Opinião

Um direito adquirido

          

Quantas vezes ouvimos reivindicar direitos? O direito à saúde, à educação, à segurança… Podíamos depois acrescentar as liberdades: A liberdade de expressão, de religião, de opinião …Quanto a deveres, costumamos ser menos imaginativos.
No período de isolamento que nos foi imposto e aceite “de bom grado” pela maioria dos portugueses, contando com o aborrecimento de uns tantos, a quem custou desistir de férias ou deslocações programadas, a dificuldade de outros em suprir necessidades básicas, dum modo geral, todos tivemos a oportunidade de viver mais momentos de silêncio, descontração e reflexão.
Se um destes dias pudermos reunir-nos em grupo de amigos, cada um de nós terá muito que contar.


Porque senti falta de proximidade, vejo-me como as crianças que receberam muitos presentes e não conseguem reprimir a vontade de os mostrar aos outros.
Como não pude sair, para procurar amigos, procurei trazê-los até mim. Abri o meu espaço, ampliei o acolhimento, dei mais atenção às suas mensagens, partilhei alegrias, sonhos, saudades e algumas tristezas, poucas, porque não há lame­chices nas nossas relações. Hoje devo-lhes o favor de me terem enriquecido espiritualmente.
Isto resultou do direito concedido pelas novas tecno­lo­gias da informação.
Um bem, ao serviço da humanidade como a internet, pode valorizar espiritualmente ou empobrecer e degradar. Mas não acontece o mesmo com tantos bens colocados ao nosso serviço?
O bom senso, que procuro desenvolver, leva-me a escolher amigos e informações.
No recente período de isolamento pude viver interiormente a Páscoa dum modo muito mais profundo, tornando mais claros e reais os mistérios que vivemos contemplativamente.
Ainda a viver a Páscoa (escrevo no seu oitavário), está viva a Homilia do Papa Francisco na Missa da Vigília Pascal: «Conquistamos o direito à esperança.»
Quem estará mais apto a divulgar esse direito, que as mulheres?
Agora, como há 2020 anos, Deus deve querer atribuir-lhes a missão que, na manhã da Ressurreição confiou a Maria Madalena.
Recusemos ser confundidas com as feministas. Reivindiquemos o direito de ser olhadas como mulheres, porque às mulheres é mais fácil compreender o dom da espe­ran­ça, capaz de fazer renascer um mundo novo.
M. Leonor Coelho
2020-04-16


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