Opinião

DE TODO O TEMPO

Absolutismo obstinado

Temos exemplos históricos de políticos cujo empenho foi extraordinário para chegar ao objectivo do absolutismo ditatorial, pessoal ou partidário. E fizeram esse caminho a partir de sistemas democráticos que lhes permitiram, graças ao seu engenho político, cometer tais façanhas. Contudo, eles disponibilizaram-se a realizar as mais árduas tarefas que a sua obstinação implicava, sem olhar aos malefícios consequentes para os seus países e para a sociedade em geral.


BICADAS DO MEU APARO

Afilhados, pais e padrinhos

Já se passaram muitos anos em que o uso de carpideiras por todo o país era uma prestação de serviços vulgar. Os pobres choravam sempre os seus mortos, havia por vezes berros, acompanhados de palavras que recordavam os feitos e as virtudes de quem partia e, eram assim “descritas” as últimas horas, entre os vivos, dos falecidos. Os mais abastados, os mais introvertidos pela perda de familiares, chamavam as carpideiras – a quem pagavam – para fazerem o pranto da perda, até que a pessoa descesse à tumba.
Como se sabe, se vê e se ouve, neste século XXI temos também as carpideiras, não de mortes reais, mas de mortos políticos, onde, sempre que lhes é possível exercem o carpir, pela frente ou pelas costas dos emprateleirados, porque, são afilhados.


Um país entre a tragédia humana e a comédia política

Não podia voltar a repetir-se, mas repetiu-se. Reapareceu – a legionela - e continua a ceifar vidas, agora em locais – hospitais públicos – onde, ironicamente, se devem tratar ou curar, e não apanhar, as doenças. Repetiram-se, em outubro, os incêndios infernais de junho e, ambos, varreram o país e deixaram um lastro de destruição e morte. Estas tragédias trouxeram à tona um país desamparado, isolado e ao–Deus dará, década a fio vitimizado e abandonado à sua sorte pelos governos e pelas entidades públicas. Afinal o Estado falhou na mais básica das suas tarefas: proteger a vida dos seus cidadãos. Aliás, depois das imagens do drama, da tragédia, do horror – ainda se lembram? - ficamos com a terrível sensação que estamos entregues à bicharada. Basta lembrar o amadorismo do Governo na gestão política dos acontecimentos trágicos. O desacerto e o caos revelados são alarmantes e constituem, certamente, um caso de estudo e um sério contributo para os anais da ciência política. A maior desilusão foi o 1º ministro, recorrentemente apelidado de hábil pelos correligionários mas que se tem revelado um péssimo gestor de crises.


À coragem do Padre Benjamim!

Jean Mercier, no fim de escrever o livro: «Senhor Bispo, o Pároco fugiu», podia acrescentar: qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. No meio em que vivo é uma coincidência muito fiel à realidade.
Deixei-me de tal forma enamorar pela personalidade do Padre Benjamim, que desejei que muitos párocos tivessem como ele, coragem de fugir.


INFERNO

Na tarde do domingo 15 outubro que cheirava a fumo - ainda mais intenso do que nos dias anteriores - o céu estava todo coberto por um nevoeiro ruivo ameaçador onde um sol vermelho ardia, que não era o arrebol do poente mas refletia as chamas dos incêndios! Mesmo no norte da Europa era visível!
Parecia-me o Dia do Juizo final.
No Jornal de Vieira de (1/11/17) li um artigo de P. Gonçalo Portocarrero de Almada (PGP de A), intitulado O Inferno passou por aqui, em que ele deu a sua opinião sobre os incêndios. Fiquei indignada pela tendência polémica do artigo.


