Igreja

Ordem da Cartuxa fechou mosteiro em Évora

O Capítulo Geral da Ordem decidiu o seu encerramento

          
Ordem da Cartuxa fechou mosteiro em Évora

• O clero de Vieira do Mi­nho teve o privilégio de visi­tar a Cartuxa de Santa Ma­ria Scala Coeli, antes de fe­char, onde passou parte da tarde de 15 de Outubro, ten­­do rezado Vésperas com os quatro monges da Cartuxa, 32 seminaristas de Teologia de Évora e o seu Arcebispo D. Francisco Senra.


• Aos visitantes, o Arcebispo Metropolita de Évora, que visitou inúmeras vezes Vieira do Minho, enquanto bispo auxiliar de Braga, fez questão de confidenciar a sua emoção no dia em que a cidade de Évora foi à Car­tuxa para se despedir dos monges. Quando soube da notícia do encerramento, D. Francisco Senra, disse ao Pe. Antão, Prior da Car­tu­xa, que fazia questão de se despedir da comunidade presidindo a uma Eucaristia, e sugeriu que esta fosse aberta a todos quan­tos desejassem unir-se na despedida dos monges. Estes acolheram bem a ideia. Abriram, não só as portas da igreja da clau­su­ra, o que já seria uma novidade, mas também as portas do con­ven­to, de capelas, refeitório, jardins e espaços que, por norma, estavam reser­va­­dos aos monges. E foi as­sim que a Car­tuxa se viu “invadida” por cen­tenas de pes­soas que ao final de tarde de uma terça-feira entraram no convento da Cartu­xa para assistirem à missa e visitarem aqueles espaços habitados pelo silêncio e 4 monges que naquela tar­­de “quebraram o silêncio e a solidão”. A igreja matriz da clau­sura foi pequena pa­ra as centenas de pessoas que ali se deslocaram.
• “Deus favoreceu Évora com o silêncio generoso, fe­cun­do e habitado pelo seu es­pírito. O silêncio dos homens cartuxos, os homens bons de Deus. Nunca está­va­mos sós, contávamos com uma retaguarda oran­te, absolutamente gratuita, sempre disponível a abraçar todos e cada um dos ho­mens, em comunhão incondicional com as suas do­res, sofrimentos, esperanças e projectos”, referiu D. Francisco Coelho. No final, deixou o apelo a que o espaço continuasse a ser «lugar de acolhimento na aridez e no in­verno de todos os que possam sofrer o vazio, a es­curidão e o silêncio interior de Deus». «Que a Cartuxa seja sempre uma escada para o nosso encontro com Deus, pelas mãos de Maria. Que a esperança permaneça no nosso olhar que os vê partir, mas que no compromisso guarda em nossos corações o grande testemunho de vida, a grande tradição do silêncio que os nossos queridos cartu­xos nos souberam deixar», concluiu o Arcebispo de Évora, em entrevista à Família Cristã.
«Há 120 monges enterrados aqui, santificaram-se muitos. Iremos para outro mosteiro antigo, mas este mosteiro ajudou-me muito e nunca o esquecerei» referiu o Pe. Antão Lopez, prior da Cartuxa (Foto). Mas aquilo com que nunca sonharam foi com o «carinho» e a «emoção» que a dioce­se de Évora e várias pessoas em todo o país lhes prestaram nestes últimos dias em Portugal. Em entre­vista, o Pe. Antão con­fes­sou-se surpreendido com tu­do o que se passou. Também os 8 sacerdotes do ar­ciprestado de Vieira, na sua demorada vi­sita à Car­tuxa, ficaram emo­cio­nados com a proximidade, simplicidade e humildade destes homens de Deus que até permitiram selfies.
Texto e fotos: L. Jácome
2019-11-27


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