Opinião

A ciência de saber calar

Decidi chamar ciência, à capacidade de saber calar, porque como qualquer aptidão, desenvolve-se por atos livres da vontade.
Quando o silêncio é imposto, podemos ter de ficar calados, mas não o podemos considerar virtude. Digamos que é uma sujeição a uma qualquer ditadura, seja política ou ideo­ló­­gica. Não só não é virtude, como pode até ser uma grande co­bardia. É da virtude que hoje falo.
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Se não regressas, emigrante, vou ter contigo “lá fora”

Os sucessivos programas do regresso dos emigrantes, elaborados pe­lo Governo por pe­ríodos de quatro anos – sendo a última acção de 2019 descrito no Jornal do Minho de 15 de novembro de 2019 - não têm sucesso digno de menção. Com esta experiência sólida o Governo deve per­ce­ber que os seus compa­trio­tas pelo mun­do “fora”, depois de terem avaliado o mo­do de vi­da com especial segurança em qualquer país, qualquer que seja a profissão, não que­rem voltar, senão nas fé­rias ou na reforma. É o cenário verdadeiro. Conforme sondagens oficiais até 2060 Portugal irá perder entre 2 a 3 milhões dos seus cidadãos, na sua esmagadora maioria jovens altamente qualificados. É caso para dizer que quase mais portugueses vi­ve­rão “fora” do que na pátria. Portugal corre – inevi­ta­velmente – o risco de ser uma casa de velhotes. “Regressar” é espiritualmente um lindo título para uma can­­ção do fado alegre.
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BICADAS DO MEU APARO

Ciência e poluição

O ano que mais intensificou o combate às alterações climá­ti­cas foi 2019. Nos anteriores já se vinha a assistir a zunzuns sobre este “grave problema” que a Humanidade enfrenta, assim afirmam. Tivemos António Guterres numa foto com água até à cinta, vista por milhões, tivemos a famosa Greta Thunberg em greves e com deslocações a vários países – quem sabe se manobrada - e tivemos cá dentro de casa os sempre atentos críticos à subida dos oceanos e a tudo que se relaciona com a selvajaria do homem. Estima-se que cerca de cinco milhões de pessoas em mais de centena e meia de países se manifestaram contra as alterações climáticas.
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BICADAS DO MEU APARO

Imberbes e jactantes

Li um destes dias um documentário que me deixou pensativo, pois tratava-se de um texto/ tema que nunca tinha pensado, e nunca tinha feito nada para saber como era o povo português, embora tivesse alguns conhecimentos sobre a origem do povo que somos. Afir­mava o autor do texto que “o povo português é uma cal­deirada”. Nós portugueses, dizia, somos “uma mistu­ra de mou­ros, de romanos e de africanos”. E fundamentava a nossa origem concluindo que somos por isso mesmo, “únicos no mundo”.
Não estou minima­me­n­­­te habilitado para di­­­zer se somos mais ro­ma­nos, ou mais mouros, ou mais africanos. Mas aceito que se diga que somos uma “caldeirada”. Uma inclinação temos: vivemos convencidos de que somos espertos, inteligentes, sabi­dolas e, co­mo qualquer ca­maleão, ada­pta­mo-nos a qualquer zona ou convivência social. Pensemos nos novos partidos políticos que dizem representar-nos. Uns, sau­dosistas dos totalitarismos quer de esquerda quer de direita. Outros, sonhadores de uma sociedade uto­pis­ta. To­da esta gente, incluindo nomeações “às resmas” de “es­pecialistas” com vin­te e pou­­cos anos de idade, nos cor­­redores do poder, não pas­sam, salvo melhor opinião, de imberbes e, mau de mais, jactantes que sufocam a quem por eles passa a horas ou fora d’horas.
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A Farsa Política do Ano 2019

