Reportagem

Música, poesia e rua Dr. Alfredo Ramalho assinalaram os 45 anos da revolução

          
Música, poesia e rua Dr. Alfredo Ramalho assinalaram os 45 anos da revolução

As comemorações do 45º aniversário do 25 de Abril, em Vieira do Minho, foram assinaladas com música, poesia e homenagem ao vieirense Alfredo Ramalho que recebeu a medalha de honra do Município e descerrada a placa toponímica com o seu nome em frente à Santa Casa da Misericórdia. O “ilustre médico insigne”, visivelmente emocionado, recebeu ainda das mãos dos presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal, diplomas de voto de louvor e da mão do seu neto uma flor (rosa).


Sob uma chuva gélida as cerimónias inciaram-se com uma força do corpo dos Bombeiros Voluntários de Vieira do Minho em parada, enquanto se içavam as bandeiras ao som do hi­no na­cio­nal interpretado pe­la Banda Filarmónica de Vieira do Minho e pelo coro da Universidade Sénior. Seguiu-se a deposição de uma coroa de flores no Monumento aos combatentes, onde o coro can­tou o Hino dos Comba­ten­tes e a canção de Zeca Afonso, “Menino do bairro negro”.
No salão nobre repleto de convidados e com todos os Vereadores presentes, ex-presidentes da Câmara, Juiz António Gonçalves, Ar­cipreste Albano Costa e o Tenente-Coronel Fernan­do Cardoso Sousa decorreu a sessão evocativa on­de o poeta vierense, Sargento-Mor, José Castro, de­clamou dois poemas da sua autoria “Abril..” e “Herói da Li­ber­da­de”, este dedicado a Salgueiro Maia, Capitão de Abril. Usaram da palavra os lí­deres parlamentares, com a excepção do CDS por “imprevisto de última hora”. Vâ­nia Cruz, do PS, foi a pri­mei­­ra a subir à tribuna para afirmar que o 25 de Abril es­tá vi­vo e recomenda-se, “em ca­da sorriso de criança, na irreverência e incon­for­mis­mo dos jovens e no legado que herdamos da profª Fer­nandinha e do Fer­nando Mangas”. A líder do PS homenageou também todos os presidentes de Junta, vogais, presidentes de Câmara, vereadores e membros da Assembleia que após o 25 de Abril dedicaram o seu trabalho e saber ao desenvolvimento do con­celho”. Dis­se ainda que cumprir Abril é requalificar a EBS Vieira de Araújo, “através do esforço finan­cei­ro conjunto entre o Go­ver­no do PS e o Município”.
Pedro Aarújo, do PSD, como habitualmente, de improviso disse não ter vivido o 25 de Abril, “apenas o conhece com relatos interessantes”, considera “este o momento oportuno para ho­menagear aqueles homens que em 1974 fizeram a revolução”. Afirmou que o 25 de Abril não foi para criar a liberdade de forma a di­zer tu­do e cada vez mais de­ve­mos estar atentos na sociedade e não responsabilizarmos só o Estado. Lançou o repto para iniciati­vas nas escolas darem a conhecer o que foi o 25 de Abril. Aproveitou para felicitar e congratular-se “com este momento de satisfação ao Dr. Ra­malho pelo que fez por Vi­ei­ra do Mi­nho”.
Neli Pereira não quis falar do desalento e desinteresse que muitos portugueses demonstraram em relação à política, apelando à parti­ci­pação nos actos eleitorais, nomeadamente para o Parlamento Europeu. “Só assim se constrói e preserva a democracia”, disse.
Voltou a falar dos problemas da interioridade, no­mea­­damente com as acessibilidades e em termos eco­nómicos, sociais e cultu­rais “as nossas terras viei­ren­ses evoluiram de forma branda”.
António Cardoso, teme pe­lo risco de transformar a liberdade em libertinagem, referindo-se aqueles que “debitam opiniões nas redes sociais, escudando-se no anonimato ou insinuações co­vardes atentórias ao bom nome, sem daí colherem as devidas conse­quên­cias”.
Disse que a actual dívida do Município está reduzida a pouco mais de metade, en­quanto a “dívida do Go­ver­no subiu nos três anos e meio mais de 20 mil milhões de euros”.
Criticou os “passes sociais mais que simbólicos em Lisboa e Porto, como sendo mais uma ajuda que o Go­ver­no deu para a deser­tifi­ca­ção.”
O Tenente-Coronel Fer­nan­do Vieira Cardoso en­cer­rou a sessão fazendo uma reflexão “ao passado e presente do 25 de Abril, regressando à época Mar­ce­lis­ta, década de ouro, com a nossa indústria nas melhores da Europa”. Lembrou uma “certa abertura de Marcelo Caetano e quando as coisas pareciam estar a correr bem, mas eram medidas cosméticas, surgiu uma mudança súbita no panorama internacional”. Em 1973 a situação em África era dramática, estávamos a perder a guerra na Guiné e em Mo­çambi­que. O 25 de Abril veio numa altura e em cir­cuns­tâncias genuínas. Fizemos o golpe de Estado e as pessoas vie­ram para a rua, às vivas e com cravos vermelhos”, con­tou o Tenente- Co­ronel com ascendente materno na freguesia de Anis­só, onde ainda tem família.
Terminada a sessão a comitiva deslocou-se às traseiras do edifício da Câmara on­de foi descerrada a placa na rua Dr. Alfredo Ramalho, com o Coro da Sociedade Filarmónica de Vilarchão a cantar a Grândola Vila Morena.
A música e a poesia não ficaram por aqui, uma vez que “poucochinhos mas bons” se deslocaram à Ca­sa de Lamas onde José Cas­­tro, poeta bem conhecido pela sua colaboração no Jornal de Vieira, declamou o poema “Honra aos Soldados em especial aos de Vi­ei­ra” e o Grupo de Cava­qui­nhos da Universidade Sé­nior cantou duas canções de Abril.
Seguiu-se a visita da exposição alusiva à 1ª Guerra Mundial, também aberta ao público na Casa Museu Ade­­­lino Ângelo.

Dr. Alfredo Ramalho, “cidadão honorário”

Em 5 de Abril, por deliberação unânime da Câmara Municipal de Vieira do Mi­nho foi atribuída a Medalha de Honra do Município e por inerência o título de “Cidadão Honorário do Município Vieirense” ao Dr. Al­fre­do Iná­cio de Abreu Ra­malho. A galardoação é fundamentada num “brilhante e longo currículo”, do qual salientamos: Licencia­do em Medicina desempenhou cargos de director clínico, passando por Provedor e actual­men­te preside à Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Vieira do Mi­nho; Presidente da ARS Norte de 1993 a 1995; Presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho de 1970 a 1974; Presidente da Assembleia Mu­nicipal de 1986 a 1989; Presidente da Assembleia Geral do Vieira Sport Clube de 1970 a 1990; Presidente da Direcção dos Bom­beiros Vo­luntários de 1990 a 1996; Presidente da As­sembleia da Caixa Agrícola de 1991 a 1996; Foi di­re­tor da revista “Contacto ARS”, já extinta, onde pu­bli­cou dezenas de artigos ci­entíficos; Cumpriu o serviço militar obrigatório na Força Aérea onde foi Alferes Miliciano.
Texto e fotos: Zé Maria
2019-04-29


Comentários

  Comentar artigo

Nome

Email

Comentário