Opinião

Estão em moda

Tatuagens anteriores e interiores

Mas será que quem se deixou tatuar ou se tatuou, nos sabe explicar porque o fez? Seguir uma “moda” nem sempre corresponde a um ato de consciente liberdade.
Aos tatuados por cópia de moda, e aos que estranham estas formas de “adornos corporais” recordo que povos em épocas recuadas, desde a Ásia, África à América, passando por Esquimós, praticavam a tatuagem não só com fins mágicos de proteção contra doenças, como sinal de pertença a um grupo, a um status social determinado, ou simples critério estético.


BICADAS DO MEU APARO

Sem voz, sem representação e quem desconhece?

Segundo um estudo recente da Fundação Aliança de Democracias (Rasmussen Global) e do centro de sondagens ale­mão Dalia Research, Portugal é o terceiro país do mundo onde o povo se sente menos representado e, onde menos sentem a sua voz. Não admira que tal resultado surja, que tal verdade venha à tona da água. Sente-se que desde o inicio desta terceira República, nunca os Governos serviram o interesse público. O que se passa no país com a actuação dos políticos par­tidários, é que todos, ou praticamente todos, procuram o poder custe o que custar, abalroe-se ou cal­que-se quem quer que seja: o fim é engordar as carteiras e ganhar privilégios.


Irritações por causa dos incêndios

Bastaram dois dias de in­cên­dios, em três concelhos da região centro/interior do país, para subirem de tom as tro­­cas de acusações sobre a taxa de responsabilidade – real, presumida ou conveniente – sobre o que já correu mal.

É cíclico este filme: uns dizem que fazem tudo, outros ar­gumentam que se verifica o seu contrário e outros ainda sentem-se agastados com as culpas aduzidas à mis­­tura com a incontornável falta de meios.


Em quem podemos confiar

A confiança institucional é uma condição imprescindível no desenvolvimento equilibrado e seguro das sociedades, através da qual se estabelecem objectivos de vida, caminhos a percorrer, sendo por outro lado uma virtude dos fundamentos da democracia. Só que se encontra completamente desvirtuada e neste contexto é cada vez mais difícil pensar sem duvidar. Neste pressuposto coloca-se as questões recentemente levantadas com a gestão da Caixa geral de Depósitos, na qual, a perda de confiança do pequeno aforrador é neste momento total. As medidas agressivas de que estão a ser alvo não têm explicação uma vez que afe­tam particularmente pessoas que vivem com baixos recursos. Surpreende ainda mais por partir do banco público que deveria, em grande medida, servir o bem comum.


Rostos de charme e beleza eternos

Ela sorri de forma meiga e o seu olhar assemelha-se a uma paixão indeterminada, uma graciosa mistura entre visível melancolia e serenidade filosófica.
Visitámos uma destas aldeias arcaicas de Trás-os-Montes, onde de forma abrupta nos vimos confrontados com um estra­nho sentimento de termos chegado ao horizonte azul do “ver­deideirao fim do mundo“. Viemos de longe parar aqui, passan­do o Parque Nacional de Peneda-Gerês. Descobrimos muitas casas de telhados alaranjados entre a paisagem embrenhada numa vegetação densa e rochosa, facto que confere um cartão-de-visita repleto de autoctonia. Encontrámos mais casas ao entrar na aldeia, situada secre­ta­men­te por detrás de pedras gigantescas. Uma majestosa combinação entre natureza e fantasia humana, onde construir a sua própria casa entre o basalto, e as rochas escuras podem representar um oásis ver­dadeiro. De entre os muitos passos labirinticos dados pelo meio destas rochas, sente-se uma vida diária que é feita de al­tos e baixos, uma montanha russa só em pé. Neste lugar de criação fenomenal não há espaço para carros. Que ambiente saudável e futurista.
Mas onde estão as pessoas desta pitoresca originalidade de pedras? Apenas vimos uma senhora de 80 anos, calculamos nós, vestida a rigor de preto dos pés à cabeça. Estava preplexa na portada da sua casa e confessámo-nos encantados com uma certa elegância da sua figura. Deveria ter no má­ximo 1,55m, conseguimos adivinhar isso, porque as portadas antigas não deveriam ter mais de 1,60m de altura. Este fa­cto aprendemos nós em visita a outras tantas aldeias anti­quíssimas, relíquias autênticas nestas montanhas. Em tempos idos, a altura média de entre esta população não era mais de 1,60m. As portadas baixas evitavam a entrada do ca­­lor de ve­rão e do frio no inverno, os animais em baixo do te­­to comum forneciam aquecimento.



