Editorial

EDITORIAL

Politicamente comprometidos

Brevemente seremos convocados para votar. Esse ato livre, exige de nós preparação, reflexão, o desenvolver da capacidade de análise crítica e sobretudo da independência que garante a decisão justa e responsável.
Comprometermo-nos, sem mais, com um candidato que nos é proposto por um partido político, sem procurar saber os princípios e os valores que defende, é assinar um cheque em branco que pode custar caro a si próprio e à sociedade.


O santo, pretexto para a festa 

Em tempo de Verão as festas religiosas aí estão como atração principal e motivo de encontro festivo de famílias ou pessoas que regressam para rever as suas raízes e olhar-se ao espelho da sua própria história.
Com os dias maiores, embora já em decrescimento, é o tempo favorável a cortejos, quermesses, romarias, filarmónicas e conjuntos musicais com todo o colorido humano que preenche um tempo de lazer.
Apesar de todas as críticas que lhes possamos fazer, o valor antropológico das festas religiosas mantém-se intacto. O convívio, o encontro, a partilha dos valores humanos e cristãos, que a festa proporciona, são realidades que não podem ser desprezadas. A piedade popular, manifestada nas festas e romarias minhotas, é uma riqueza cultural, alavanca na vida comunitária, e inesgotável fonte da nova evangelização. As festas religiosas marcam o ritmo das celebrações festivas das comunidades paroquiais e são na palavra do Papa Francisco, “um tesouro da Igreja”.
Mas por vezes, o santo ou a santa padroeira, apesar do grande respeito e veneração, não passam dum pretexto para a festa. Frequentemente a religiosidade popular é explorada por um sentimentalismo fácil e lucrativo de que o santo é um mero objecto.
Há 25 anos, pela voz autorizada de António Rego, JV escrevia que “a religiosidade popular é uma riqueza humana e cristã. Mas não pode ser girândola de fogo ou folclorismo ensaiado à sombra da Igreja”, porque está em causa a dignidade da religião e do povo cristão.


Exames! Meios ou fins?

Embora ocorram exames em qualquer época do ano, é no final do ano letivo que o tema ocupa mais a nossa atenção.
Os estudantes são examinados, as famílias esperam com ansiedade os resultados e os professores examinam (avaliam) a forma como decorreu o processo ensino/aprendizagem.
O exame não pode ser encarado como tortura, mas como meio de crescimento intelectual, espiritual, ou duma forma mais apropriada: humana. O que procuramos na vida? Seja qual for o nosso ideal, a meta é sempre a mesma: a felicidade!
O percurso é um caminho de aquisição de conhecimentos rumo à maturidade. Os saberes adquiridos, dão confiança, vão criando a possibilidade de nos conhecermos, nas capacidades e nos limites, ajudam a sonhar sempre, e habituam-nos a corrigir sem cessar.


Silêncio e oração

O primeiro gesto do Papa Francisco em Fátima foi um longo tempo de silêncio diante da imagem da Virgem na Capelinha das Aparições, antes de lhe oferecer a rosa de ouro, antiquíssima homenagem três vezes repetida pelos seus antecessores.
O silêncio que se fez em todo o recinto Santuário, ocupado por cerca de meio milhão de pessoas, foi apenas interrompido pelo chilrear dos passarinhos. Fechados os olhos, dir-se-ia que não estava ali mais ninguém. Sentiu-se o silêncio orante de Fátima, rezado por uma multidão imensa, na presença de um peregrino especial, como se de um novo milagre se tratasse. Naqueles oito minutos de silêncio o Papa Francisco transmitiu uma experiência profunda de fé e oração, no envolvimento duma multidão incontável. Depois, o gesto de tocar e olhar uma imagem que apenas nos olha e escuta, sem palavras, que a fé do peregrino não carece de grandes explicações doutrinais.


Hora do centenário

“Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora “vinda do Céu’”.
No dia 13 de Maio de 2010, na homilia da Missa no Santuário de Fátima, ouviu-se esta afirmação. Fê-la o Papa Bento XVI, apontando a hora do centenário, que se celebra no dia 13 de Maio de 2017, ao meio-dia. Desde essa outra hora, há sete anos, um abrangente itinerário pastoral e cultural coordenado e dinamizado pelo Santuário de Fátima preparou a celebração dos 100 anos das Aparições. Na Cova da Iria ou noutros centros de culto e de cultura, foi possível criar novas proximidades à Mensagem de Fátima, lê-la a partir dos tempos atuais e traduzir, em formatos e linguagens diferentes, os apelos deixados aos três pastorinhos. E com um balanço francamente positivo, pela possibilidade que ofereceu a criadores de cultura de se aproximarem das interpelações acolhidas por crianças e propostas a um mundo carente de paz, traduzidas depois em obras de arte, interpretadas por académicos e sobretudo vividas em muitos percursos de vida.


