Opinião

BICADAS DO MEU APARO

Saias e calças

Lembrar-se-ão os mais velhos, que há cinque­nta anos atrás, só os muito po­­brezi­nhos usavam calças ou vestidos rasgados, porque pobres a valer. Assim, as mães iam remendando as pe­­ças do vestuário, ou colo­can­do um pedaço de pano a tapar os buracos possíveis de conserto. Pobreza, co­men­tava-se. O mundo do ves­­tuário foi modificando e ho­je paga-se bem caro ao adquirir-se vestuário rasgado, porque tais peças saem da fábrica assim mesmo. Temos na moda que hoje se vê, blusas sem gola e calças sem cinta.
Mais tarde, pudemos verificar que o mundo feminino, passou a usar calças como os homens e na verdade foi uma moda que não chocou. Mas temos de concordar que em cinco décadas, as modas do feminino hoje, nada têm a ver com o que se usava então. E se podemos dizer que os doidos inventam as modas e que os tolos as seguem de perto, aqueles não têm o mínimo pejo em fabricar vestuário que desrespeita os usos e costumes de um po­vo, de um ambiente, que os banaliza, e sejam amo­rais.
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A cozinheira é quem manda

Tenho por hábito comprar a revista EVASÕES, publicada se­manalmente, à sexta-feira, pela particularidade de divulgar e promover pormenores de âmbito regional, com interes­se cultural, chamando a atenção para singularidades de ele­­vado interesse, mas que nem sempre são dadas a conhe­cer a quem visita os seus lugares, sendo muitas vezes des­co­n­hecidas de quem ali habita. Quando tive acesso à publicação, com vigência de 8 a 14 de novembro, surpreen­deu-me a mensagem da capa – “Vieira do Minho passear entre montanhas e rios”. Comentei: “que interessante, o concelho da minha origem numa campanha de marketing”.
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Socializar o Socialismo

Quando um partido político se apresenta como sendo da di­reita, da esquerda ou do centro, reservo o direito de duvidar, até conhecer a sua participação em propostas apresentadas ou debates participados.
As campanhas eleitorais não nos tem servido para identi­fi­car as coordenadas da posição política, de políticos eleitos.
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Atrás das grades - polícias ou criminosos?

Chega…pra lá! Um Esta­do de Direito com medo da PSP e da GNR; um Parlamento estranhamente sitiado; ou um deputado da República a cavalgar a onda do Movimento Zero que exibe gestos supostamente extremistas e racistas?! O que é isto? Um país às avessas, digo eu! Há uns tempos atrás, os portuguese tiveram o triste privilégio de ver na te­le­visão reclusos e criminosos, com telemóveis e tudo, a festejarem alegremente nas celas e agora também pu­deram ver os agentes das suas forças de segurança serem tratados como autênti­cos arruaceiros ou hooli­gans.
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BICADAS DO MEU APARO

Mundo maluco

Passamos a ter na Assembleia da República o re­presentan­te de um novo Partido político que já avisou os portugueses de que uma das suas metas é o fim das aulas de religião e mo­ral nos Estabelecimentos de Ensino. Esta voz do deserto, este minúsculo ser, não o preocupa a pobreza real e a en­­­vergonhada, os ordenados mais justos, a reposição das pensões a todos os aposentados do Estado, “a dívida do Es­­tado” aos ex-combatentes do Ultramar e a paz social que todos desejam, etc.
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Programa Regressar – uma brincadeira política?

O programa regressar dos emigrantes portugueses para a pátria entrou em ação. A razão é que Portugal sofre em termos de demografia uma perda da sua inteligência. Mui­tas aldeias encontram-se já vazias uma vez que muitos jo­vens procuram uma vida segura para si e para as suas fa­mílias “fora”. No topo desta fuga surgem as mulheres, mas em geral aproveita a todos com educação superior ou candida­tos a um estudo universitário. Os poucos postos de trabalho que surgem cada ano no país, são, como é sabido, pri­vi­li­gia­damente destinados para os familares e amigos da “elite”. Uma competição oficial para os diferentes cargos não exis­te, co­mo critica Nuno Ga­rou­pa, ex-director da Fundação Fran­cis­co Manuel dos Santos, numa análise social profunda.
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A felicidade não é utopia

Sendo o “ser feliz”, um sonho que nos encoraja a procu­rar e lutar por alcançar esse bem, é pena que nem todos gas­tem o tempo necessário a refletir sobre o que é, e co­mo se alcança.
Criamos muitos maus hábitos que nos dificultam a refle­xão, o diálogo, o debate, que uma troca de experiências en­riquece. Vivemos um stress que nos impede de parar e ga­nhar tempo até para nos conhecermos a nós mesmos.
Neste ambiente desenvolveram-se hábitos de transfe­rên­­cia de responsabilidades, delegando no grupo, na as­so­­ciação, no partido político, a decisão que devia ser pessoal.
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O que se poderá perspetivar para o amanhã

Nas sociedades em que nos encontramos inseridos, assis­te-se a um individualismo acentuado, sustentado na estra­té­gia de cada um superar o outro, mesmo que daí re­sul­te con­fli­­tos, confrontos e insegurança para a generalidade das co­mu­­­nidades. O problema é que, para alcançarem o objectivo pre­­tendido, utilizam-se meios que despresti­giam os fins, com dis­cursos de convencimento destituídos de realismo, que no es­tado de euforia leva quem os escuta ao convencimento. Este pressuposto tem particular acuidade no domínio político, com uma con­corrência pouco digna, sustentada na estra­té­­­gia de ascender ao exercício do poder, assente no objectivo de satisfazer a auto-estima individual, pelo simples prazer de o terem al­can­çado. Não se pro­cura estabelecer ru­mos de equi­­lí­brio, menos ainda de bom senso, olhando pa­ra a casa co­mum cuja gestão exige inteligência e entendimento.
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A cigarra cor-de-rosa e a formiga laranja

O país foi a votos e o criador matou a criatura. António Costa (PS) pôs fim à geringonça, a padiola parlamentar que lhe permitiu superar a derrota eleitoral de 2015 e o ele­vou a primeiro-ministro, oxigenando ainda uma improvável solução governativa que durou quatro anos. Qualquer se­me­lhança com a realidade será pura coincidência mas duran­te a eleitoral campanha vi um António Costa, acalentado por son­da­gens positivas, a fazer-me lembrar a cigarra de La Fontaine, ufanando-se repetidamente com o crescimento económico, a reposição de direitos ou o aumento do emprego e das exportações – o verão é para aproveitar, como diz a personagem da fábula. Por outro lado, vi um Rui Rio trabalhador, assertivo e competente a desmontar a propaganda das falsas contas cer­tas do governo PS, qual formiga empenhada em contrariar divisões internas e sondagens muito negativas. Foi assim, praticamente, desde o primeiro debate televisivo num frente a frente que mostrou aos portugueses dois políticos diferentes entre si, com posturas e ideias bastante distintas para o país. Vi um PS à procura da maioria absoluta – em­bora a des­denhasse – e vi em sondagens diárias um PSD a encurtar distâncias.
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