Opinião

Vamos a contas

A pulverização da esquerda

Analisados os resultados eleitorais, com cuidado e sem pressa mediática, porque ninguém me paga para andar a fazer publicidade enganosa, fica aqui à consideração de quem quiser, a minha interpretação dos ditos resultados.
O grande derrotado destas eleições, foi sem dúvida o PCP, mas a verdade é que à excepção do PS, toda a esquerda sai derrotada. O total de votos entre o PCP, o PEV e o BE é de… 659. 216 votos.
Agora façamos um exercício simples, juntamos todos os votos dos partidos de direita e percebemos que se estivessem juntos, ou separados em dois como acontece na esquerda, o total ultrapassa 1.750.000 votos, muito perto, a menos de 200.000 votos, do total do Partido Socialista, que contabiliza 1.956.703 votos.


Incêndios de outono precisam de interpretação

Já vamos com quase um mês de outono e vemos, novamente, notícias – nalguns casos preocupantes e dramáticas – de incêndios, sobretudo, na região norte e centro do país: milhares de operacionais em combate, meios aéreos e terrestres às centenas, hectares e hectares ardidos, queixas e queixumes… até um autarca foi agredido em direto na televisão… tudo devido às temperaturas elevadamente anormais para a época, à mistura com negligências – ouviram-se acusações de criminoso fogo posto – e de falta de meios… porque já fora duma pretensa declarada etapa não-abrangida pela prevenção e o combate a esta ‘guerra civil’ disseminada por todo o país, desde que haja onde arder e algo para arder… 


Os incêndios são um problema moral

Mais ou menos todos os anos, de Junho a Setembro, a notícia está feita: “incêndio de grandes dimensões lavra e consome....”. A única coisa que muda é a localização.
Somos a vergonha da Europa. Nos outros países, também há incêndios. Mas não com a dramaticidade dos nossos. Por algum motivo, este ano, quase metade da área ardida aconteceu num Portugal que representa menos de 1% da superfície da Europa! E com um contínuo crescendo de vítimas, quase sempre mortais: nada pode justificar esse número «obsceno» de quase setenta, desde o acidente de Pedrógão até aos que os combatiam.
É por isto que os incêndios são um problema moral. Não somente na óptica dos incendiários, que esses, como diz o povo, são uns «desalmados». Se se tratar de cristãos, não deveriam ser readmitidos à vida eclesial sem uma longa penitência pública, tal como acontecia na Igreja primitiva.
São um problema moral pela tal vergonha de que falei: é o nosso bom nome que está em causa. São-no por causa do imenso esforço que se pede a quem os combatem. São-nos a nível das vítimas: quem assume a responsabilidade destas mortes, o sofrimento dos queimados, os custos dos tratamentos, a dor dos familiares? A moral cristã fala em «estruturas de pecado»: não somos nós, individualmente, quem causa este mal, mas ele acontece. E não há pecado sem pecador.


ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS

«Não são necessários partidos de plástico»

O movimento ‘Comunhão e Libertação’ (CL) publicou um manifesto para as eleições autárquicas de 1 de Outubro, apelando a um esforço conjunto, que ultrapassa os que “já estão envolvidos na política”.
“Para responder aos desafios atuais, não são necessários partidos de plástico impostos de cima, mas pessoas profundamente inervadas num povo real e não virtual”, refere o documento enviado à Agência ECCLESIA.
O movimento católico assinala que é preciso empenho em “reconhecer quem são os candidatos” que, além dos lugares comuns e das ideias que os meios de comunicação popularizam, “representam aquilo que verdadeiramente move”.


As Andorinhas de S. Bento

Quem no fim-de-semana de 2 e 3 de Setembro visitou o Santuário de S. Bento para louvar ao Santo, na Cripta, com o seu magnífico e imponente tecto de madeira, prostrando-se perante a estátua, pôde apreciar o brilhante espectáculo: milhares de andorinhas exibiam-se, em frente das grandiosas janelas para o outro lado do vale, em demonstrações artísticas, numa composição quase irreal, voando da direita para a esquerda e ao contrário, de cima para baixo e inversamente, abruptamente em todas as direcções. O olhar humano teria certamente dificuldade em acompanhar este cenário da força natural dum jogo sem gravitação. É quase um milagre a orientação que as andorinhas têm que, a esta velocidade incrível, não choquem umas com as outras e nem se coloquem em perigo mutuamente. Nenhum pássaro possui tantas capacidades artísticas, executando fabulosamente com as suas figuras elegantes e formas aerodinâmicas, um conjunto de vitalidade e alegria de simplesmente ser e viver, característico de um animal. Quem olha intensivamente para este turbilhão de aves, fica tonto e com o sentimento de elevar-se também, seguindo os selvagens passarinhos.
Fora da igreja podem ver-se estas aves em quantidades de milhares apoiadas nas paredes do grande Santuário. Algumas partem, outras aterram, velozmente vão e vêm. Vida pura a gorjear indefinidamente, uma tolerância significativa da natureza.


