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No centenário do nascimento de Sophia Andresen

          
No centenário do nascimento de Sophia Andresen

No dia 6 de Novembro assinalaram-se os 100 anos do nas­cimento de So­phia, uma data que está a ser marcada por várias ini­cia­tivas, quer da Academia, como da socieda­de civil.
A desenvolver um trabalho desde 2006, dois anos após a morte da poeta, a Cátedra Poesia e Transcen­dência, ins­­tituída na Universidade Católica Portuguesa, no centro regional do Porto, procura “o diálogo que a teologia vai estabelecendo com a literatura a partir da obra e da vi­­­da de Sophia”.


José Manuel dos Santos, da Comissão organizadora do centenário do nascimento de Sophia de Mello Brey­ner Andresen, diz que a pessoa que fazia política é a mesma que escrevia poe­sia não havendo “duas So­phias” mas uma “profunda unidade”.
“Não há uma outra So­phia a fazer política: a mesma que escreve versos é a que ergue a sua voz para de­­fender os grandes ideais e para defender o que para ela era a grande urgência do di­zer, do denunciar e do pro­­­­por”, explica o escritor à Agência ECCLESIA.
O investigador e presidente do Conselho Científico da Cá­­­tedra Poesia e Transcendência Sophia de Mello afirma que a poesia de Sophia “dignifica a vida de cada um”.
“A sua poesia foi um lugar de convergência para um con­­junto de valores mas, na realidade, é mais aberta do que isso e não podemos dizer que é uma autora puramen­te de intervenção; é também, mas apresenta um imaginá­rio para além dessa dimensão de intervenção social, polí­tica e cívica”, José Rui Teixeira que prefere sublinhar a in­terrogação sobre Deus.
“Agrada-me muito a poesia de Sophia na ótica de ques­tio­­­­­nar Deus e, a transcendência a que a sua poesia se abre está também no âmbito do essencial e nesse sentido, é uma poesia profundamente interrogativa e, até, es­­sen­­cial para compreender a Teotopia, de lugar de Deus, que a literatura aprofunda”, explica.
José Manuel dos Santos dá conta de uma “viragem” pro­­tagonizada por Sophia: “Ela viveu num tempo em que se entendia que a literatura devia estar ao serviço da revo­lu­­ção e da política e ela faz a inversão disto. E diz que a sua intervenção política se faz em nome da poesia”.
2019-11-13


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