Opinião

Sob a pandemia do medo

          

Por estes dias temos estado constantemente a receber notícias da evolução do ‘coronavírus covid-19’, desde os infetados, os afetados e as vítimas…num corrupio tal que corremos o risco de confundir as causas com os efeitos e até as consequências com outros sintomas.


Desde dezembro de 2019, quando foi declarado na cidade chinesa de Wuhan, que temos estado a ser invadidos por toda a espécie de suspeitas, conjugadas com repercussões na saúde públi­ca e mesmo na economia. Um progressivo manto de medo se estende sobre uma boa parte dos países, nações e continentes. Nalguns casos nota-se uma quase histeria coletiva, tal parece ser a turbulência que se tem verificado em mais um caso de in­terdependência de uns para com os outros, apesar do crescente egoísmo.
Em certa comunicação social dá a impressão que os fatores noticiosos têm estado mais sob a tutela do escândalo do que da prevenção correta, sucinta e clara. A forma quase de abutre com que são colocadas certas reportagens no ar deixam algo a desconfiar sobre o real interesse dos canais de informação e nas diferentes plataformas de comunicação, pois parece confundir-se o que se deva saber com aquilo que possa subjugar as pessoas pelo medo…de si mesmas e dos outros.
Um dos casos mais simbólicos neste processo foi o do canali­zador num navio de cruzeiro, atracado num porto no Japão: as várias intervenções da mulher, localizado numa cidade à beira-mar, desencadearam a intervenção dos mais altos responsáveis da nação, podendo, em breve, estar de regresso ao país… Um outro membro da tripulação do mesmo cruzeiro não quis sair do anonimato e não sabemos se foi atendido de forma idêntica… (…)
Urge, por isso, sermos informados com sensatez e com o rigor, que é próprio de quem está ao serviço da verdade e não do sensacionalismo (...) Seria de muito mau gosto que continuássemos a avaliar o impacto do ‘covid-19’ com os olhos economicistas, devendo, pelo contrário, dar mais atenção, cuidado humanista e humanitária a todos os envolvidos no processo.  
António Silvio Couto
2020-03-19


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