Editorial

Vem, a casa é tua

          
Vem, a casa é tua

1. Este ano perco todos os dias a Novena: a falta de saúde não aguenta algumas horas do fim do dia…
Este ano, a minha sala parece menos natalícia, pois me pediram que os meus presépios fossem mostrados em lugar público.
Este ano seremos menos na festa, porque há familiares a repartir pelas famílias que o casamento alargou.
Este ano vai ser assim.


Mas, meu querido Menino, vamos os dois fazer de conta que nada disto é assim...
Tu fazes de conta que vens como da primeira vez, per­gun­tando, na voz de teus pais, onde podes nascer. E eu faço de conta que sou dono de um barraco nas traseiras e respondo: “se isto serve...”.
Não és capaz de fazer de conta?…
Compreendo. A Verdade nunca faz de conta e eu devia saber isso...
Mas vai daí talvez nem precisemos mesmo de fazer de conta: certo certinho é que o meu coração é um barraco de­sajeitado, cheio de tralha desequilibrada num desassos­se­go enorme... E ouço que dizes que sim, que é mesmo aí que queres nascer!...
Apetece-me resistir, pedir-te que procures outro lugar. Tenho, aliás, uma boa desculpa: “há tantos sítios melhores!” Não aceitas? Insistes e queres “aqui”?... É mesmo o meu coração que queres?!...
2. Sinto-me apanhado por dentro, pois apercebo-me de que a tua insistência não é teimosia, mas amor!... Aliás, que foi o teu Natal senão a demonstração palpável do Amor que não desiste?… É claro que, desde a primeira fu­ga do homem, o divino projecto foi o reencontro.
Percebo. Percebo como e quanto amas...
3. Voltemos ao meu coração. Se procuras um lugar po­bre, é o sítio certo. Qualquer coração, aliás, é para ti o sí­tio certo... Pobre, mas limpo — eis quanto basta!...
Vou, por isso, arrumá-lo, retirar esta sucata que o ocupa: o medo, o orgulho, a fuga, a superficialidade. E tudo o mais que pedires, pois que não te quero inquilino mas dono.
Vem, a casa é tua!...
P. João Aguiar (6/12/2019)
2019-12-12


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