Opinião

Trabalho para Férias

Durante o ano, a alunos, professores e até trabalhado­res, é familiar a expressão TPC (trabalho para casa). Outra ati­vi­da­de diferente devemos desenvolver em tempo de fé­rias. Apro­veitando a necessidade de mudar de ocupação, habitu­an­do-nos a pensar, a refletir, a descobrir e a pro­je­tar mudanças. Só assim podemos ajudar a construir um mundo melhor.
Começa-se a ouvir falar de espiritualidade. Sabemos exa­ta­mente o que é ou onde a encontramos? É mais fá­­cil enxergar onde falta. As nossas igrejas, estão a ficar va­­zias. Os mais novos saíram em debandada. Mas será que alguma vez entraram, de verdade? Que exemplos se­­guem? Se não somos luz, não indicamos caminhos.
Nascemos, crescemos e um dia partimos… O que que­ro sentir, encontrar, no momento em que deixo de “estar aqui”?


Eutanásia e direitos humanos (2)

Neste momento, a eutanásia é apresentada como uma urgência irrevogável, exigida pela maioria dos cidadãos. É qualificado como um sinal de progresso social, como um direito da pessoa, como um acto de compaixão para com a dor sofrida pelos doentes terminais.
É necessário resumir essa gama de novos e supostos “di­­reitos”, não contemplados pela famosa Declaração, da As­sembleia Geral das Nações Unidas, de 10 de Dezembro de 1948.
• A eutanásia activa é proposta hoje como um direito do pa­­ciente terminal incapaz de suportar suas dores. Mas ele esquece que nunca, como nesta época, fomos capazes de controlar a dor.
• A eutanásia activa é elogiada sempre que ocorre a pe­dido do paciente. Mas esquece-se que muitos desses pacientes não estão realmente implorando a morte, mas sim uma proximidade acetosa e compassiva por parte dos fa­­miliares e profissionais de saúde. Uma proximidade que às vezes lhes nega a pressa e a modernização do nosso mundo.


Centeno “não diz a verdade”

Rui Rio, presidente do PSD, considerou que as declarações do ministro das Finanças ao jornal Público mostram que o discurso oficial do Governo do milagre econó­mi­co e do fim da austeridade “não é verdade”.
“O que Mário Centeno está a dizer é que o discurso ofi­­cial do Governo não é verdade. Porque agora faz uma coisa exatamente ao contrário. Na hora da verdade, não tem dinheiro para isto, não tem dinheiro para aquilo, não tem dinheiro para aqueloutro”, disse Rui Rio, advertindo os partidos de que “não é possível pôr em causa a sus­ten­­tabilidade de algo que afecta todos, só por causa” da con­tabilização do tempo de serviço dos professores.
Rui Rio referiu-se ao “discurso do Governo” do “milagre económico”, de que “a economia está fantástica, que a austeridade acabou” para concluir que, na entrevista, o ministro das Finanças “está a dizer que nada disso é ver­­dade”.


Dimensão artística das festas e romarias

Será preciso aprender a ler com olhos de seriedade alguns dos fenómenos da cultura popular – neste momento di­­zemo-lo na versão nortenha/minhota – manifestada nas fes­tas e romarias, que se vão vivendo com abundância na época do verão.
- Desde logo o cumprimento da tradição, sendo esta vista mais como meio de desenvolvimento do que como resquí­cio atávico, imobilista e conservador. Ousar fazer uma festa com meios económicos suficientes exige a quem promove a festa uma capacidade de invenção e de ousadia, que faz dos fes­teiros ou elementos das comissões pessoas com o mí­ni­mo de imaginação e de criatividade para captar para o projeto quem possa não acreditar nele tanto quanto seria de­sejável…
- Outro aspeto a ter na devida conta é a escolha dos ingre­di­entes musicais a incluir no programa, pois deles depende­rá tam­bém a participação de outros concidadãos com maior ou menor interesse e na abertura dos cordões à bolsa…Os me­lhores do cançonetismo nacional são os mais desejados, embora haja custos – mal calculados e exorbitantes – que po­dem significar a possibilidade de hipotecar os recursos pos­teriores…Os atrativos da festa podem fazer dela uma gran­de, média ou ridícula realização… popular e/ou po­pu­lista.


Cartas ao director

As construções ilegais

Quando nos dizem que o local onde crescemos, guar­damos gado, jogamos futebol era diferente daquilo que conhecemos e nos lembramos, ficamos a duvidar do nosso estado cogni­tivo. A dúvida passa a grande preocupação quando damos conta que não somos os únicos a sofrer do problema. Estas dúvidas e preocupações surgiram quando nos disseram que o local onde foram construí­das as polémicas vivendas no lugar de Fornelos, nas margens da albufeira de Ca­niçada, existiram casas antigas susceptíveis de reconstrução. O estremecimento foi maior quando nos mostraram fotografias destas casas e mesmo assim, por mais esforço mental que fizéssemos, não se afiguraram na memória.
O facto de não parecer verosímil ter tantas pessoas com problemas de memória, em vez de as levar ao médico, levou à procura e consulta de documentos e a um grande suspiro de alívio. Não aparecem as tais casas antigas e afinal ninguém está doente.