BICADAS DO MEU APARO

Coutos, Hortenses e Constâncios

Vivemos num país onde somos representados por pessoas que, ou não en­ten­dem o povo, ou não se importam com o povo - podem até detestá-lo. Por sua vez o povo, pela força e pelo número de maus acontecimentos que vê e respira, sente-se vítima desses represen­tan­tes e já não sente que o voto cure o país. Daí a au­sên­cia nas urnas, que nestes últimos anos tem vindo a crescer assustadoramente.
Na verdade, os assaltos bancários por “especialistas do saque”, a incompetência de quem governa, as centenas de problemas que teimam em perdurar no tempo e, os Coutos, as Hortenses e os Constâncios deste país, im­peram, fazendo um povo frustrado e desorientado: não há medicamentos capazes que reanimem estes dez milhões de portugueses, a terem pedalada para programar o futuro.


BICADAS DO MEU APARO

Votos e touros

Se um touro tivesse a noção da força que tem e, se tangido fosse para o corredor do matadouro, abalroava tu­do e todos: muito dificilmente seria abatido. Esta afirmação para afirmar que o Povo, se soubesse a força que tem, dificilmente era enganado, vilipendiado. Mas o Povo português, até sabe que tem força: e porque consciente disso e de­vido a tanta vilanagem, prefere umas barriguinhas grelhadas, umas cervejolas e uns caldos verdes, que ir votar na “cam­bada”, que bem remunerada é.
Muito se falou e escreveu sobre as eleições europeias. Num país em que em cada dez eleitores só votaram três, é si­nónimo de descrédito e que os políticos nem actores de ter­ceira - de uma segunda categoria - conseguem ser. Estes cavalheiros – nem políticos lhes chamo – não saem da cepa torta: fazem campanhas eleitorais num modelo com mais de 40 anos de vida, beijocando à esquerda e à direita, não dizen­do nada que ao Povo interesse, percorrendo o país a todo o gás, onde sempre chegam atrasados para nada dizerem. É evi­dente que, só um ou outro poderia dizer algo: ao que vem, que defende e que acção fará para bem do país. Mas a maio­ria dos candidatos, ao quererem mostrar que são estadistas e competentes, nada mais provam que são os chorudos euros que querem e que defendem.


Em busca de responsáveis

Anda muita gente à procura de responsáveis. Quem é responsável pela má gerência de bancos, por irregularidades na requisição de transporte de alunos, pelos incêndios que causaram mortes e prejuízos incalculáveis…?
1 – Recordo um acidente ocorrido em hora de pouco trânsito e presenciado por número restrito de pessoas, o que permitiu uma fácil compreensão do ocorrido.
Um jovem de menor idade no seu motociclo descia “voando” uma via. Pouco significativa a inclinação do piso, favorecia a aceleração. A proximidade de placa triangular e de um veículo que surgiu de entroncamento à direita, fez sentir a insegurança própria da idade e a função de reflexos não foi suficiente para a perícia dum desvio seguro. Calculando mal a ultrapassagem do veículo que seguia à frente não evitou um choque lateral.
Posteriormente tive conhecimento que lhe foi retirada qualquer responsabilidade.


A “teia” e o silêncio do rato

Como foi largamente noticiado pela comunicação social, no âmbito da operação “Teia”, relacionada com ale­gados favorecimentos às empresas de Manuela Couto por parte do município de Barcelos, a troco de favores polí­ticos conseguidos pelo marido da empresária, Joaquim Cou­to, presidente da Câmara de Santo Tirso, o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, em 3 do corrente mês de Junho, decretou a prisão domiciliária, com vigilância electrónica, do presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Miguel Costa Gomes (MCG), proibindo-o, ainda, de contactar com os funcionários do município.
Esta gravosa medida de coação foi justificada pelo TIC por receio de continuação da actividade criminosa e de per­turbação do inquérito.
Diferentemente do co-arguido Joaquim Couto, que renun­ciou à presidência da Câmara e a todos os cargos político-partidários que detinha, possibilitando, assim, que o juiz de instrução o tivesse deixado em liberdade mediante uma caução de 20 mil euros, o autarca barcelense logo fez saber por intermédio do seu advogado e também por declarações do próprio, que era sua intenção continuar no pleno exercício de funções contrariando, desse modo, o efeito prático que o TIC visou quando lhe aplicou a referida medida coactiva.