Editorial


Advento

Iniciamos em três de Dezembro um novo ano litúrgico ao longo do qual evocamos e actualizamos os principais acontecimentos da História da Salvação. Com o primeiro domingo do advento começa um tempo longo de preparação espiritual para a celebração da solenidade evocativa do nascimento de Jesus, o Natal.
A palavra advento (vinda do latim) quer dizer “para a vinda”. Na tradição cristã esta vinda diz respeito à pessoa de Jesus, Filho de Deus, feito homem no seio de Maria de Nazaré. Para nós, esta vinda já aconteceu e foi precedida dum longo período, mantida viva pelo ministério dos Profetas que anunciavam um Messias Salvador.
Pela História da Salvação, sabemos que Jesus de Nazaré nasceu em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, sendo Imperador de Roma, César Augusto, e foi anunciado pelos Profetas, como o Messias prometido, nas escrituras sagradas, ao povo de Israel.


O silêncio e as notícias falsas

O silêncio, por vezes quase total, da grande maioria dos meios de comunicação social, sobre eventos e manifestações de âmbito nacional, que movimentam milhares de pessoas, leva-nos a reflectir sobre algumas questões relacionadas com a comunicação social, nomeadamente a verdade da comunicação, as notícias falsas e o silêncio “agendado”.
O tema não é novo, tem sido questionado nos último tempos, e a própria Igreja, em diversas mensagens dos Papas para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, tem manifestado o seu alerta e preocupação. A mensagem já publicada, do Papa Francisco para o dia das comunicações sociais de 2018, aborda a mesma temática, fundamentada nas chamadas “fake news”, as falsas notícias, construídas em ordem a criar nos jornais o tempo da “pós-verdade”.


A vida do Além

Mais cedo ou mais tarde, acaba-se a viagem, cumpre-se a peregrinação. Não há alternativa para ninguém. E a pessoa pergunta normalmente: se chega ao santuário, quem vai encontrar, como e com quem poderá contar?
Em boa verdade, a última viagem ou a última etapa da existência humana dá acesso a outra realidade, não por continuidade do caminho, mas por mudança de condição exis­tencial: esse Mundo Outro, donde não nos chegam notícias, imagens, reportagens nem qualquer comunicação sensível.
Neste Novembro não sei onde fica o cais de par­ti­­da ou de chegada… e to­dos temos muitas perguntas acerca do dia e da hora da partida para o Além. Tantas questões que acabam por sufocar a única e principal pergunta sobre a nossa existência.


EDITORIAL

Politicamente comprometidos

Brevemente seremos convocados para votar. Esse ato livre, exige de nós preparação, reflexão, o desenvolver da capacidade de análise crítica e sobretudo da independência que garante a decisão justa e responsável.
Comprometermo-nos, sem mais, com um candidato que nos é proposto por um partido político, sem procurar saber os princípios e os valores que defende, é assinar um cheque em branco que pode custar caro a si próprio e à sociedade.


O santo, pretexto para a festa 

Em tempo de Verão as festas religiosas aí estão como atração principal e motivo de encontro festivo de famílias ou pessoas que regressam para rever as suas raízes e olhar-se ao espelho da sua própria história.
Com os dias maiores, embora já em decrescimento, é o tempo favorável a cortejos, quermesses, romarias, filarmónicas e conjuntos musicais com todo o colorido humano que preenche um tempo de lazer.
Apesar de todas as críticas que lhes possamos fazer, o valor antropológico das festas religiosas mantém-se intacto. O convívio, o encontro, a partilha dos valores humanos e cristãos, que a festa proporciona, são realidades que não podem ser desprezadas. A piedade popular, manifestada nas festas e romarias minhotas, é uma riqueza cultural, alavanca na vida comunitária, e inesgotável fonte da nova evangelização. As festas religiosas marcam o ritmo das celebrações festivas das comunidades paroquiais e são na palavra do Papa Francisco, “um tesouro da Igreja”.
Mas por vezes, o santo ou a santa padroeira, apesar do grande respeito e veneração, não passam dum pretexto para a festa. Frequentemente a religiosidade popular é explorada por um sentimentalismo fácil e lucrativo de que o santo é um mero objecto.
Há 25 anos, pela voz autorizada de António Rego, JV escrevia que “a religiosidade popular é uma riqueza humana e cristã. Mas não pode ser girândola de fogo ou folclorismo ensaiado à sombra da Igreja”, porque está em causa a dignidade da religião e do povo cristão.


