Opinião

Uma Igreja em conversão

Eu sei que a palavra “conversão” incomoda. Traz o reco­nhe­cimento de algo errado. E é tão difícil reconhecer erros!
A desorientação geral em que crescemos e vivemos, acu­mu­lou crises que se interligaram, sem nos apercebermos bem, como surgiram e qual o verdadeiro objetivo. As con­se­quên­cias, essas, conhecem-se, pelo mal que causam.
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Sala de espera…

Sala de espera, num Centro de Saúde.
Uma dúzia de rostos so­rum­báticos, o meu incluído, aguardam pela chamada, ansiosos que no altifalante vi­bre o seu nome.
Alguns parecem-me doentes; outros disfarçam as dores que os apoquentam. Há duas crianças, de idade próxima, não mais de três anos. São acompanhadas pelas respectivas mães.
A menina chegou ao colo. O menino vinha às costas da progenitora, preso numa faixa branca, naquele modo tão característico do povo africano, em que as mulheres transportam os filhos ainda pequenos.
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Sob a pandemia do medo

Por estes dias temos estado constantemente a receber notícias da evolução do ‘coronavírus covid-19’, desde os infetados, os afetados e as vítimas…num corrupio tal que corremos o risco de confundir as causas com os efeitos e até as consequências com outros sintomas.
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BICADAS DO MEU APARO

Escrever certo

Escrever certo os acontecimentos errados, é bem, é justo e é para o que servem os cronistas, colunistas ou os escritores da aldeia e da cidade. Mas escrever errado os acontecimentos é mau se, se escreve por excesso, por defeito ou por detur­pa­­ção dos acontecimentos. E como gosto de dizer, “escrever é destapar”, principalmente as coisas erradas, entre outras. Sen­do assim todos os órgãos de informação devem estar ao ser­viço da verdade, ao serviço da comunidade. Jornais, rádios ou televisões, repito, apontam, destapam o que está mal e só os elogiadores-interesseiros ou os profissionais das relações pú­bli­cas é que gabam o que está bem.
Tantas vezes, elogiadores e gente das relações públicas, são nor­malmente “pintores da vida social”, porque recebem, vendem a bajulação e sabem que são bem recebidos e aceites com a hipocrisia vendida, aos que pensam ter o pêlo liso e brilhan­te, na sociedade ou nos locais de trabalho.
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BICADAS DO MEU APARO

A (con)fusão

Aquando da minha tomada de posse no Ministério da Fi­nan­ças, o chefe dos serviços, finda a cerimónia, alertou-me de que no dia seguinte teria de entrar ao serviço de gravata ao pescoço e munido de uma caneta para escrever, porque (ela) seria a minha sachola profissional. Sorri e disse “tudo bem”. Mas uma caneta de tinta permanente naquele tempo, po­dia ter vários preços e era apenas uma caneta. Nesse meu pri­meiro dia de trabalho, fiquei a saber também de que deveria trazer de casa um rolo de papel higiénico. Claro que não me indicaram a qualidade do papel, da gravata e da caneta.
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Saber Calar, para Escutar

Na continuação de reflexão apresentada no último nú­me­ro deste Jornal, reafirmo sermos injustos culpabilizan­do o cle­ro pela preguiça que a nós, leigos, nos instala.
Curiosamente, do silêncio passivo de muitos sacerdotes, somos nós inteiramente culpados. Provo-o: Se fosse um sacerdote a dizer a um grupo coral que o canto não de­ve atrasar o ritmo normal da Eucaristia, obrigando-nos a esperar que terminem para prosseguir a oração eu­ca­rística, ou que o grupo coral só deve servir para dar apoio à participação de to­da a assembleia, o que poderia acon­tecer? No mínimo uma ca­deia de críticas, melindres e amuos, senão deserções infan­tis ou chantagistas.
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Os jovens no PS

Tem sido comum ouvir algumas vozes questionar a juventude no Partido Socialista de Vieira do Minho. O facto leva-me a refletir sobre o tema.
A juventude é definida pela condição de ser jovem. O que é que os jovens têm de inferior aos restantes? Menos credibilidade? Menos competências? A idade é equivalente à inteligência? Ou será que os jovens têm mais ideias novas e diferentes, menos vícios e maior vontade de agir?
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Refletir é um dever de cidadania

Há momentos em que somos confrontados com particulari­dades vivenciais, que face às suas singularidades, nos conduzem para uma reflexão realista do ponto de vista afetivo e mo­ral. A forma como as sociedades procuram se organizar no enquadramento económico e familiar, depende da conjun­tura do tempo em que se encontram integradas, que não é es­tático, mas sujeito a um conjunto de variáveis algumas im­pre­visíveis. Essa imprevisibilidade poderá ser favorável ao seu de­senvolvimento, ou pelo contrário, criar descontinuidades que destabilizam e até arruínam. Porém, quando o aparelho de governação, onde se integram os municípios e as freguesias, estão atentos às mudanças conjunturais, agindo em confor­mi­dade, é mais fácil reconduzir os meios imprescindíveis à esta­bilidade das comunidades.
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A ciência de saber calar

Decidi chamar ciência, à capacidade de saber calar, porque como qualquer aptidão, desenvolve-se por atos livres da vontade.
Quando o silêncio é imposto, podemos ter de ficar calados, mas não o podemos considerar virtude. Digamos que é uma sujeição a uma qualquer ditadura, seja política ou ideo­ló­­gica. Não só não é virtude, como pode até ser uma grande co­bardia. É da virtude que hoje falo.
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Se não regressas, emigrante, vou ter contigo “lá fora”

Os sucessivos programas do regresso dos emigrantes, elaborados pe­lo Governo por pe­ríodos de quatro anos – sendo a última acção de 2019 descrito no Jornal do Minho de 15 de novembro de 2019 - não têm sucesso digno de menção. Com esta experiência sólida o Governo deve per­ce­ber que os seus compa­trio­tas pelo mun­do “fora”, depois de terem avaliado o mo­do de vi­da com especial segurança em qualquer país, qualquer que seja a profissão, não que­rem voltar, senão nas fé­rias ou na reforma. É o cenário verdadeiro. Conforme sondagens oficiais até 2060 Portugal irá perder entre 2 a 3 milhões dos seus cidadãos, na sua esmagadora maioria jovens altamente qualificados. É caso para dizer que quase mais portugueses vi­ve­rão “fora” do que na pátria. Portugal corre – inevi­ta­velmente – o risco de ser uma casa de velhotes. “Regressar” é espiritualmente um lindo título para uma can­­ção do fado alegre.
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