Editorial

Mistério pascal

Na páscoa do Seu Filho unigénito Deus revela-se ple­na­mente na Sua força vitoriosa sobre as forças da morte e na força do seu amor trinitário. Esta é a grande verda­de do Mistério Pascal da Morte e Ressurreição de Jesus Cris­to, núcleo essencial da fé cristã que o Tríduo Pascal nos convida a aprofundar.
A vitória sobre a morte vem “d’Aquele a quem foi dado to­do o poder no Céu e na Terra” (Mat.28,18). Uma verda­de (dogma) da fé cristã que constitui “escândalo para o es­­pírito moderno”, que não concede a Deus “poder de agir sobre a matéria”.
Comentando dois factos da história de Jesus nos quais o agir de Deus intervém directamente no mundo material: o Nascimento da Virgem e a Ressurreição do Sepulcro, donde Jesus saiu e não sofreu corrupção, Bento XVI, citando Karl Barth, diz que estes dois pontos são um “escândalo para espírito moderno” que não reconhece a Deus poder para agir sobre a matéria.
“A Deus é concedido agir sobre as ideias e os pensa­men­tos na esfera espiritual, mas não sobre a matéria! Isto perturba; não é ali o seu lugar. Mas é precisamente dis­so que se trata: de que Deus é Deus, e não se move ape­nas no mundo das ideias”.


Desapego

Gandhi, um não cristão, escreveu: “Podem desaparecer todos os livros da face da terra; só as Bem-Aven­tu­ranças ou o Evangelho Breve contém tudo o que faz falta na vida”
Neste Tempo da Quaresma somos interpelados ao desapego pela Mensagem do Sermão da Montanha onde se repete: ”Felizes, os puros de coração, felizes os misericordiosos, felizes os que têm fome e sede de justiça, felizes … os que por minha causa vos insultarem e perseguirem …pois será grande no Céu a vossa “recompensa” Mt.5,1-11
Onde mora então a felicidade? Aonde a vamos procurar se não no reino da mansidão e da paz, do real que parece absurdo por ser tão real e que paradoxalmente poderá parecer uma procura no reino da utopia - esta é por definição, o sítio “onde o que lá se imagina não pode acontecer por ser mero ideal”.


S. José patrono da Igreja

É muito difícil falar de S. José, esposo de Maria! Como os Evangelhos pouco nos relatam a seu respeito: apenas o necessário para compreendermos a sua personalidade e a forma como aceitou a sua vocação e cumpriu plenamente a sua missão, temos de nos situar no seu tempo e sobretudo escutar o que nos diz o coração. 
Ao desposar Maria seria um pouco mais velho, em plena juventude e não como muitos pintores e escultores o representaram, de avançada idade. Não devemos ofender o bom gosto da bela e jovem Maria. Pessoalmente, creio que o Espírito Santo, providenciou que a Vir­gem encontrasse junto de si e do Menino um homem perfeito, possuidor da beleza que não destoasse naquela Família onde Jesus cresceria em estatura e graça. 


Este é o desafio quaresmal

Perdi o botão do comando e deixei tudo por conta de Deus!
Deus ajuda mas temos de fazer a nossa parte.
Enquanto vivermos sus­pen­sos nas nossas seguranças, es­quecendo-nos que isto é uma passagem breve, entre­te­mo-nos presos a inutilidades como o poder, o ter, o dinheiro. Claro que dinheiro faz falta a toda a gente não para ser­mos seus escravos mas para dele nos servirmos e pagar­mos as nossas contas e algo mais.
O mundo gira agarrado às televisões, redes sociais, parti­lha de vida o mais vistosa possível; vive-se para o ter: a am­bição, grandeza, vida boa – dizem eles -. No ‘en­tretanto’ fi­cam mesmo as ‘entrelinhas’ que são aquelas marcas da escrita onde uma minoria abre espaços, põe palavras com sentido maior: ser, ética, dever, cultura’– aspectos que consagram a natureza humana como talhada para mais do que a animalidade e a racionalidade - com aspirações à humani­dade (Kant).


Descentralizar “à peça”

As medidas “ad hoc” tomadas pelo Governo, sem diálo­go com as autarquias, para descentralizar (leia-se “des­car­­tar”) certas valências da administração central, res­pon­sabilizando as Câmaras pela sua execução, não foram aceites pela quase totalidade dos municípios portu­gue­ses.
Em 01 de Fevereiro (última data limite de adesão), não che­gavam a 40 as Câmaras que tinham aceite todos os poderes que o Governo decidiu transferir/descar­tar da sua responsabilidade, embora o PS em nota dis­tri­buída à comunicação social, se tenha congratulado com “a ade­são de mais de um centena de municípios”, mas a grande maioria dos 308 municípios ficaram de fo­ra.


