Editorial

“Dar o melhor de si”

A Santa Sé publicou a um de Junho, duas semanas antes do início do Campeonato do Mundo de Futebol, na Rússia, um documento sobre o desporto que, não apenas os desportistas mas todos os dirigentes, deveriam ler.
“Dar o melhor de si”, é um documento sobre a perspetiva cristã do desporto e da pessoa humana, com a assinatura do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, e duma actualidade flagrante também na sociedade portuguesa.
Corremos um sério risco de identificar o desporto com o fu­tebol, confundindo com ele toda a modalidade desportiva, dada a amplitude comercial do mesmo e do tempo de antena gasto em horas a fio com programas e jogos de futebol, onde se alimentam tensões, discussões e as maiores reacções agressivas.


Escutar os jovens

“Se eles se calarem, gritarão as pedras” (Lc 19,40)

Há 50 anos, Maio/68 em Paris, as manifestações estudantis colocaram a França às portas duma nova “Revolução Francesa”. Durante 55 dias a rua “tomou o poder” em Paris com palavras de ordem como: “a imaginação ao poder”, “é proibido proibir”, “fechem a televisão e abram os olhos”, “a beleza está na rua” ou “façam amor, não façam a guerra”. E o ressurgimento dos jovens, como nova força política alastrou por várias cidades do mundo, até à Primavera de Praga onde a 20 de Agosto os tanques soviéticos puseram fim a sete meses de escalada democrática.
Cinquenta anos depois, face a quantos gostariam de continuar hoje a “manter os jovens “à distância de segurança” para não se sentirem provocados” por eles, a Igreja vai ouvir os jovens numa Assembleia Sinodal que decorrerá em Roma de 3 a 28 de Outubro de 2018.
O “Documento Preparatório” da XV Assembleia Geral Ordinária dos Bispos, que tem por tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, sublinha amplamente a necessidade da Igreja “escutar os jovens”, crentes e não crentes, uma vez que também através deles ela “poderá ouvir a voz do Senhor que ressoa, inclusive, nos dias de hoje”.


As falsas notícias

Na mensagem para o 52º Dia Mundial das Comunicações Socais, o Papa Francisco alerta para o tema das fake news, as notícias falsas, e propõe um jornalismo de paz, ”sem fingimento, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas” que assuma as causas dos que “não têm voz”; um jornalismo que não se limite “a queimar notícias” mas seja “guardião das notícias”, propondo “soluções alternativas à escala do clamor e da violência verbal”.
No preâmbulo da mensagem fica claro o seu grande objectivo: “contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas, que remetem para notícias infundadas, baseadas em factos inexistentes ou distorcidos, para enganar ou manipular o destinatário, usando notícias verdadeiras com fins políticos, económicos, sociais, ideológicos ou mesmo religiosos, que as falsas notícias também podem coexistir com a verdade nos media católicos.


Catolicismo de manutenção

Ao longo da Quaresma temos assistindo, com alguma frequência, ao aparecimento de novos areópagos da comunicação, onde as “conferências quaresmais” foram substituídas pelas “Novas Ágoras” com “novos olhares” e novos Ciclos de Estudos sobre “crenças religiosas mudanças culturais” servidos em novas plataformas de diálogo, com novos paradigmas, novos modelos culturais e novos temas de reflexão.
“É urgente uma transformação cultural. Uma mudança sustentável que parta do diálogo, da diversidade de pensamento”, sustentava D. Jorge Ortiga, na abertura do novo ciclo da Nova Ágora “Olhares sobre a Ecologia”.
A nova evangelização tem hoje novos pregadores, na sua maioria não-crentes e agnósticos, e novos auditórios, e é substituída por novos temas: ecologia, cidadania, economia, filosofia, democracia...


Ressuscitou!
Somos testemunhas

Esta é a notícia do dia de Páscoa, da festa da Nova Criação, a Nova Páscoa: a pedra retirada, o sepulcro vazio, as ligaduras no chão, o sudário dobrado à parte; a fé nascente das primeiras testemunhas a proclamar: Cristo Ressuscitou! Aleluia!
Canta a Igreja em festa. Exultemos e cantemos de Alegria!
A Páscoa é a meta e ponto de partida. Cristo ressuscitado abre-nos as portas da ressurreição e nós somos testemunhas desses factos.
Os acontecimentos pascais que tiveram lugar em Jerusalém por volta dos anos trinta, não são uma história inventada. “É um acontecimento real, histórico, confirmado por muitas e respeitáveis testemunhas” (Bento XVI). Cristo morreu realmente, em Jerusalém, e os seus discípulos, impressionados com a sua morte fugiram ou barricaram-se atrás de portas trancadas. Só o encontro com Cristo ressuscitado devolveu aos apóstolos a Fé e a certeza de que Ele é o Senhor da vida e da morte. A experiência dos novos encontros com Cristo faz dos apóstolos testemunhas da ressurreição. “Vós sois as testemunhas”.


