Opinião

A competência cultural número quatro

A ciência fala da competência cultural número quatro. O que significa esta nova estruturação? Co­mo é sabido, a capacidade de ler, escrever e contar são os três pilares da cultura humana, capacidades que diferencia a aportação humana da aportação animal. Falar não faz parte desta distinção, porque os animais comunicam entre si, e não raras vezes de forma mais razoável, eficaz e sensível do que a comunicação que se estabelece entre os humanos.
A partir do ano 2000 o mun­­­do entrou definitivamente no século digital, uma revolução fulminante. A história conta outras revoluções: a industrial e a da electricida­de. Agora vivemos na era do digital, equitativo na importância, dinamismo e dimensão global para o mundo mo­derno na invenção da roda.
Ler, escrever e contar não foram sempre características co­muns. A estas três aptidões tridimensionais apenas o clero, os nobres e uma elite estatal privilegiada tiveram acesso em séculos passados, aproveitando uma elevada educação e beneficiando de um ensino particular com perceptores privados. Para a esmagadora maioria do povo analfabeto serviu o “escrivão”, para suportar todas os compatriotas nas comunicações “em papel”. No en­­tanto, para toda a vida quo­tidiana a palavra “honra” bastou, uma reminiscência nublosa, um sonho puramente perdido, contrastando com o mundo de mentiras de hoje


Poderei renovar a minha Paróquia?

A leitura dum aviso pa­ra uma reunião de formação, publicada no Boletim Paroquial, motivou-me um exame de consciência nesse sentido.
Como vejo a minha Paróquia? Esta grande Família de famílias cumpre a sua mis­são/vocação de evan­ge­li­zar?
Se pedisse a resposta a esta questão a todos, e a ca­da um dos paroquianos, que mapa de possíveis percursos nos seriam apresentados?
Tenho ouvido e lido muitas vezes que, se queremos melhorar o mundo, temos de começar por nos tornarmos melhores.
A formação que nos será proposta, tem de ser assu­mi­da pessoalmente. O bom pro­fessor, é aquele que aceita transmitir o que sabe de modo tão persuasivo, que permita ao aluno ter gos­­to em aprender. Mas a apren­dizagem é um processo individual que conta com as capacidades cognitivas do aluno, mas sobretudo com a sua vontade.
Na formação de adultos o percurso é o mesmo. Se eu não quero aprender, perde tempo o formador. No nosso caso concreto, o processo é muito simples, porque à partida só marcará presença quem se pretende formar ou aceitar o desafio do Papa Francisco expresso na sua úl­tima Exortação Apostólica.


BICADAS DO MEU APARO

Balelas que não convencem

Há uns anos atrás conheci um jovem, filho de um colega de trabalho. E naturalmente perguntei-lhe: então que fazes?
“Na­da” – respondeu-me – compro tudo feito”. Há muitos tra­­balhadores destes em todo o lado. Nada fazem e compram tudo feito. E se algum dia resolvem fazer algo – por ver­gonha, necessidade ou para matar o tempo – tais pessoas, normalmente, têm pouco para dar à sociedade – não sa­­bem nada!
Não sei porquê, a realidade da existência destes cidadãos, faz-me pensar que Pedro Passos Coelho foi estudante, traba­lha­­dor e político, mas pertencente ao grupo dos que um dia – “re­solveram fazer algo”. Todos os portugueses conhecem o político/desastrado que foi este senhor: derrotou a classe mé­­dia, garroteou as algibeiras de toda a função pública, teve o desplante de colocar na miséria os aposentados do Estado etc. e aumentou selvaticamente o número de pobres, que os bancos alimentares e a Igreja católica ajudaram (e continu­am) a atenuar.


BICADAS DO MEU APARO

O Diabo com estatuto

Giovanni Papini, escritor italiano e reconvertido ao cristianismo, diz que “o Diabo é um anjo que comanda uma legião de anjos. Mas um anjo caído, desfigurado, maldito”.
O povo, se algo corre mal, afirma: “anda o diabo à solta; o Bem e o Mal caminham juntos”. E Cristo nos Evangelhos é peremptório: “ele (o Diabo) foi assassino desde o princípio, e não esteve pela verdade, porque nele não há verdade. Fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”. (João 8, 44).
Assim, o Rebelde, o Tentador, actua no Mundo de Deus. Logo, este ser safado, tem programa de destruição: levar a Humanidade à desobediência a Deus; desamor a Deus; nulo respeito e a prática do mal entre os homens, de todas as formas e em todos os tempos.
Não é verdade que tantas vezes somos surpreendidos por actos – que lhe chamamos diabólicos - praticados por homens de bem e aos quais não encontramos explicação? Quem desconhece incestuosos, violadores, profissionais de assédios sexuais, em tudo que é canto, sobretudo nos estabelecimentos de Ensino? Quem desconhece os horrores feitos pelo comunismo de Lenine e pelo fascismo de Hitler? Quem desconhece a fome de 30 milhões de pessoas no mundo – ainda neste século XXI - em prol do capitalismo selvagem e na defesa de fábricas de armamentos para destruição da Humanidade?