Editorial

JV 47 ANOS

A três passos de poder contar meio século de vida, O Jornal de Vieira, que já viveu o bastante para sobreviver à nova crise da comunicação social, que ameaça fechar os últimos sobreviventes da imprensa re­gio­nal, continuará a resistir a todas as pressões, sobretudo do Governo, tendentes a asfixiar a liberdade de informar, por falta de apoios financeiros.
O alerta, dado pelo Presidente da República, em 28 de Novembro, fala duma “situação de emergência” que já cons­­titui um “problema democrático e de regime”, chegando mesmo a sugerir “um acordo de regime” com a intervenção do Estado, com “pequenas medidas”, dando como exemplo “o porte pago” de que salientou o seu impacto (noutros tempos) na imprensa regional e local e que, na sua opinião, “não era uma medida escandalosa”. Entretanto, Marcelo Rebelo, enquanto “vai ver o que pode fazer” aconselha os jornalistas à resistência: “só resistindo se poderá vencer”.


DEUS... PEQUENO E POBRE

O mundo proclama felizes os ricos e senhores deste mundo, e os que podem ter e fazer tudo o que querem. Deus proclama bem-aventurados
os pobres e os humildes! Há algo que não bate certo nestas posições,
pois elas afirmam o oposto. Onde está, então, a felicidade e a verdade?


Só com fome serei capaz de saciar pobres

(Meditação para o Advento)

Sentada no conforto que me oferece um aquecime­nto central, ou uma boa lareira, posso pensar nos pobres e idealizar projetos humanitários, dando resposta a muitas carências dos que procuram ajuda; posso sair baten­do à porta de associações, que a troco de alguma publici­dade, nos oferecem a sua “generosidade”; promover even­tos di­tos solidários, como ceias e caminhadas para con­­­vívio e confraternização, dedicando uma pe­que­na fa­tia do investimento para alguma instituição socio-carita­ti­va…tanta coisa se pode gostosamente idealizar, execu­tar e retirar proveito!
Seguem-se os elogios, aqueles louvores precon­cei­tuo­sos da “boa pessoa”, da aparente bondade du­ma alma ge­­nerosa a quem outrora se tiraria o chapéu, a modo de vas­salagem.


Os Pobres Involuntários

Por proposta do Papa Fran­­­cisco, celebraremos no dia 18 de Novembro o II Dia Mundial dos Pobres.
De que pobres se trata? Da­­queles que não escolheram viver com a carência de bens de primeira necessi­da­de, que se sentem excluí­dos, re­jeitados ou marginali­za­dos.
Para compreendermos a si­­tuação dos que sofrem a po­breza, teríamos de fazer a ex­periência de a viver. Cer­ta­­mente alguns a fizeram dum ou outro modo, total ou par­­cial­mente, imposta por cir­­cuns­tâncias estranhas como guerras ou catástrofes, ou abraçada para possibilitar uma aproximação.
“Não amemos com palavras mas com obras”, reco­men­da-nos o Papa na men­sa­gem para o 2º Dia Mundial da Pobreza. Não precisamos de fazer a experiência material da pobreza. Basta exercitarmos a nossa capacidade de escuta, de reflexão, de observação discreta, silenciosa, das lágrimas es­condidas e vertidas para o interior de corpos doridos. Quantos já nem choram, por não en­xer­garem uma gota de es­pe­rança. Tudo secou!
Pobres de muitos bens, não só de bens materiais, por­­que novas espécies de po­breza nos indiciam outras misérias que comprometem a dignidade e retiram a li­ber­dade.


Eu santo?

“Sede santos porque Eu sou santo” (Lev. 11,45)

Pensando hoje no conceito de santidade, apesar do ele­vado número de santos que têm subido ao altar nos úl­timos anos, a primeira imagem que nos vem à cabeça é a de uma certa aversão à santidade. Eu santo? “Não sou nenhum santinho”, _ dizemos e ouvimos muitas vezes, mesmo entre cristãos, com certo medo, fomentado pela falsa humildade de assumir que o nosso maior dese­jo é sermos santos. Se identificarmos o conceito de santi­dade com o de felicidade, quem não quer ser feliz ou santo?
Mas no nosso imaginário cristão feito das leituras, da ar­te, das imagens que nos passaram na infância, da ca­te­­quese, das homilias que ouvimos ao longo dos anos, a santidade está reservada a alguns bispos, padres, reli­gio­sos ou pessoas que passam muito tempo a rezar…