Igreja

Palavra e Vida

          

Na nossa procura de Deus, vamos encontrando, na Palavra proposta para cada Domingo, caminhos, sugestões de conversão, que são verdadeiros marcos dum caminho a percorrer.
Logo no dia 2, temos o encorajamento do profeta Isaías: «Todos vós que tendes sede vinde à nascente das águas». A sede de justiça, a sede de verdade, que tantas vezes sentimos, era vivida como sede de libertação do povo de Israel, então desterrado.
Nas nossas angústias, dificuldades, procuramos ajuda e respostas. Deus ouve-nos e só espera que confiemos. Jesus encheu-Se de compaixão, não só pelos doentes que encontrou, mas pela multidão, sedenta da Palavra, que fielmente O segue. E Jesus fez um dos mais estrondosos milagres: Toda aquela imensa multidão ficou saciada.


Com que desvelo, Deus cuidou e cuida do seu povo! Já no Antigo Testamento o vem preparando através dos profetas, para fazer notar que nunca estaremos sós. Ele é um Deus sempre presente, não distante. Manifesta-se através dos outros ou de sinais, de que nos apercebemos se não estivermos distraídos. Recomenda-nos que O esperemos. Nesta espera, devemos depositar a confiança de quem se entrega incondicionalmente, e não espera provas ou sinais. A Elias, Deus manifestou-se discretamente, sem ruído nem aparato, como suave brisa que acaricia.
A Pedro o poder de Deus manda-o caminhar sobre as águas, ao seu encontro, sem receio. Por um momento admitiu que não é prudente o que está a fazer, sente afundar-se e pede auxílio. S. Pedro ouviu o que nós tantas vezes “ouvimos” e de que nos questionamos: Porque deixei de confiar? Porque não confio em Quem acredito?
Na última quinzena do mês, pela Palavra, somos convidados a clarificar e/ou retificar conceitos. Atual o convite de Isaías a respeitar o direito e a praticar a justiça! Teremos ideias claras sobre o que é direito e justiça? Conhecemos a forma como estes valores são hoje deturpados por ideologias contrárias à moral e a todos os princípios defendidos por uma consciência bem formada?
A Liturgia do XX Domingo do Tempo Comum recorda-nos a universalidade da Boa Nova. Jesus ao satisfazer o pedido da mulher cananeia, revela que veio salvar todos os povos, a todos é oferecida a salvação. S. Paulo compreende-o bem e parte a evangelizar os gentios. Isto deve fazer-nos refletir sobre a forma como acolhemos ou rejeitamos os que não pertencem à Igreja. Que oportunidades lhes damos?
No dia 23, a Palavra que nos é proposta, pode ajudar-nos a compreender a posição mais sensata perante atos de corrupção e má governação. O Senhor está atento, como esteve no tempo de Ezequias e corrigirá os nossos erros humanos, as nossas más escolhas, como então o fez. Essa certeza não desculpará porém que tenhamos as nossas convicções, que lutemos pela justiça e a verdade.
Jesus ensinou-nos mesmo a ter uma opinião própria bem formada quando perguntou aos discípulos o que diziam os outros a Seu respeito. Ouviu as respostas a que parece não ter ligado muito. O que interessava a Jesus era o que os seus amigos pensavam d’Ele.
Terminamos o mês recordando um dos mais belos textos do Antigo Testamento. Jeremias deixa-se vencer pelo Senhor. Aceita contrariado a missão de profeta. Mas aceita-a apaixonado porque se deixou seduzir.
Quantos de nós já experimentamos a conjugação de sentimentos aparentemente contrapostos? Aceitar a vontade de Deus em pequenas coisas que nos são exigidas no dia-a-dia leva-nos a repetir a oração de Jeremias, com o coração.
Ao fazê-lo estamos a proceder como Jesus. Ele mesmo fala aos discípulos da missão a que foi chamado pelo Pai. Adverte-nos porém que, o que tem valor é o que é autêntico, simples, feito por amor. Pelas obras é que seremos julgados.
L.C.
2020-07-30


Comentários

  Comentar artigo

Nome

Email

Comentário