Opinião
BICADAS DO MEU APARO
O Faustino, meu condiscípulo
Na minha adolescência, tive um companheiro que sempre revelou falta de interesse pela escola. Quando jovem maduro, deixei de o ver. Ele era magro, alto, olhar de lince e sisudo.
Normalmente, fazia-se acompanhar dum canito de cor branco-sujo, de pêlos eriçados, focinho alongado e rosnava facilmente. O Faustino, de gorra gasta na cabeça, circulava pelos caminhos - ao lado do canídeo - confiadamente. Um dia este meu ex-condiscípulo desapareceu e soube que tinha emigrado para o Brasil.
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“Velhinhas lajes…”
Hoje, lembrei-me das velhinhas lajes do grão! Daquele afagado lajedo que servia de eira àqueles que não tinham canastro para arrecadar as espigas, já desfolhadas.
Assim, paciente leitor, quero trazer-te os sons, os aromas, os sabores, as cores... e os suores, que nas lajes do grão se misturavam, e que eu guardei nos socalcos da memória.
Setembro! Quando o tempo parecia estar seguro, na avaliação empírica que o meu avô fazia ao olhar o céu, lá íamos para a veiga a fim de desfolhar o milho.
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NOVOS TEMPOS
Europa: unir o que a História não pode voltar a separar
A Europa atual nasceu de uma ferida. É talvez isso que esquecemos quando reduzimos a União Europeia a Bruxelas, fundos comunitários, regras económicas ou burocracia.
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O povo come, bebe… diverte-se
É com alguma apreensão que vemos tantas e tão intensas propostas de diversão: noites brancas, festivais de comida/bebida, festas e folclores, romarias e sinais de festa. Passado que foi o tempo de verão continuamos a ser fustigados por propostas aliciadoras para que se goze a vida com aquilo que melhor se conhece, se aprecia e com que festeja. Mas será isso o verdadeiro ou não andaremos alienados por coisas que se reduzem ao materialismo mais básico e primário? Teremos de condicionar-nos deste modo ao efémero e superficial? Onde e como manifestam os cristãos a diferença?
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Retorno à Igreja Doméstica
Quando procuro uma informação correta, encontro-a na Vatican News. Refiro-me ao que se refere à religião Católica, que pratico. Após um período de muita confusão, espalhada por Igrejas particulares, ou, para ser mais precisa e justa, por alguns membros delas, evito atalhos e vou diretamente à fonte.
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BICADAS DO MEU APARO
O parque de exposições
Há décadas - tempos da minha meninice - era frequente ver-se pinturas em casas particulares ou nalgumas igrejas, onde se via o diabo ou os anjos de Deus à espera que os moribundos dessem o último suspiro.
Essas obras, apelavam aos vivos para que durante as suas vidas tivessem cuidados com a saúde espiritual e das relações com os outros e Deus, conforme se lê em 2Pd3,12-15a.17-18.
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LEMBRANÇAS COINCIDENTES
É verão, mês de Agosto. O tempo vai quente e seco. Uma das formas que encontro para atenuar os efeitos da canícula e beneficiar dos prazeres da vida na terra que me viu nascer, é fazer umas caminhadas matinais pelos velhos caminhos vicinais sob as sombras do arvoredo e apreciar as majestosas paisagens com que o Divino nos prendou. Hoje fi-lo, como muitas vezes faço, desde o lugar de Vale até ao alto de S. Cristóvão, passando obrigatoriamente pelas ruinas do antigo povoado, onde parei em observação das campas antropomórficas lavradas na rocha e nos mais variados indícios de ali ter existido vida humana, como que em homenagem aos precursores da civilização atual. Subi ao penedo mais alto, onde as marcas de tempos idos ali se encontram vincadas e donde se goza de uma vista panorâmica de excelência, dominando-se uma observação ao seu redor sobra as serras do Gerês e povoações da encosta Sul, como Fafião, Pincães, Cabril e S. Lourenço; a encosta Norte da serra da Cabreira; parte do povoado de Ruivães e, lá ao fundo, terras de Salamonde. Sentei-me ali a apreciar a paisagem e, à medida que o tempo ia passando, beneficiando do silêncio e da beleza envolvente, foram surgindo na minha memória recordações dos tempos idos, entre as quais episódios da vida no campo enquanto criança pré-adolescente que abandonei aos doze anos de idade. A jusante daquela formação rochosa situa-se uma propriedade que vem dos tempos dos meus ancestrais e que atualmente me pertence, cujo domínio visual é completo daquele local. Daqueles terrenos era retirado parte do alimento para a numerosa prole que compunha o agregado familiar. Eis que me vem à memória um episódio vivido durante uma atividade de rega noturna naquela propriedade e que em tempos registei nas minhas memórias e que aqui compartilho como forma de recordação desses tempos e de pessoas que marcaram a minha vida e certamente a de muitas mais.
Então reza tal registo o seguinte:
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Prioridade para real qualidade de vida
Alcançar o bem maior, é uma aventura, temos de admitir.
Depois de atingirmos a maioridade civil, cada meta superior que estabelecermos, corresponde a um, pequeno bem maior, conquistado.
A insatisfação, tanto pode levar-nos ao pecado, como à virtude. Depende do que desejamos alcançar. Enquanto aprendemos a dialogar com a vossa vontade, descobrindo o que queremos e para o que, o queremos, estamos, sem dar conta, a conhecer melhor e a formar a nossa consciência.
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Uma lição de vida...
Li num dos livros que adquiri esta frase simples, mas tão cheia de significado para mim: “Felizes dos rapazes que tinham uma ladeira e um carroço de rolamentos…”.
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‘A juízo pastoral’
O que significa esta expressão – ‘a juízo pastoral’ – na configuração das questões práticas que envolvem a decisão e o discernimento sobre o modo de fazer na relação com as pessoas? Será que este ‘a juízo pastoral’ implica algo mais do que realizar o que era habitual ou implica que, entre as diversas soluções, há que escolher a mais correta (em bom senso e para melhores frutos), mesmo que possa não ser a mais bem aceite? Não será que ‘a juízo pastoral’ é mais exigente do que reproduzir o ‘já feito’ ou no seguimento da tradição ou costume? Como se pode ou deve conciliar este ‘a juízo pastoral’ com a Tradição e a inovação criativa?
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