A verdade que nos liberta

A Fé e a razão são, nas pa­lavras de abertura da encíclica «Fides et ratio», de S. João Paulo ll, «Como du­as asas nas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade.» Deus pôs no coração do homem um desejo ardente de co­nhecer a verdade, a ver­da­de à cerca de Deus, à cerca do mundo que nos rodeia, e à cerca de nós mesmos. As verdades à cerca de Deus atingímo-las pela fé, que nos faz crer nas verdades reveladas, apesar de as não vermos em plena luz. «Agora vemos imperfeitamente como num espelho embaciado, mas então veremos face a face; no presente conheço dum modo parcial, então conhecerei como sou conhecido. ( 1Cor 13 : 12 O mundo criado manifesta-se-nos em toda a sua variedade e encanto nesta natureza que nos rodeia e à qual também pertencemos. Todos os seres da natureza, bem como os muitos fenó­me­nos que nela acontecem, são estudados pelos muitos e variados ramos das ciências naturais. E, agora, um sério e demorado olhar sobre nós próprios, inquirindo sobre as verdades que nos dizem respeito. E entre as questões que mais nos angustiam, devemos salientar as seguintes: Quem sou eu? - Donde vim e para onde vou? – Porque existe o mal? – Que nos espera depois da morte? A resposta a estas perguntas, e a muitas outras semelhantes que aqui se podiam fazer, é de extrema importância para assentarmos as nossas vidas em bases sólidas. Porém, que as nossas respostas não sejam apenas teóricas, mas sejam, isso sim, vivenciais .


Que faço, a seguir?

Eis uma boa pergunta para o tempo de férias! Paramos, interrompemos rotinas, descansamos, pensamos, sonhamos…
Deixar de “sonhar”, é o pri­meiro indício de que es­ta­mos a ficar doentes espiritualmente. Não raro, a partir dessa in­capacidade, começam a aparecer outras enfermidades.
O Papa Francisco, na sua catequese de 13 de Junho aler­tou-nos para a preocupação com que ficam os pais de jovens, vendo-os sentados em casa sem fazer nada o dia inteiro. Pensam: “Mas ele está doente, tem algo”. Fi­car quieto, perder o gosto de procurar, des­cobrir, não é próprio de quem procura viver. Ir vivendo, só é próprio de quem se entregou passivamente a uma vida de medio­cri­dade.
Como vai? Vai-se andando! – Como me impressiona es­te diálogo! A resposta que gostava de ouvir era a de es­tar bem, com coragem para enfrentar dificuldades, ou “cheio de esperança” pa­ra vencer uma doença ou ou­tra con­trariedade.


Eutanásia

O diálogo teve lugar durante um congresso internacional a ser realizada na bela cidade de S’Her­to­genbosch (Bois-le-Duc), on­de Bosch pintou seus sonhos cosmo­gó­nicos sobre o bem e o mal.
No meio do congresso, fomos visitados por um alto representante do Ministério Ho­lan­dês da Saú­de. Apa­rente­­mente, ele que­ria  jus­ti­ficar aos congressistas que vieram de muitos países a legali­za­ção da eutanásia. De fato, ele nos disse que seu go­ver­no pretendia apenas oferecer ajuda compassiva para o difí­cil ato de morrer.
Eu respondi então que eles cer­tamente haviam en­con­­tra­do uma expressão mui­to atra­­ente para mascarar uma prá­tica clínica que hor­­roriza mui­tos de nós. Bem, agora sal­ta para apresentar a questão da eutanásia, que é ser­pen­te­ando no assim - cha­ma­­do Oci­­dente faz mais do que cem anos.
Nos disseram há muito tem­­­po que a Holanda é o pri­mei­­ro país que a lega­li­zou. No entanto, neste como nas marcas olímpicas, é necessário realizar a contagem com cuidado para estabelecer priori­dades. Um cuidadoso esquecimento é notado para não mencionar que a eutanásia também foi legalizada pelo regime de Hitler em Setembro de 1939.


Propina universitária – um travão ao progresso do Estado

No famoso livro “Homens que moveram o mundo” encontram-se ilustres exemplos de personagens que descendem da “classe baixa”. A história do “prémio nobel”, as cartas de visita das grandes cabeças da criação e invenções em índices e registos de patentes, os curricula de homens e mulheres de diferentes gerações e épocas na ciência, literatura, música, teatro, arte, filosofia e outras áreas transversais no sector da humanidade são a prova deste espelho social, que com poucos recursos financeiros e ambientes inteiramente simples e pobres, muitas vezes sob o estigma da fome, formaram a base inventiva para “grandes feitos intersociais”. Felizmente muitos destes candidatos tiveram acesso a uma educação superior, preparação complementar, aperfeiçoamento, estudos universitários e especializações particulares. O segredo é abrir as portas à classe baixa.


Liberdade e consciência moral

Perante dúvidas, conceitos e interrogações que aquece­ram os ânimos dos Senhores Deputados, da Assem­bleia da República, no dia 29 de Maio, todos devemos ter a preo­­cu­pação de exercitar a nossa capacidade de refletir e clarifi­car o significado de certas palavras, aplica­das em slo­gans de ordem que confundem os mais distraí­dos.
Seria em nome da liberdade, autonomia, dignidade, que o nazismo inventou o Holocausto? Esta pergunta in­­di­gna­ria a AR, no dia 29. Não a colocaria nesse dia, po­­rém, ho­­je, consigo identificar motivações muito seme­lhan­tes em discursos ouvidos.
Quando o homem se torna egoísta, quando não permite que toquem no seu individualismo, para que não di­mi­nua o “ído­lo” em que se tornou, todos os meios justi­ficam o fim que pretende alcançar: o poder.