Para quem como eu viveu a infância em Ruivães, na década de cinquenta do século passado, impreterivelmente ficou marcado no seu subconsciente por situações que o tempo não apagou. Não se questiona o amor e carinho que os progenitores dispensavam, mas sim alguns métodos arcaicos utilizados na nossa educação, que hoje seriam condenáveis. Dessas, como exemplo, destaco algumas por mim vividas: - Pronunciar obscenidades, era banal mesmo desde tenra idade, mas minha avó, muito educadinha, se me “espalhasse”, logo me enchia a boca com pimenta. O efeito que isso provocava, é de imaginar. - Outra prática, quando o meu comportamento ultrapassava as marcas, era ela colher um ramo de urtigas, descia-me os calções, e o rabinho virava borbulhado quanto baste, impedindo de me sentar por algum tempo. - Havia ainda outras formas de tortura, mas a que mais me afectou foi por causa das lombrigas! Era um mal que afligia a criançada, e o remédio usual era enfiar numa linha cabeças de alho formando um colar, que tínhamos de usar ao pescoço até secarem. Se as tirássemos, “levávamos para assar”.
O que resultou daí? Fiquei traumatizado, ganhei uma aversão ao alho, que hoje aos setenta e sete anos nem o cheiro dele tolero. – Também as horas de recolhermos a casa ao fim do ...
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