Reportagem

Jornadas de Comunicação debateram presença no Instagram

Igreja desafiada a comunicar com «rostos» concretos nas redes digitais

          
Jornadas de Comunicação debateram presença no Instagram

As Jornadas de Co­mu­nicação realizadas pelo Secretariado Na­cio­nal das Comunicações Sociais e a Rede Mundial de Oração do Papa em Portugal decorreram em Fátima, na “Domus Carmeli” nos dias 26 e 27 de Se­tembro, sobre o tema “O impacto da imagem”.


Na abertura, D. João Lavrador, presidente da Co­mis­são Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais da Igreja, disse que a Igreja Católica se depara, actualmente, em termos da imagem, com uma «dupla interpelação», seja na «utilização cada vez mais criteriosa das redes digitais», seja no «diá­lo­go que deve estabelecer para que estas se tornem veí­­culos de comunhão e fra­ternidade e promotoras de uma humanidade onde não haja lugar à exclusão e à marginalização». Na mesma altura, também o di­rector da Rede Mundial de Oração do Papa em Por­tugal, o Pe. António Va­lé­rio, sj, falou de três projectos de oração das redes sociais: Clik to Pray, Passo a Rezar e Vídeo do Papa, que surgiram para fomentar novas formas de pensar e de difundir o Evangelho.
Isabel Figueiredo, directora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja salientou que“a comunicação é uma missão que exige investimento e coragem”, recon­he­cendo “o investimento ma­terial e imaterial” que a Igreja Portuguesa está a fa­zer na comunicação social.
Mons. Lucio Adrian Ruiz, secretário do Dicastério pa­ra a Comunicação da Santa Sé, na conferência sobre “A imagem - um canal de comunicação com o homem na era digital”, proferida na manhã do 1º dia das Jornadas, referiu que «O mundo digital não é um instrumento para utilizar, mas sim um lugar para habitar. O importante são as pessoas que o habitam e que o relacionam», reforçando a ideia ao sublinhar que “o mundo digital não é um instrumento para usar, mas sim um lugar para habitar”.
No primeiro Painel, sobre “Comunicar um evento, um produto, uma pessoa”, moderado por Elisabete Carvalho, uma jornalista vieiren­se, a trabalhar na Rede Mun­dial de Oração do Papa em Portugal, intervieram Ricardo Florêncio, Ana Ba­lei­zão e Fábio Lopes.
Fábio Lopes, conhecido como Conguito, locutor na Rádio Mega Hits, falou aos participantes da valorização do “sentido de comunidade”, na comunicação digital, e da importância de apresentar conteúdo com “ver­da­de e coerência”, com o qual as pessoas se possam identificar, mostrando “alegria” no que se faz. Ricardo Florêncio, responsável da comunicação do ‘Rock in Rio’, sublinhou a importância de “conhecer o público”, incluindo a sua presença nas redes sociais, e o próprio mercado, para adequar a estratégia de comunicação.
Ana Baleizão, responsável de RP e marketing de influência da “L’Oréal Grande Consumo”, assinalou por sua vez a necessidade de adaptar os conteúdos às diferentes plataformas digitais para “vender credibili­da­de” e ainda “a importância dos influenciadores”, con­cluindo que “se formos apenas mais um conteúdo, seremos um conteúdo a mais”.
A tarde prosseguiu com Ivo Neto, jornalista do JN e professor de Comunicação, sobre a forma como a di­gi­ta­lização da Comunicação le­vou à “convergência”, com a distribuição de con­teú­dos através de múltiplas plataformas. Neste painel foi apresentado o Laborató­rio da Fé, coordenado pelo Pe. Marcelino Ferreira da ar­quidiocese de Braga, juntamente com mais dois projectos da Igreja Católica – Ju­venil 2.0 (Salesianos) e Missão País (projeto católico de universitários).
O último dia das Jornadas de Comunicação começou com a Eucaristia no convento das Irmãs Carmelitas Descalças. Na conferência da manhã do último dia, Paulo Salgado, docente convidado da Universidade do Minho e do Instituto Universitário da Maia, falou so­bre instagram: a influência e o poder da imagem, apre­sentando “estratégias e prá­ti­cas” da utilização desta pla­­taforma da Web, a 3ª re­de mais utilizada em to­do o mundo que atingiu em 2018 mil milhões de utiliza­do­res e onde mais de 100 mil milhões de fotografias são partilhadas diariamente.
Os cerca de 150 participantes defenderam a necessidade de apresentar “rostos” concretos nos vários projectos católicos nas redes digitais. No momento de partilha de conclusões, oito grupos, cujos porta-voz eram sobretudo jovens, apontaram prioridades, como a de falar a “linguagem do outro”, com aten­ção à “ternura e veraci­dade como canais de co­mu­­nicação especial”; a im­por­tância de ter um rosto e a possibilidade de esse rosto ser jovem, não tendo receio de apostar nos jovens”; usar a instagram como plataforma para divulgar como “Palavra de Deus”; ter o cuidado de escuta, recorrendo a uma “comunidade de publi­cadores” e de se di­rigir às pessoas “na segunda pessoa” e de “habitar real­men­te o mundo digital, comunicando com ternura e au­ten­ti­ci­dade”. Foram algumas das “ideias chave” e “estra­té­gias práticos”, assinaladas nas intervenções conclusivas das Jornadas.
No final da apresentação das conclusões, D. João La­­vrador, bispo de Angra, nos Açores, agradeceu a presença dos numerosos participantes e intervenien­tes nas jornada, “vindos de áreas diferentes e que nos ensinaram muitas coisas, em termos de estratégias metodologias. Pediu ao Se­cretariado das Comunicações Sociais da Igreja, que multiplique estas iniciativas por outras dioceses intera­gindo com “outros órgão de comunicação, dando-lhes mais atenção”.
Texto e fotos: Luís Jácome
2019-10-07


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