Fantasmas e confusões de Abril

Miguel Carvalho, jornalista de investigação, no seu recente livro “Quando Portugal ardeu - Histórias e segredos no pós-25 de Abril, faz um trabalho notável sobre esse período, questionando “memórias consensuais” sobre o que foram esses anos de violência política, as suas vítimas e os seus mandantes operacionais. A obra retrata personagens, recupera relatos e revela segredos dum período de inusitada violência política, “entretanto apagada da memória histórica ou das “memórias consensuais” do regime saído do 25 de Abril de 1974".
O Verão Quente de 1975, quando Portugal ardeu e esteve à beira duma guerra civil; o 25 de Novembro de 1975; a intentona do 11 de Março; a anunciada Matança da Páscoa” até à origem dos “cravos de Abril” ou seja da “verdadeira razão que levou os “capitais de Abril” a fazer uma “revolução”, são algumas das muitas questões, sobre as quais, passados 43 anos, ainda pairam muitos fantasmas e algumas confusões.
Sobre a génese da “revolução do cravos”, foi preciso esperar 40 anos para saber, escrever, ler e ouvir “capitais de Abril”, em Vieira do Minho, que se tratou de uma revolução corporativa e não política, como sempre foi proclamada (JV.01/4/2014, pg.16).


A CEIA PASCAL

Em Quinta-feira Santa, a Igreja una e santa celebra a memória da instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e da Caridade, dando início ao mistério dos três dias, o mistério Pascal da Paixão e Ressurreição do seu Senhor.
É a Ceia Pascal, que preenche a memória da pré-história de Israel, passando festiva e definitivamente para um
tempo novo.
Na conclusão do caminho quaresmal, a Igreja prepara-se para celebrar a festa maior das celebrações cristãs: o tríduo pascal, memorial da morte e ressurreição do Senhor Jesus.
Jesus vai celebrar a sua Páscoa com os discípulos. É Ele verdadeiro Cordeiro pascal, imolado na saída do Egipto, como garantia e sinal de libertação. Páscoa é refeição, alimento para a travessia, a caminho do eterno banquete.
Ao longo dos difíceis e incómodos caminhos que levavam a Jerusalém, os pés dos peregrinos feriam-se e sujavam-se por ocasião das festas importantes. Sobretudo os pés dos pobres e estrangeiros que, vindos de lugares mais remotos, caminhavam com enorme sacrifício rumo à grande Cidade Santa, mesmo sabendo que como convertidos não teriam um bom acolhimento. Se encontravam alguma família hospitaleira que os convidava para comer e descansar, o primeiro gesto, o mais misericordioso, era lavar e curar os seus pés feridos. Estas não eram tarefas do dono da casa, mas dever dos escravos. No entanto, era um gesto de enorme caridade humana e espiritual.
Na ceia da festa da Páscoa, enquanto Jesus se reúne com os seus discípulos, ninguém prevê tal gesto e ninguém está disposto a praticar tal tarefa, considerada humanitária mas humilhante para quem a realiza. Excepto Jesus, que como exemplo da sua visão do serviço a faz a cada um deles: “No decorrer da ceia…levantou-se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha que pôs à cintura. Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos”. (Jo. 13,5)


Confissão ou Psicanálise?

Dúvida para uns, certeza para outros, esta questão pode ser colocada todos os dias, mas é na Quaresma que nos parece mais oportuna.
Para quem não perdeu a prática (religiosa) de se confessar uma vez por ano, ou para os que, tendo-a perdido a retomaram, porque sabem que só tem sentido celebrar a Páscoa com a comunhão plena, na Eucaristia, faz todo o sentido a confissão.
Se todos nós, católicos, conhecessemos a importância da confissão no processo de crescimento espiritual orientado para a busca da Verdade como bem supremo, acabariam as confissões quaresmais, porque todo o desvio do bem, provocaria o desejo de conversão. E porque todos somos pecadores, de confissão anual, passaríamos à confissão frequente.
Não passarão todas as pessoas pela necessidade de confiar a outrem o que as oprime, o que as faz sentir inseguras: dúvidas, incertezas, angústias ou desgostos adquiridos nas suas relações com os outros, ou no reconhecimento das suas limitações ou fragilidades pessoais?


Que pensar sobre a Eutanásia?

Chega a ser chocante a indiferença das pessoas sobre o que se passa na Assembleia da República. É levada à discussão um interesse de todos os cidadãos como o direito já reconhecido pela Constituição Portuguesa, no seu artigo 24º, nº 1 ao declarar categoricamente: «a vida humana é inviolável», e a maior parte dos cidadãos, continua à espera duma lei que pode vir a contradizer a própria Lei, sem o cuidado de se manifestar, de chamar a atenção para os valores, que muitos de nós reconhecemos, porque fazem parte da nossa cultura, da nossa tradição humanista, das nossas raízes cristãs.


Conversão

Começa hoje, primeiro dia de Março e Quarta-feira de cinzas, o tempo da longa preparação para a Páscoa, a que chamamos Quaresma. São quarenta dias a preparar os grandes mistérios da fé sintetizados na Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
O Papa Francisco, na sua Mensagem quaresmal pede que tenhamos presentes, este ano, os cristãos perseguidos, para que se sintam apoiados por toda a Igreja, através da oração e ajuda material.
Em muitos países, neste século XXI, há muitos cristãos a quem não é permitido juntarem-se para rezar. Não lhes é permitido ter uma Bíblia no bolso ou em casa, ostentar uma cruz ao peito. Há muitos cristãos nas prisões, apenas por terem sido encontrados com um crucifixo. “Há hoje mais mártires, mais testemunhas na Igreja do que nos primeiros séculos”, afirma o papa Francisco. Há mais cristãos perseguidos e assassinados por causa da sua fé do que nos primeiros tempos da Igreja, quando os imperadores romanos perseguiam e condenavam à morte os cristãos. Mas o silêncio dos media sobre estes mártires cristãos do séc. XXI é a maior vergonha da História Contemporânea.