OPERAÇÃO MARQUÊS

Porque é que só há uma Ana Gomes?

A sociedade portuguesa gera rotação no poder quando o dinheiro acaba, como vimos em 2002 ou em 2011. Mas já não gera alternativas, como constatámos em 2015 com o regresso dos colegas de Sócrates.
Tal como todos os políticos, a eurodeputada Ana Gomes chegou a algumas conclusões sobre o caso Sócrates-Salgado. Mas ao contrário de todos os outros políticos, não as guardou para si ou para os seus amigos. Disse-as em voz alta, este fim de semana: “o Partido Socialista prestou-se a ser instrumento de corruptos e de criminosos”, e avisou que quer o congresso do PS a discutir porque foi assim. “Pela regeneração do próprio PS, da política e do próprio país”.


Quando é difícil quebrar o gelo…

Para se defenderem dos inimigos, os povos levantavam muralhas e enchiam de água, fossos profundos à volta dos castelos.
Não sendo necessários tais estratagemas nos nossos dias, hoje, os humanos continuam a levantar outras muralhas, a cavar outros fossos, para evitar que se entre, no mundo duma “intimidade” que querem esconder. Em nome duma “privacidade”, que por vezes é o reflexo de comportamentos que nos envergonham, vamos perdendo a naturalidade dos simples, distanciando-nos do convívio dos outros e, muitas vezes, fechamo-nos cercados pelos nossos medos e egoísmos.
Se isto aconteceu sempre, é mais sentido nos nossos dias em que o progresso tecnológico, favorece o individualismo. Já não há tempo para conversar, desenvolver a capacidade do diálogo. Até sentados â volta da mesma mesa se faz o silêncio que sobra do leve ruído do teclado do telemóvel.


A guerra na Síria

Nos últimos anos temos ouvido falar muito na guerra da Síria. Trata-se duma guerra civil, isto é, entre duas facções da população síria, sendo dum lado a minoria Xiita, com apoio do presidente Assad, e do exército Sírio; e do outro lado, os rebeldes da grande maioria Sunnita, com apoios vários de voluntários de diversas procedências. Nesta guerra feroz e destrutiva, que começou com um incidente banal, quase insignificante, mas que as forças da ordem empolaram, intencionalmente. Um jovem pintou nos muros duma escola da cidade de Daraa, no Sul do país, alguns slogans revolucionários que não agradavam aos políticos do regime do presidente Assad, um regime dictatorial detestado pela grande maioria do povo. O jovem foi preso e torturado na prisão, o que levou às ruas da cidade multidões de descontentes, protestando contra o governo de Assad. As forças da ordem carregaram brutalmente sobre a multidão, deixando na rua mortos e feridos e muitos manifestantes foram presos. Nos dias seguintes mais manifestações foram convocadas noutras cidades do país, e o exército aparecia agora a dar apoio à polícia. Mais mortos e feridos. E assim continuou a crescer, como bola de neve, a oposição entre as forças da ordem e o povo, que agora começou também a ripostar com armas.


Este mundo é a revelação do futuro

O nosso destino é o que descobrimos, arriscamos a vida à procura novas fronteiras, desafiar os nossos limites tem o lado espiritual. A simplicidade e honestidade intelectual libertam o pensamento, ou seja, temos consciência das decisões que tomamos. Saber para onde vamos é tão importante como sabermos que vamos lá chegar. Quando partimos para a terra estrangeira deixamos para traz o que conhecemos e entramos no desconhecido, aprendemos algo sobre nós e sobre o mundo. Há coisas na vida que tanto nos podem levar à loucura como à lucidez. Tudo fica mais próximos se formos mais atentos “é urgente parar para reflectir”. A experiência ajuda-nos compreender o que é mais importante na vida. Não devemos consentir que os nossos instintos tomem conta dos nossos sentimos. A dignidade da pessoa humana está para além da nossa própria compreensão.


Onde está a Liberdade?

Neste mês em que Portugal comemora a “Liberdade”, ocorre-me pedir às pessoas que me deem o significado dessa palavra.
O que é sentir-se livre? Se estamos habituados a refletir, encontramos muita dificuldade em confessar se nos sentimos e como nos sentimos livres.
Mesmo a conversar com um amigo em quem confio, posso ter dificuldade em usar da minha liberdade. A pessoa que honestamente se considera livre, identifica-se com a verdade. Assim, aceita limitar a sua liberdade,
“passando ao lado” de tudo aquilo que pode magoar ou humilhar quem o escuta. Ao aceitar o silêncio, está a ser heroicamente livre, motivado pela caridade.


Tu és Pedro...

BICADAS DO MEU APARO

“A Fé, tantas vezes, caminha por entre tempestades. Habita num mundo inefável de nuvens e sombras, em tensão e buscas permanente. Tem exigências que doem, compromissos que trazem medos e dúvidas que estorvam”.
(In “Opiniões que valem” de A.S.)