(RE) Começar

Outubro traz-nos o convite a recomeçar. Acabou um Ano Pastoral, começa outro, a convidar-nos a «Despertar Esperança».
Após cinco anos de caminhada na busca dum compromisso sério que nos levasse a conhecer melhor os fundamentos da nossa Fé, a desenvolvê-la e a partilhá-la, somos agora convidados a aprofundar outra das virtudes teologais – a Esperança.
O Pe. Sérgio Torres, secretário da Pastoral, numa entrevista concedida ao Diário do Minho e publicada no Suplemento “Igreja Viva” de 14 de Setembro, revela a intenção deste Plano Pastoral em promover uma necessária renovação pastoral, espiritual e paroquial.


‘Índex’ de género… à portuguesa

Por orientação do ministro-adjunto, que, por seu turno, recebeu recomendações duma tal ‘comissão para a igualdade de género’, uma editora foi forçada a retirar duas publicações dos postos de venda… onde já estavam desde o ano passado.

Deste modo a tal cig quis dizer, pela voz altissonante do governante, que as tais publicações destinadas uma para rapazes e outra para raparigas – com idades entre os 4 e os 6 anos – podiam conter mensagens que seriam promotoras da diferenciação e desvalorização do papel dos masculinos e dos femininos nos espaços públicos e privados, conforme se entenda cada uma das funções, seja nos arquétipos, seja naquilo que a ‘igualdade’ (dita) ‘de género’ pretenda veicular, impor e doutrinar. 


Transexuais e transgénero

O Governo aprovou em 6/4/17 a proposta de lei que estabelece o regime da identidade de género, “nomeadamente no que respeita à previsão do reconhecimento civil das pessoas intersexo, (pessoa que nasce com uma anatomia reprodutiva ou sexual que não se encaixa na definição típica de sexo feminino ou masculino) assim como o quadro legislativo relativo às pessoas transexuais e transgénero, suprimindo as discriminações subsistentes na lei (masculino/feminino)”, lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.


BICADAS DO MEU APARO

Crise, autárquicas e independentes

Quando há sete anos atrás se começou a sentir a crise nacional, a bancarrota iniciada pelos Socratistas do PS, escrevi uma crónica onde denunciava a existência de instituições, associações, observatórios e outros, que não se justificavam, que devoravam dinheiro, que eram tachos a compadrios para centenas de “especialistas nomeados”, a viverem à custa dos portugueses. Algo melhorou nesse sentido, mas um cancro ainda existe: Portugal ainda mantém a maior vergonha nacional, que custa milhões de euros – os 119 Observatórios Nacionais!
Certas opiniões, deveras tresloucadas, defendendo ideias bolorentas de nenhuma monta, afirmam que “os ciganos vivem à custa dos portugueses”. Ora os ciganos, pessoas, criaturas e filhos de Deus como os outros, só sabem e sentem que são preteridos. Bom! E os não ciganos que viveram e continuam a viver à custa do Estado?
Logo no inicio da terceira República – porque agora estamos na quarta, iniciada pela “geringonça” de António Costa – não tivemos e não temos centenas e centenas de indivíduos a viverem, através dos ensebados corredores da política, do dinheiro do Estado, onde tantos já gozam reformas da política?


Elogiar o adversário

No nosso concelho a campanha pré-eleitoral já “borbulha” há muitos meses e os vieirenses têm sido bombardeados com inúmeros cartazes e panfletos das principais candidaturas à vitória eleitoral.
Ao observar estas primeiras manifestações de propaganda notei uma diferença clara. Enquanto o candidato da Coligação “Por Vieira” (PSD/CDS) se apresenta com o seu rosto aos vieirenses, o candidato do PS optou pela não utilização de qualquer imagem, contrariando assim o que, por norma, estamos habituados a assistir nas campanhas eleitorais a nível local. Evidentemente que o “candidato sem rosto” do PS foi fruto pleno de marketing político realizado por quem “sabe da poda”. No entanto, em eleições de proximidade como são as autárquicas em que o eleitor comum procura, mais que um programa, a imagem de um candidato com a qual se identifique, esta estratégia eleitoral inicial parece, na minha modesta opinião, bastante infeliz.