso arquitectonicamente bem calculadas, diríamos que perfeitas e integradas no meio.
Seguimos então pelo trilho definido pela organização, ru­mando na direcção nascente pela ala norte do monte em direcção ao Castro de Anissó, acompanhando-nos à nossa esquerda (lado norte) sucessivamente os enquadra­men­tos paisagísticos das Cerdeirinhas e Gerês; Tabuaças, Monte da Srª da Fé, Sanguinhedo, Azevedo e a imponente Serra da Cabreira que foi dominando a paisagem até chegarmos ao Castro de Anissó. Devemos real­çar que grande parte deste trilho fora da zona viária, foi aberto pe­los valorosos elementos da PedalarVieira, num trabalho notável aos domingos de manhã, com o objectivo de de­senvolver as actvidades de BTT e passeios pedes­tres, mé­rito que deve ser reconhecido pelo seu altruísmo.
Neste percurso, deparamos com grande tristeza e choque até, com situações de poluição ambiental que de todo não deveriam ser permitidos e merecem o acompanhame­nto e acção enérgica de quem de direito nesta matéria. Re­ferimo-nos aos montes de detritos resultantes das ex­plo­rações de granito que estão a ocorrer, e mesmo depósi­tos de entulho de construção civil. Estamos a assistir à des­caracterização dos nossos montes, aparentemente sem qualquer beneficio para o Municipio, restando os ca­dá­veres abandonados nestes percursos, sem qualquer tra­tamento posterior. Choca-nos ver isto acontecer nesta Terra que é nossa e temos o dever de preservar para os nossos vindouros. As imagens falam por si.
Em pleno Castro de Anissó, o alcance da panorâmica que se consegue sobre o círculo visual rodando no sentido dos ponteiros do relógio a partir da Sra da Fé, Vieira, Ca­breira, Ermal e Merouço, é absolutamente soberbo, dan­do vontade de ficar ali até ao final do dia. O grupo de ca­minhantes aproveitou para contemplar e confraternizar, repondo algumas energias em resultado do esforço desen­volvido. Foi bom, mesmo muito bom, e para alguns sor­tudos o champanhe até estava fresquinho…
Seguimos então rumo à Povoinha e ao largo do Cruzeiro onde estava cuidadosamente montado um posto de cam­panha com mesas e todo um conjunto de reforços ali­mentares rico e variado, colocado à disposição dos partici­pan­tes, atenciosamente ser­vido pelos elementos da organização devida­me­nte identificados pela indu­men­tária. Bem hajam amigos, foram espe­c­taculares.
Restabelecidas as ener­gias, seguimos ca­mi­­nho na direcção da parte alta de Soutelo por entre bosques arborizados e daqui cumprindo o destino em relação à origem, numa ponta final alucinante, concluindo-se o trajecto na Capela da Sra da Lapa pelas 13h, onde nos des­pedimos calorosamente e a promessa que voltaremos a encontrar-nos algures por aí, em iniciativas desta natureza.
Em jeito de balanço cabe-nos aqui lançar um repto à Au­tarquia: este trilho, em face das suas características únicas, merece ser consagrado como um trilho de referência de Vieira do Minho. O investimento na sua criação, sinalização e divulgação é uma coisa menor, assim tenhamos a visão e saibamos definir as priorida­des estratégicas para a Nossa Terra.
Aproveitamos o resto do dia para visitar o empreendi­men­to da Pousadela Village em Louredo da Ribeira, proje­cto arrojado que nos merece rasgados elogios e aconse­lha­mos vivamente a visitar e usufruir. O turismo tem um po­tencial enorme para dinamizar a economia local. Con­tu­do, se não houver um conjunto diversificado de atracções e integradas num todo, dificilmente conseguiremos le­var a bom porto o sucesso que pretendemos para o nos­so concelho nesta área, com Turismo de qualidade, num segmento médio alto que dinamize a economia local, sem descurar o usufruto da natureza por todos extra­ctos sociais, sendo os percursos pedestres um exemplo pa­radigmático que cumpre esse objectivo, não distinguindo quem o usufrui.
É bom que apareçam estes e outros equipamentos desta natureza que potencializam o todo e melhoram a oferta turística globalmente. Por si só, estes projectos constituem acções desgarradas que são meritórias mas precisam estar envolvidas em planos dimensionalmente supe­riores para poderem adquirir escala e ter sucesso econo­mi­camente viável e sustentado.
A meio da tarde, escalamos a serra na direcção da Ser­ra­dela e deparamos com a desolação total do Vale do Tu­rio e sentimo-nos, com grande e deprimente tristeza, na terra de ninguém. A energia positiva carregada durante a manhã começamos a sentir esvaziar-se/delapidar-se por este cenário. Temos de acordar. Está na hora de ca­da um de nós dar o seu contributo para que a Cabreira re­nasça das cinzas do longo inverno que o fogo de 15 de Outubro 2017 consumiu. Não nos podemos acomodar pe­rante o caminho aberto que as espécies infestantes (acá­cias) têm para dominar o coberto vegetal. Cabe à Au­tarquia o papel de liderança na condução deste processo, congregando todos e afectando recursos para atenuar o impacto desta tragédia ambiental.

Nota: texto escrito de acordo com a antiga ortografia
Hernáni Gouveia
2018-11-13


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