Igreja

Aos avós

          


(num texto repetido as vezes que preciso for):
Se eu pudesse, avós, ho­je dir-vos-ia “não tenham pressa”, em vez de perguntar “mas vamos ou não vamos?”... Hoje sei a riqueza dos vossos passos lentos, do vosso olhar poisado, do sorriso desenhado nas rugas e do toque mimoso re­petido na tremura das vos­sas mãos!... Queria dizer que ainda rezo as orações dos vossos joelhos e endireito as mãos no silêncio da igreja; que repito os vossos contos do serão e os nomes das coisas diárias; que digo “sim, senhor” e “não, senhor”; que agradeço com um “seja pelas almas”, ao menos mental, os delicados favores que me salpicam os dias; e trato por “vocemecê” muitas pessoas... Hoje podiam encher de novo o meu serão e contar-me como é o céu... Eu ouviria de alma acesa e pediria “a bênção” antes de deixar a lareira!
Obrigado, obrigado, obrigado!...
João Aguiar Campos
2019-07-30


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