A Palavra do Ano 2019 é Violência (doméstica). A escolha está mais do que justificada pois o fla­gelo é conhecido e a realidade nacional triste, muito triste. Acresce ainda que também podemos associar a palavra escolhida ao alarmante aumento da violência no local de trabalho no país, particularmente em serviços públicos como escolas, centros de saúde e hospitais, entre outros. Aliás, as recentíssimas e miseráveis agressões a profissionais de saúde, médicos e enfermeiros, são exemplo disso mesmo. Ora, a Palavra do Ano, segundo a editora promotora, é uma a iniciativa que tem como ob­jetivo sublinhar a força das palavras que, em cada ano, reflitam o quotidiano, acon­tecimentos e preocupações coletivas dos portugueses. Muito bem!
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Diálogo e tolerância

O diálogo, a conversa alimentada em esplanadas, à mesa, durante uma refeição familiar, em convívios ou breves encontros esperando o café, tem vindo a desaparecer. A pressa com que se vive, criou hábitos cujo benefício é muito questionável. Não se fofoca tanto!? Mas também não se constroem pontes.
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BICADAS DO MEU APARO

Bicadas de 2019

1 – Os torpes da política nacional não dizem que só em No­vembro passado (2018) a dívida aumentou 400 milhões de euros, totalizando-a em 251,48 mil milhões de dívida públi­ca. Perante tal descalabro económico, caloteirice e politica/par­tidária ruinosa…, Portugal não anda à deriva? Estou que sim! (Janeiro)
2 – Nas televisões, como se constata, passa por lá gente per­versa, depravada, isto é, pessoas ligadas a crimes variados, de ideias tiranas e, são entrevistados, dão-lhes guarida a qualquer hora do dia e o povo, pobre povo, tem de os ver e ou­vir. (Janeiro)
3 – Foi numa prisão/hotel que permaneceu Sócrates, preso nº 44, na prisão de Évora. Recebia permanentemente visitas, organizavam-se autênticas peregrinações ao preso. Obtinha informações, correspondência recebida/enviada, horas de descanso e, quando saiu, pesava os mesmos 82 quilos com que entrou. Sócrates foi um preso feliz em Évora. (Janeiro)
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Liturgia e boas maneiras

Que tem a ver a Liturgia com “boas maneiras”, com bom desempenho de funções, se assim nos quisermos exprimir, ou simplesmente, com delicadeza nas pa­lavras e atitudes?
Como nos ensina o Cate­cis­mo da Igreja Católica (CIC, 1069) a palavra litur­gia significa “obra pública” e como tudo aquilo que se vi­ve publicamente, com os outros, tem normas e regras que devemos conhecer e res­peitar.
Pelo sacramento da Con­fir­mação, recebemos dons que nos vão ajudar a desenvolver qualidades ou virtudes para vivermos como Cristo, como cristãos.
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BICADAS DO MEU APARO

Pode ser que seja

Meia dúzia de meses depois do inicio desta terceira república, com o 25 do quatro, politicamente os portugueses andavam à de­riva, quais náufragos no alto mar: levavam com ondas de todas as alturas e com ventos fortes de vários pontos da Europa e não só. O “companheiro Vasco” era politizado, de alta patente militar e, desde há muitos anos filiado no Partido Comunista. Pelo que, nunca consegui entender se este senhor era bom comunista ou bom fascista. E porque jogava nos dois relvados, fizeram dele primeiro ministro do I Governo provisório, isto é, Governo PCP/MFA. Ál­varo Cunhal, preparava-se então para que em Portugal, logo após a Abrilada, se não fizessem eleições legislativas, porque isso seria pactuar com “eleições burguesas”, conforme o declarou à jornalista Oria­na Fallaci em fins de 1975.
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O que pensar das desigualdades sociais

Pensar que algum dia vamos deixar de ter desigual­da­des socias será uma utopia, um ideal, com uma rea­li­zação pouco verosímil. Teria de passar por uma análise insti­tu­cional profunda e consen­sual sobre o sistema de re­distribuição, estabelecendo-se condições e regras de cumprimento objectivas que não falhassem. O Estado social cons­truí­do nos paí­ses ricos ao lon­go do séc. XX, mais propriamente a partir da II Guerra Mundial, foi feito em torno de um conjunto de direitos sociais imprescindíveis e fundamentais: o direito à educação, à saúde, à reforma. Fo­ram estes direitos que aju­da­ram as populações a entrar num mun­­do novo tirando da mi­sé­ria crianças e jovens, a viverem em condições de pobreza.
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