BICADAS DO MEU APARO

O ben-u-ron dos portugueses

Mal nascido este Governo e o seu primeiro-ministro; eufemisticamente publicitada a acção política deste Governo; estatísticas fabricadas, dos feitos obtidos por este Governo; incompetências, facilitismos e pouca qualidade nos conhecimentos do que é o sentido de Estado; desgraças nacionais deixadas ao sabor dos ventos com mortes desnecessárias, em prol de interesses organizados; sindicatos e activistas políticos “comprados”, para se auto silenciarem a favor deste Governo mal nascido, repito, isto e muito mais, é a situação política e actores, que o presidente da República tem tido, tem vigiado e, sem quaisquer sombra de dúvidas tem apoiado em nome dos portugueses e em nome da honra nacional. Marcelo Rebelo de Sousa, um dos melhores presidentes da República de Portugal – até hoje, pelo menos! – tem sido remédio, o real ben-u-ron que o país diariamente necessita.
Os portugueses não têm saúde social, económica e laboral. Não se vislumbra futuro, não se pode projectar ou sonhar o futuro: tudo se apresenta com embaraços e medos, actua-se com cautelas e caldos de galinha e, tantos, perderam a alegria de viver e a esperança de um Portugal melhor!



DE TODO O TEMPO

O eleitoralismo e as reformas

Há muitas décadas que o nosso País anda a ser orientado no sentido de os partidos ou o partido no poder administrar a sua acção governativa de forma eleitoralista; salvo raras excepções tem sido assim. O interesse do Estado, no sentido de assegurar um futuro de progresso e estabilidade para o País não é minimamente equacionado por nenhum governo, de direita, de esquerda ou do centro.
Mais claramente do que nunca se vê, que ninguém se tem preocupado com a desertificação do País e, agora, as consequências: esta tragédia dos incêndios, já tem uma dimensão tal, que não mais é possível mascarar a incúria com que se trata o verdadeiro interesse do País. A desertificação do País assente em incentivos dados aos rurais para abandonarem o cultivo das terras, levou-os para a migração e emigração. Isso foi e é desastroso para qualquer país. Os partidos políticos sabem que é preciso agradar aos milhões de eleitores dos aglomerados populacionais das grandes cidades e, tudo fazem para ganhar aí os seus votos. Os poucos rurais já não têm peso eleitoral. Por isso os programas de governo, desde há muito tempo, que não contemplam medidas e incentivos às populações rurais. O OE 2018 contempla alguma coisa nesse sentido?...


EUTANÁSIA

Eu sei, eu vi, eu estive lá

Não quero médicos que pensem que a minha vida já não vale a pena e se ofereçam para me matar, em vez de me encherem de confiança, esperança e cuidados. Arrepia-me a ideia do negócio à volta da morte. (…)
Eutanasiar a pedido do próprio já é uma realidade dura e difícil – e todos compreendemos que haja quem peça a eutanásia, pois há sofrimentos indizíveis, mas uma coisa é pedir para morrer, e outra é servir a morte em vez de tentar encontrar estratégias para minimizar o sofrimento físico, moral e emocional, ajudando quem pede a eutanásia a valorizar a sua vida. (…)
“Poucos países no mundo aprovaram a eutanásia ou o Suicídio Assistido. Dos cerca de 200 que existem, apenas 5 votaram a favor: a Holanda, a Bélgica, o Luxemburgo, a Suíça e o Canadá. Nos Estados Unidos apenas 4 estados (dos 50) aceitam a eutanásia. Em Inglaterra e França a eutanásia foi liminarmente rejeitada”. O enunciado dá que pensar.


Direito ao silêncio

Já deu conta que o dito “progresso” está a limitar-nos cada vez mais o direito de usufruir o benefício do silêncio?
Nas grandes cidades e vilas mais populosas, ele desaparece mal nasce o sol. Talvez por isso foram desaparecendo os ardinas, e os jornais ficam nas prateleiras de quiosques à espera dos leitores que aí os vão procurando. Muitos mais pregões desapareceram porque o ruído foi crescendo.
Mas nós precisamos de silêncio, em tantos momentos, vividos já em rotinas, para não nos afundarmos no stress implacável.
Este parar, procurar saber o “porquê” e o “para quê”, é fundamental para nos conhecermos e decidirmos o que queremos ser na vida.