Opinião

Cartas ao director

Feedback de leitores

Meu caro Dr. Luís, 
Obrigado pelo teu jornal. Li o artigo A IGREJA E OS LEI­GOS do teu colaborador Artur Soares e dou-lhe os pa­rabéns. Tudo muito bem, até chegar a um beco sem saída: como não há padres, fecham-se as igrejas e o povo religioso cristão fica abandonado. Dizem que a eucaristia é central, mas passa a secundária só porque o modelo se esgotou, não há padres. Como se não fosse possível substituir esse modelo por outro.
Ninguém pensa se não se deve partir para outro modelo a partir das comunidades locais. E tudo porquê?


União entre religião e arte

Sempre que visitamos uma igreja numa cidade, de qualquer religião, para aferir do valor cultural do edifício, a nossa primeira vista vai para o altar e para as suas janelas. Em primeiro lugar eles mostram com um expres­sionismo próprio, a união entre religião e arte. Um altar de possibilidades sem fim para combinar visões religiosas com demonstrações fascinantes de arte. A habilidade e o artesanato formam o prazer estético no interior de uma igreja, e as janelas são pon­tos de mira. Os caleidoscópios de estilos e cores das ja­nelas em variações infinitas impressionam os crentes e os vi­sitantes, criando um estímulo nas suas fantasias religiosas, estéticas ou curativas.
Desde a origem da humanidade, o homem incluiu elementos espirituais na sua vida quotidiana, e com a im­ple­men­tação do cristianismo a partir do ano um, foi conti­nu­an­do a criar de for­ma insaciável novas provas da sua cria­ti­vidade cultural e religiosa.



BICADAS DO MEU APARO

Eles e as corneadas

Eles, os representantes do povo, os eleitos para se alaparem legalmente na Assembleia da República, sem que se saiba-bem o que fazem e o que produzem; a Ca­sa que no próximo ano custará ao povo mais de oitenta mi­lhões de euros e mais 25 milhões para distribuir aos Parti­do Políticos; a tal Casa a quem a famigerada Troyca da crise, aconselhou Passos Coelho de que era preciso ser mais barata e mais eficaz, aprovou (hipocritamente) o Orçamento do Estado para o próximo ano de 2019, Orçamento que possui duas grandes polémicas: a contagem do tempo de ser­viço dos funcionários e o Iva das touradas. É de salientar, que embora aprovado o Orçamento, as Bancadas parla­mentares já apresentaram cerca de mil propostas para alterar o Orçamento aprovado!
A actividade ou o espectáculo tauromáquico, saiu à cena. Os políticos foram como sempre os actores dessa tourada, sal­taram para as arenas televisivas e dos jornais, mandaram arpões e ferros a todas as arenas da vida nacional, cho­raram, qual carpideiras, o sangue derramado do animal e, os defensores das corneadas taurinas, opinam que o toiro é espectáculo, tradição, poesia, portuguesismo.
As touradas, na verdade, são altamente polémicas. Nunca assisti a tal espectáculo ao vivo, mas sim pelas televisões. Não é assunto que me agrade, como também não me agrada ver telenovelas. O tempo é demasiado precioso e tais assuntos são, para mim, banais. E se a telenovela é, qua­se sempre ficção, o sofrimento e o sangue derramado pe­lo touro, não me provoca sorrisos. Todavia, também não me irrita nem me faz sofrer, o toiro que procura defender-se, nem me altera a maneira de ser ou de pensar, a mensagem das telenovelas.


A Igreja e os Leigos

No jornal do Diário do Minho do mês passado, o Senhor D. Jorge Ortiga, fa­lava “da necessidade de uma reforma na Igreja” e des­­tacava “o papel dos leigos”. O livro do Concílio Vati­ca­no II, fala do “sacerdócio de todos os leigos” e no Direi­to Canónico há “uma manifesta intenção de uma maior participação laical na Igreja”.
É realidade, que cada vez temos mais paróquias “agrupadas”, isto é, apenas um sa­cerdote para várias paróquias. A não acontecer milagres diariamente nelas, os paro­quia­nos não sentem vida espiritual, muitos desconhecem o que há de espiri­tua­lidade e, outros, passam pela igreja, mas desconhecem o que a Igreja é, e muito menos se sentem Igreja.


Têxteis verdes vs têxteis reciclados

Somos cada vez mais surpreendidos com a inovação cien­tí­fica que sistematicamente nos é anunciada, abrangendo to­­das as áreas de produção, cruzando novidade técnica, com novas matérias-primas e criatividade. Portugal é ho­je uma referência na investigação científica sendo a pro­teção do ambiente umas das temáticas com resultados que surpreendem. O têxtil é uma área de produção com grande tra­dição e ancestralidade em Portugal, particularmente no Dis­trito de Braga. O tear artesanal como meio de produção, o linho, o algodão e a lã eram as matérias-primas dispo­ní­veis e tradicionais. Progressivamente o trabalho arte­sanal deu lugar à criação de unidades industriais introdutoras de processos de produção cada vez mais mecanizados, hoje robotizados, adaptando matérias-primas artificiais como o po­liéster, feito de petróleo, e o nylon a primeira fibra têxtil sintética que nos anos cinquenta se impôs no mercado.




Por onde anda a nossa justiça

O Banco Privado Português (BPP), banco de investimento, no final de 2008 entrou na situação de risco de crédito tendo o seu fundador (João Rendeiro) solicitado a garantia do Estado para um empréstimo de 750 milhões de euros, que o Banco de Portugal recusou. Em face da recusa, renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração. Nessa circunstância o Banco de Portugal decide no­mear uma administração provisória para acompanhar um plano de salvamento da instituição, que incluía um empréstimo negociado junto de seis outros bancos, no valor de 450 milhões de euros. Pretendia “permitir ao BPP fazer face a responsabilidades do passivo do balanço do banco perante depositantes e demais credores”.


Das “unhas pintadas”… ao estalar do verniz

Andou divulgado nas redes sociais e nalguma comunicação social que uma senhora deputada foi fotografada a pintar as unhas durante a apresentação do orçamento de estado/2019. Ao que parece foi fácil de identificar a sujeita, que se manteve em silêncio até ao momento em que se achou no direito de rotular de ‘imprensa antidemocrática’ quem ousou difundir, comentar, acrescentar, vituperar tal faça­nha pouco digna para quem é paga com o dinheiro do povo, pre­tensamente discordante do seu comportamento. Ler algu­mas das tiradas da dita deputada fazem corar o mais envergonhado da vida em sociedade, desde rotular de ‘pasquim’ quem não a considera, segundo ela, como devia, indo até à ofensa aos jornalistas e colaboradores dos jornais, televisões e órgãos de comunicação pela internet, invetivando intenções e quase argumentando com tentativas de golpes antidemocráticos pela simples razão de não serem da sua coloração, tanto partidária como de lóbi de costumes…