Exames! Meios ou fins?

Embora ocorram exames em qualquer época do ano, é no final do ano letivo que o tema ocupa mais a nossa atenção.
Os estudantes são examinados, as famílias esperam com ansiedade os resultados e os professores examinam (avaliam) a forma como decorreu o processo ensino/aprendizagem.
O exame não pode ser encarado como tortura, mas como meio de crescimento intelectual, espiritual, ou duma forma mais apropriada: humana. O que procuramos na vida? Seja qual for o nosso ideal, a meta é sempre a mesma: a felicidade!
O percurso é um caminho de aquisição de conhecimentos rumo à maturidade. Os saberes adquiridos, dão confiança, vão criando a possibilidade de nos conhecermos, nas capacidades e nos limites, ajudam a sonhar sempre, e habituam-nos a corrigir sem cessar.


Silêncio e oração

O primeiro gesto do Papa Francisco em Fátima foi um longo tempo de silêncio diante da imagem da Virgem na Capelinha das Aparições, antes de lhe oferecer a rosa de ouro, antiquíssima homenagem três vezes repetida pelos seus antecessores.
O silêncio que se fez em todo o recinto Santuário, ocupado por cerca de meio milhão de pessoas, foi apenas interrompido pelo chilrear dos passarinhos. Fechados os olhos, dir-se-ia que não estava ali mais ninguém. Sentiu-se o silêncio orante de Fátima, rezado por uma multidão imensa, na presença de um peregrino especial, como se de um novo milagre se tratasse. Naqueles oito minutos de silêncio o Papa Francisco transmitiu uma experiência profunda de fé e oração, no envolvimento duma multidão incontável. Depois, o gesto de tocar e olhar uma imagem que apenas nos olha e escuta, sem palavras, que a fé do peregrino não carece de grandes explicações doutrinais.


Hora do centenário

“Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora “vinda do Céu’”.
No dia 13 de Maio de 2010, na homilia da Missa no Santuário de Fátima, ouviu-se esta afirmação. Fê-la o Papa Bento XVI, apontando a hora do centenário, que se celebra no dia 13 de Maio de 2017, ao meio-dia. Desde essa outra hora, há sete anos, um abrangente itinerário pastoral e cultural coordenado e dinamizado pelo Santuário de Fátima preparou a celebração dos 100 anos das Aparições. Na Cova da Iria ou noutros centros de culto e de cultura, foi possível criar novas proximidades à Mensagem de Fátima, lê-la a partir dos tempos atuais e traduzir, em formatos e linguagens diferentes, os apelos deixados aos três pastorinhos. E com um balanço francamente positivo, pela possibilidade que ofereceu a criadores de cultura de se aproximarem das interpelações acolhidas por crianças e propostas a um mundo carente de paz, traduzidas depois em obras de arte, interpretadas por académicos e sobretudo vividas em muitos percursos de vida.


Fantasmas e confusões de Abril

Miguel Carvalho, jornalista de investigação, no seu recente livro “Quando Portugal ardeu - Histórias e segredos no pós-25 de Abril, faz um trabalho notável sobre esse período, questionando “memórias consensuais” sobre o que foram esses anos de violência política, as suas vítimas e os seus mandantes operacionais. A obra retrata personagens, recupera relatos e revela segredos dum período de inusitada violência política, “entretanto apagada da memória histórica ou das “memórias consensuais” do regime saído do 25 de Abril de 1974".
O Verão Quente de 1975, quando Portugal ardeu e esteve à beira duma guerra civil; o 25 de Novembro de 1975; a intentona do 11 de Março; a anunciada Matança da Páscoa” até à origem dos “cravos de Abril” ou seja da “verdadeira razão que levou os “capitais de Abril” a fazer uma “revolução”, são algumas das muitas questões, sobre as quais, passados 43 anos, ainda pairam muitos fantasmas e algumas confusões.
Sobre a génese da “revolução do cravos”, foi preciso esperar 40 anos para saber, escrever, ler e ouvir “capitais de Abril”, em Vieira do Minho, que se tratou de uma revolução corporativa e não política, como sempre foi proclamada (JV.01/4/2014, pg.16).