Opinião

Promovidos à custa do futebol

A UEFA confirmou o que já se falava há dias: de 12 a 23 de agosto, realiza-se, em Lisboa a ‘final 8’ da liga dos campeões da Europa em futebol.

Dizem que para a escolha concorreram três fatores: a FPF (federação portuguesa de futebol) é uma das que tem maior peso/influência ao nível europeu; Portugal pas­­­sa a mensagem para o ex­te­rior de que é um país seguro; grande impacto económico na região de Lisboa.

O anúncio do facto mais pa­­­receu um episódio terceiro-mundista com as mais altas figuras da Nação perfiladas à distância sanitária e dan­do-lhe honras de diretos nas televisões, onde algum re­gozijo mais parecia entre­te­nimento de crianças em ma­­ré de faz-de-conta. A ver pe­­la fachada com que trataram a matéria será de prever que algo foi jogado nos basti­do­­res para que os interve­ni­entes não quisessem colher os louros já por antecipação.
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Um festival de incertezas

Prestes a fazer cem anos, mas com uma lucidez e uma abertura de espírito impressionantes, Edgar Morin, um dos grandes filósofos e sociólogos contemporâneos, afirmou recentemente, numa entrevista ao Le Monde, que a presente epidemia Covid-19 trouxe-nos “um festival de incertezas”.
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O primeiro amor

O primeiro amor de uma rapariga é o seu pai.
É ele o primeiro homem que se encanta com ela. É ele quem primeiro a trata co­mo a uma princesa, quem lhe faz todas as vontades e lhe adivinha todos os desejos.
O pai é o primeiro homem que ela observa, quan­do ainda nem sabe que está a observar. O primeiro a quem dá a mão e a quem fa­la de segredos e de sonhos. O primeiro a quem deseja agradar.
Espera que ele chegue a ca­sa, corre para ele, quer sair com ele.
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Comunidade eclesial – do imaginário ao real

Ouvimos muitas vezes falar em Comunidades. Ultima­men­te, quando a pandemia dis­persou pessoas, os crentes, deixaram de poder reunir-se em lugares de culto. No meu ca­so, como católica, acolhi o desafio de procurar reavivar a pequena–“Igre­ja doméstica”, procu­ran­do adorar em “es­pírito e ver­dade”, como nos pediu e pede, Jesus.
Aliviado um pouco o con­fi­namento, pudemos voltar aos lu­gares de culto, obedecendo a determinadas regras. Uma fé vivida individual­men­te, é in­completa. Como filhos de Deus somos família, e como tal devemos viver.
Poderemos sentir-nos mem­­bros duma Comunidade , só pelo facto de permanecermos determinado tempo, dentro dum templo (igreja pa­roquial, capela, santuário ou basílica)?
Realmente isso não faz uma comunidade. Eu posso en­­­trar numa sinagoga ou mes­­quita, num templo budista. Posso lá encontrar amigos, mas não faço parte dessa comunidade.
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Sementeiras de virtudes para a cultura da paz

Um recente crime de abuso de poder ocorrido nos Estados Unidos da América, que merece total repulsa de consciências bem formadas, gerou depressa ondas de solidariedade e de violência racista. Quando isto acontece, aparecem oportu­nistas servindo-se da indignação do povo para culpabilizar ad­versários políticos. É o aproveitamento da dor alheia, para au­mentar o número de simpatizantes e prováveis eleitores.
Como podemos evitar que os protestos justos se transformem em manifestações populares incontroladas? Quando o ruí­do é grande o diálogo é impossível.
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Sorrir em tempo de máscara

Encontro-me numa fila frente a um supermercado, o carrinho de compras ligeiramente nas mãos, bem disciplinado, observando a distância de 2 m conforme a lei 2-A de 20 de março 2020, imperativamente marcado es­te isolamento social estampado no chão em linhas amarelas. A cada 5 até 7 minutos avanço, como verifico no meu fiel relógio chinês, avaliado num valor de 10 euros. Vou multiplicando os 17 compatriotas em frente a mim com 7 minutos, quando poderei en­trar no mercado, para com­prar o que preciso para a minha família, enchendo rigorosamente o carinho até ao topo. Felizmente não chove, nem pensar num martírio de tal excesso! Em total vejo uma fila de cerca de 30 pessoas bem mascaradas, algumas com luvas deselegantes. Sem máscara, é certo, ninguém entra! Lutamos juntos contra esta pandemia silen­cio­sa e cobarde.
A nossa vida quotidiana em tempo de confinamento, o ser­viço militar não pode ser mais regulado. Mas os portugueses têm a calma e a pa­ci­ên­cia no sangue. Faz lembrar os antepassados dos séculos XV e XVI. Para descobrir América, passaram semanas e semanas sem vento para andar em frente.
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BICADAS DO MEU APARO

Divagando pelo desconhecido

O tempo que ora passamos, é tempo para reflexões, é tempo para cada cidadão se interrogar sobre a sua vivência anterior ao ano em curso e tempo para programar as alterações que têm de se executar num futuro muito próximo. Sobretudo, este tempo, é um tempo que exige silêncio, precisamente pa­­ra poder haver introspecção. Ninguém tem dúvidas que toda a humanidade sente medo, vive nele, transporta-o. A pandemia que nos assola, deita-se connosco, sonhamos com ela, acordamos com ela e vivemo-la durante as restantes horas do dia, desviando-nos o mais possível daqueles que se cru­zam no nosso caminho.
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BICADAS DO MEU APARO

Estado de emergência e a Sr.ª Ministra da Saúde

Estamos no fim do mês de Maio e já vão os terríveis meses de Março e de Abril do ano de 2020. Meses que tudo fecharam neste tempo de “estado de emergência”: comércio, industria, estradas, fronteiras, ensino, igrejas, economia, etc. Todavia a Natureza, sempre fiel, le­va­da para plano inferior na sua acção/actualização trimestral, rebentaram nela os botões das árvores, esver­dearam-se as folhas, os ladrões das videiras como sempre renasceram e o rios e os ribeiros engrossaram o caudal. Tudo foi fechado e, o mal de todos os fechos, foi o fecho em casa desta sofredora Humanidade.
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Da igreja doméstica à paroquial

O ano de 2020 tem sido rico em surpresas. Atrevo-me a considera-lo demolidor de estruturas. Exigiu mudança de há­bitos, alteração de lugares de culto… a que adaptações te­re­mos ainda de nos sujeitar?
Mas trouxe mudanças positivas para quem as soube aproveitar.
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Falemos de língua... da nossa Língua!...

A propósito da 1ª Comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa

A Língua não esgota a linguagem...
A linguagem vai muito além da palavra, se a virmos em to­da a sua amplitude.
Podemos até afirmar que a fronteira da nossa linguagem é a fronteira do nosso universo!...
Ela segue de perto a linha da nossa razão e a ressonância das nossas emoções, na relação com o mundo e com os outros, suportada na palavra, no gesto, no olhar, na atitude...
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