Confessar-se?

Ainda faz sentido? Isso da confissão não está já ultrapassado? O que é que isso muda a minha vida? Porque é que tenho de contar a minha vida a um padre? Será que os padres também se confessam? Não posso confessar-me directamente a Deus? Como é que sei que Deus me perdoa?
Estas e outras perguntas ouvimo-las muitas vezes, na rua e dentro da igreja, mesmo da boca de cristãos.
Num tempo em que ninguém gosta de assumir que errou, é cada vez mais difícil falar de perdão, apesar de “algum retorno” ao acto penitencial.
Na bula “O Rosto da Misericórdia”, o Papa Francisco fala de um retorno ao Sacramento da Reconciliação, por parte de “muitas pessoas e um grande número de jovens” que nesta experiência reencontram o caminho para voltar ao Senhor, viver um momento de intensa oração e redescobrir o sentido da vida” (MV 17).


Muros de Lamentações

O Muro das Lamentações, é certamente o lugar mais importante do judaísmo. Resto do antigo Templo de Jerusalém, junto dele acorrem peregrinos chorando não só a sua perda como infortúnios que vão sofrendo.
Herdamos dos judeus tantas coisas maravilhosas a começar pelo Livros do Antigo Testamento, a cultura, valores como a transmissão da fé, e princípios duma civilização humanista. Foi deste povo escolhido por Deus que nasceu o Salvador, na concretização dum mistério aceite pela fé.
Reparo porém que herdamos o “choradinho” com que acinzentamos os nossos dias. Se lamentaram as cebolas que deixaram no Egito, se deixaram pendurados nos salgueiros das margens os instrumentos musicais com que acompanhavam os seus hinos, tal era a luta interior entre a mágoa e o receio de tudo perder, dá vontade de lhes dizer e de pedir aos seus “herdeiros”: Por favor, aprendam com a experiência vivida!
Para quê acampar junto dos muros que vamos levantando a pretexto dos nossos fracassos e insucessos? Deixemos de nos lamentar evocando melhores dias que passaram. “No meu tempo…” O meu tempo é o hoje, único tempo que tenho para sonhar, criar e construir.


JV: a voz dos sem voz

Em dia de Ano Novo, O Jornal de Vieira recomeça, ciclicamente, uma nova etapa da sua já longa vida de 46 anos a pôr “preto no branco”, para quinzenalmente entrar na casa dos seus estimados leitores.
Incumbidos desta missão, há várias décadas, procuramos, em dia de aniversário e de início de novo ano, fazer breve síntese dos acontecimentos e personagens que foram notícia em 2017. Deles damos conta na última página, em “Jornal de Vieira revisitado”. Uma tradição da melhor imprensa a que procuramos fidelizar, fazendo memória e história.
Igualmente, nas páginas desta edição recordamos e fazemos história da Filarmónica de Vilarchão; do P.e António Lopes, no 14º aniversário do seu falecimento; de José António Araújo, em “cidadão e autarca de referência”; em entrevista ao Nobel da Paz 1996, D. Ximenes Belo; de vários colaboradores e fundadores deste jornal (P.e Mota, Pe. Lima, P.e Mendes Rodrigues e Prof. Fernando Teles, entre outros, na mensagem de Ano Novo do arcipreste e ainda “O poder da memória” de José de Castro.



Advento

Iniciamos em três de Dezembro um novo ano litúrgico ao longo do qual evocamos e actualizamos os principais acontecimentos da História da Salvação. Com o primeiro domingo do advento começa um tempo longo de preparação espiritual para a celebração da solenidade evocativa do nascimento de Jesus, o Natal.
A palavra advento (vinda do latim) quer dizer “para a vinda”. Na tradição cristã esta vinda diz respeito à pessoa de Jesus, Filho de Deus, feito homem no seio de Maria de Nazaré. Para nós, esta vinda já aconteceu e foi precedida dum longo período, mantida viva pelo ministério dos Profetas que anunciavam um Messias Salvador.
Pela História da Salvação, sabemos que Jesus de Nazaré nasceu em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, sendo Imperador de Roma, César Augusto, e foi anunciado pelos Profetas, como o Messias prometido, nas escrituras sagradas, ao povo de Israel.