Reportagem

Parabéns, Jornal de Vieira!

          
Parabéns, Jornal de Vieira!

O Jornal de Vieira, ainda que poucos tenham dado por isso, completou no dia 01Jan20, a bonita idade de 48 anos.


Tinha eu, então, uma dezena de anos, quando ele me entrou porta dentro, graças ao meu tio, que dele se torna­ra assinante, pelo que, lá em ca­sa, passaram a coexistir dois jornais locais, o JV e o Co­­mércio de Vieira, este mais an­tigo, mas, entretanto, de­sa­parecido.
Recordo-me de abrir o JV, em cima da velha cama, e, vi­ran­do as suas parcas páginas, me concentrar na crónica des­portiva, referente aos jogos do Vieira S.C., decorridos na quinzena anterior, alguns dos quais, os realizados no ve­lho pelado da Cabine, eu ti­vera a oportunidade de assistir “in loco”, quase sempre jun­to à baliza do lado de Vila Seca.
Anos mais tarde, quando a vi­da me levou a deixar o torrão natal, também eu me tornei assinante, e o JV passou a entrar-me na caixa do correio, quinzenalmente.
Obviamente, já adulto, não buscava apenas a página des­por­tiva, mas toda a informação do Cávado ao Ave, a polí­ti­ca, as efemérides, os artigos de opinião, e, porque não di­zê-lo, a necrologia, pois era, e ainda é, através do JV que va­­mos sabendo daqueles que, infelizmente, nos vão dei­xando, nomeadamente os amigos e os conhecidos.
Um dia, o malogrado Pro­fes­sor Teles, sabendo que eu “es­­cre­­­vinhava” algo, lançou-me o desafio de escrever para o JV, nomeadamente poesia.
O convite deixou-me numa em­brulhada de ansiedade, me­do, satisfação… Se por um la­do era a oportunidade de mos­­trar a minha gaveta de ras­­­cunhos, que de outro mo­do nin­guém iria ler, do lado con­trário pairava o medo de mostrar os meus “silêncios”, na­quilo a que, humildemente, designo por “quase poesia”. Será que os leitores vão gostar? De­pois, o susto de não ser capaz, o medo de errar, o peso de quem me convi­da­va. Afinal, o Professor Te­les tinha sido meu pro­fes­sor, assim como o Director do JV.
Sob a cobertura do pseudónimo, José de Castro, que poucos conhecem, o Zé An­tó­nio estava a salvo das críticas, pelo que, arrisquei e comecei a colaborar com o JV. Ao prin­­­cípio ti­­midamente, depois de forma assídua, esperando assim continuar, desde que a inspiração não me atraiçoe.
Olhando para trás, digo-vos que valeu a pena. É com mui­to orgulho que vejo es­tam­pados no JV os meus “silêncios”, os meus “momentos de solidão”, muitos dos quais enal­te­cen­do a concha que me viu nascer. Invade-me uma enorme fe­licidade quando alguém me vem felicitar por este ou aquele poema. Qualquer autor fica contente quan­­­do a sua obra faz alguém fe­liz. Não sou excepção!
Sendo o JV um jornal regional tem, para além da índole re­ligiosa que lhe está no cer­­ne, a função ímpar de levar as no­tícias das freguesias e do concelho a todos os vi­ei­renses, no­meadamente àqueles que se encontram espalhados pelos qua­tro cantos do mundo. No fundo, levar um pe­daço de Vi­eira a cada um dos seus filhos que labutam lon­ge, mas que não esquecem os sabores e os odores da serra da Cabrei­ra.
Mas um jornal não se faz so­zinho! Precisa do empenho, da vontade, da capacidade, da resistência e da resi­li­ên­cia da equipa que o coorde­na; no caso do JV, junto-lhe a carolice da equipa, condimento sem o qual não resisti­riam à mudan­ça dos tempos, à velocidade da informação, à nova realidade im­posta pelas redes sociais. São eles que vão gerindo os parcos recursos que possuem, bem como os muitos recursos que lhe são negados, pois, na fatia or­ça­­mental dos sucessivos go­ver­­nos, o actual não foge à re­gra, a parte cultu­ral tem si­do o parente pobre da gover­na­ção. Esta equipa de vencedores que mantêm o JV de pé, hon­ran­­­­do aqueles que há quarenta e oito anos lançaram a semente à terra, tem nomes: Pa­­dre Luís Jácome, José Maria An­­tunes e a Inês Sousa. A eles presto o meu tributo e dou os pa­rabéns!
Depois, surgem os colabo­ra­dores que, também por ca­roli­ce, fazem chegar ao JV as no­tícias, os eventos, os acon­tecime­n­tos que vão ocor­­­ren­do do Cávado ao Ave, as aná­li­ses des­portivas, os artigos de opinião, etc., sem esquecer os pa­tro­cinadores. Parece-me, contudo, que seria ne­ces­sária maior participação de todos. Acredito e sei que nas 21 freguesias do concelho há gente capaz de participar, de relatar, de opinar, de contar histórias e costumes do seu ter­runho, que tor­na­riam mais ricas as páginas do JV, mas, sobretudo, enriqueceriam a cultura vieiren­se. Às vezes, o medo tolhe-nos os passos. Deixo-vos o de­­safio, ar­ris­­quem a participação! Hoje, tu­do está à distância dum click…
Por fim, sendo eles o obje­cti­vo primeiro, surgem os elei­tores. Sem eles esfumava-se a razão do JV. Não sei ao cer­to o número de assinantes do JV, mas sendo Vieira do Mi­nho uma terra da diás­po­ra, com filhos espalhados do Mi­nho ao Algarve, da Europa à América, da Africa à Aus­trá­­lia, era bom que o número de assinantes fosse consen­tâ­neo com essa realidade. O va­lor da assinatura anual (15,­00€/nacional; 22,50€/Europa; 25,00€/extra-Europa) não pode ser razão de entrave. Ler o JV, um jornal quin­­ze­nal e da nossa terra, não é a mesma coisa que ler um jornal diário, onde tudo passa nu­ma voracidade tremenda. Ler o JV é viajar até ao nos­so tor­rão, mitigando sau­dades, sa­boreando os aromas da Ca­brei­ra a cada página que se vi­ra. É revisitar ami­gos e co­nhe­cidos, rever figuras típicas que marcaram e marcam a vi­da diária desta concha, on­de o rio Ave escolheu nascer. Quem não conhece o ami­go “Águas”, bombeiro pa­ra todo o serviço, que na últi­ma edição foi figura de desta­que? É disto que vos falo. Desta proximidade à nos­sa ter­ra, que encontramos nas pá­ginas do JV.
Dentro de dois anos, o JV es­­­tará de novo de parabéns, ce­­­lebrando a meia centena de anos. Uma idade invejável! A me­­­lhor prenda que os viei­ren­­­ses lhe podem dar é o au­men­­to significativo de assinantes e de colabo­ra­­dores. Vamos a isso, desde já!
Por ora, resta-me desejar-te os parabéns, pelos teus 48 anos, JV!
José de Castro
2020-01-14


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