Do Cávado ao Ave

VILAR CHÃO

Viveiro de músicos - colmeia de maestros

          
VILAR CHÃO

Geração do «Mestre João Luís» (1885-1974)
1. Atualmente, três músicos da pequena freguesia de Vi­lar Chão exercem o serviço de Maestros em Bandas Fi­­lar­mó­nicas do concelho de Vi­eira do Minho e dos concelhos limí­tro­fes de Terras de Bou­ro e de Montalegre.
Da Banda de Vieira, o Ma­es­­tro é Hélder José Carneiro Ribeiro (desde janeiro de 2014); da Banda de Car­va­lhei­­ra (Terras de Bouro) o Ma­es­tro é António João Fer­nan­­­­des Luis (desde novembro de 2009); da Banda Filar­mó­nica de Salto (Mon­ta­le­gre), o Maestro é Tiago Jo­sé Pe­rei­ra Carvalho (desde 2017), que levantou do chão es­ta Banda, há anos adormecida.
Não sendo inédito, este fa­cto não pode deixar de ser sur­­preendente. Que segredo esconde esta estranha terra para tantos músicos dar à luz?!
Estes três jovens músicos representam a mais recente e nova geração de Maestros, na­turais desta pequena aldeia, mas, antes desta, outras gerações de Maestros le­va­ram o seu engenho e arte a Ban­das Filarmónicas de ou­­tras paragens.


2. A geração anterior a esta foi representada pelos Maestros Domingos José Campos Cardoso, que, além da re­­gência da Banda da sua ter­ra natal, Vilar Chão, durante 10 anos (1979-1989), foi Maestro da Banda de Música de Monção, durante 16 anos (de 1988 a 2003), e da Ban­da Filarmónica de Vieira do Minho, durante 10 anos (da Feira da Ladra de 2003 até 15.1.2014). Como Sar­gen­to-Mor Músico da Banda da Região Militar Norte, coube-lhe assumir, circunstan­cial­­­­­­mente, a regência da mes­­­­ma Banda, como aconteceu, aliás, com a de Re­­­ve­lhe, embora a atuação nesta Banda tenha sido pro­pria­me­n­te como executante, du­rante 39 anos (1972-2011). À ge­ra­ção de Domingos Cardoso (maestro durante 36 anos e 55 de atividade como Mú­sico amador e profissional), podemos associar, como Maestro, Domingos Luis Bato­ca que, além da curta re­gên­cia da Banda de Vilar Chão (2010-2011), foi Maestro da So­cie­dade Musical, Cul­tura e Re­creio de Paços de Vi­­lha­ri­gues (concelho de Vou­zela), du­­rante sete anos (200-2007).
3. De uma geração anterior, foi o brilhante músico, exímio ensaiador de coros e tam­bém Maestro João Pe­rei­ra (2.3.1917-19.3.1996), que, além de Maestro da Ban­da de Vi­lar Chão, foi mú­si­­co e Maes­tro da conceituada Banda de Re­velhe (conce­lho de Fafe) e da Banda Filar­mónica de Amares.
Da geração próxima da do Maestro João Pereira é a ge­ra­ção de António José Cardo­so de Carvalho (1917-1989), que, além de ter sido Maestro da Banda da sua terra na­tal, Vi­lar Chão, e da Banda Fi­­lar­mó­nica de Vieira do Mi­nho, foi Maestro de duas Ban­­das do con­celho de Chaves: Banda Mu­nicipal Fla­vi­en­­se “Os Pardais” e Banda de Vila Verde da Raia.
4. Embora esta notícia his­tó­­rica seja referente aos Maestros naturais de Vilar Chão que dirigiram Bandas de outras terras, não nos parece des­­cabido assinalar os nomes da­queles que foram ape­nas Maestros da Banda de Vilar Chão.
Atualmente, dá-se o caso de a Banda ser dirigida por um Maestro externo, da vizinha fre­guesia dos Anjos, Eduardo Carvalho (desde 2016), como, aliás, o Maestro anterior, Artur Oliveira (2015).
Mas, estes dois casos não são inéditos, pois, antes destes, ao longo do tempo, outros Maestros externos regeram a Ban­da de Vilar Chão. Por ordem retroativa, assinalam-se os nomes do “Maestro José Mar­­ques” (Póvoa de La­­nho­so), do “Maestro Joaquim das Ne­ves” (Vieira do Mi­nho), do “Maestro Narciso” (Lou­rosa, Póvoa de Lanho­so), como do Maestro An­tó­nio Soares (Ama­res), este ape­nas durante um ano (1990).
A este último sucedeu o Ma­­­­es­tro Manuel António Luis Ba­toca, que exerceu a re­gên­cia da Banda durante mais de duas décadas (1991-2013), notabilizando-se também pela docência dos apren­­­­­dizes, num tempo em que a formação não se processava, como hoje se processa, em escolas e academias de música organizadas, de que as Bandas Filarmónicas muito beneficiam.
5. Recuando na história, che­­gamos ao tempo, também lon­go, da regência do mais em­­blemático dos Maestros da Banda de Vilar Chão, o “Mestre João Luis”, também co­nhe­­cido como “Mestre João das Perdizes” e co­mo “João da Meã”.
Da geração anterior à do “Mes­­tre João”, foi a geração dos Maestros” Avelino Luis e Ca­simiro, não nos sendo pos­­sível, de momento, recuar mais no tempo.
6. Fazemos menção dos Mú­sicos-Maestros, mas, em boa verdade, deveríamos evo­­­car e imortalizar tantos ou­tros músicos executantes, não-Maestros que, ao longo dos tempos, foram verdadeiros “mestres” dos aprendizes, adolescentes e jovens, que gostavam da banda e ne­­la queriam ingressar. Re­cor­de­mos apenas dois nomes de músicos executantes e ensi­na­dores: António Francisco Ri­beiro (“António das Cle­men­tinas”) e Júlio Cândido Luis (“O Regedor”), pois o ca­rismático Maestro de então, o “Patriarca” da Banda de Vi­larchão, João Baptista Luís (15.10.1885-2.12.1974), só pas­sava as pautas.
Enfim, uma Sociedade Fi­lar­mónica deve ser também guardiã da memória e luzeiro de esperança. Pela sua relação umbilical com o passado, a família musical de Vi­lar­­chão, recorda, com natural ve­­neração os companheiros de viagem que, por força da lei da morte, ultrapassaram a curva da vida. Pela sua fidelidade dinâmica à tradição e pe­la sua responsabili­da­de pre­sente, prossegue cria­ti­va­mente o seu caminho, olhando com esperança o fu­turo.

PS.- Para a manutenção, atua­li­zação e projeção da me­mó­ria de uma Banda, como de uma Fre­gue­sia, como de uma Câ­mara Mu­­nicipal, como de uma Paróquia, são absolutamente ne­­cessários os respetivos Arquivos, que são os guardiões de todos os documentos da vida e da ativi­da­de da instituição. No caso da Banda de Vilar Chão, o músico e con­tra­mestre José Maria Ri­bei­ro (1928-2004) recordava que tinha recebido a mala da documentação do “Mestre João Luis” e que a entregara oportunamente à no­va Direção, quando cessou as suas funções de Contramestre.
B.D.S.
2019-03-13


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