Reportagem

Assembleia Municipal reúne em Salamonde “a freguesia com menos subsídios”

          
Assembleia Municipal reúne em Salamonde “a freguesia com menos subsídios”

Em 28 de Fevereiro, por unanimidade, foram apro­va­dos pedidos de apoio de 13 juntas de freguesias no montante de 161411 euros. Só as freguesias de Vi­eira do Minho, Ta­­buaças e Anjos/Vilar­chão não fo­ram contempladas.


Também, por unanimidade, foi aprovado empréstimo até 800 mil eu­ros para investimento em todo o con­celho na pavimentação e conservação de caminhos, rede de saneamento e requalificação de edifícios municipais. Este em­prés­­timo “não aumentará a dí­vida do Município”, diz An­­tónio Cardoso, enquanto Pedro Pires, do PS, “não compreende como isso é possível. Infelizmente a Câmara tem uma situação financeira que não é a apregoada”.
Depois de Rossas, foi a vez de Salamonde receber no amplo salão do Centro Cul­tural/Convívio a reuni­ão da Assembleia Municipal, com todas as forças políticas a congratularem-se por esta descentraliza­ção e agradeceram ao anfitrião, Domingos Cerqueira, presidente da junta, a forma como foram rece­bi­dos. Vânia Cruz, pediu maior des­cen­­tralização de serviços para as juntas de freguesias e a importância de apro­xi­mar o poder das pessoas. “Salamonde cresceu muito ao longo destes anos graças aos autarcas socialistas que estiveram e estão à frente dos destinos da freguesia”, afirmou.
O presidente da Junta de Salamonde interpelou o pre­sidente da Câmara pelo andamento das obras no ce­mitério e da piscina. João Vieira Rocha, do PS, também questionou o términus daquelas obras e disse que “em dois anos e meio de man­dato vamos votar dois subsídios para Salamonde. Eu votei um protocolo ilegal de uma obra de setembro/outubro de 2017”. Con­­­­siderou a “sinalização ver­tical, reduzida e desa­jus­­ta­da na estrada Botica-La­malonga”.
Antonieta Machado do PS, considera a sua freguesia mais esquecida do concelho, em termos de inves­ti­mento pela Câmara. “De 2005 a 2009 zero; de 2009 a 2013 quase zero. Gostava que a argumentação do pre­sidente fosse objetiva. O que foi pedido e o que foi rea­­lizado. A quantia para o CCL é menor do que para outros no concelho”.
Paulo Silva do PSD, lançou um desafio aos sala­mon­denses para colocarem “um padrão comemorativo dos corajosos combatentes na 2ª invasão francesa de Mar­ço de 1809”. Felicitou o pre­sidente da Câmara pela sua posição do não relativamente ao lítio, contrastando com “a posição de membros do PS num encontro realizado na Biblioteca Mu­ni­cipal, ao convidarem dois especialistas favoráveis”. Em nome do grupo parlamentar do PSD propôs “reforçar e agilizar com o Mu­ni­­­cípio de Amares para abre­­viar o processo da construção, a montante da ponte do Bôco, de uma nova pon­te”. Esta proposta foi aprovada, por unanimidade, na ordem do dia.
Luís Costa Pereira do PSD, sentindo-se emocio­na­do por “estar em casa”, pa­rabenizou a Câmara pela re­qualificação do Largo Brás da Mota, “deu amplitu­de à Vila que ainda ficará maior com o arranjo da antiga Biblioteca” e pela Feira do Fumeiro, “iniciativa de su­cesso”.
O presidente da Junta da União Caniçada/Soengas, agradeceu “os apoios de so­li­dariedade e confiança dos presidentes das juntas, do presidente da Câmara, dos emigrantes e dos vieirenses na sua reeleição. Os amigos nunca me abandonaram, o resultado foi esmagador. Não precisamos das redes sociais. Os elementos do PS tentaram impugnar a eleição do secretário e do tesoureiro. Fiz questão que a Fá­ti­ma e a Ana viessem à As­sembleia e estão aqui”, disse.
O presidente da junta de Rossas, trouxe quatros assuntos: Revisão do PDM; Limpeza dos terrenos “que vai trazer constrangimentos para Vieira do Minho”; Quei­­­­­­mas e queimadas, “necessária maior divulgação. Em Rossas já foram autuados”; Iluminação led, “re­cla­­mações deixaram de ocor­rer”.
António Gago do PSD, con­­gratulou-se pela Braval co­locar ecopontos em todas as escolas do concelho e com os professores da EB Do­mingos de Abreu com a cria­ção do “eco-espaço”. Pe­diu que o presidente da Câmara fizesse uma síntese das obras da EBS Vieira de Araújo.
Pedro Pires do PS, “somos contra o lítio, porque aquilo que temos de melhor é a paisagem e Vieira do Mi­nho já deu muito ao País com as barragens”. Agradeceu ao presidente da junta de Parada pelos esclarecimentos sobre o processo da ponte, ficando satisfeito que ela avance em 2020. Referiu-se ao “ritmo lento das obras na Escola iniciadas 2 dias antes das eleições” e não se justifica “adjudicação a uma empresa por 60 mil eu­ros para fis­­calizar a obra”. Perguntou ao presidente da Câmara pelos cri­térios para esta adjudicação e voltou a afirmar que a Câmara não pagou todos os protocolos do ano anterior. No âmbito do projeto em­preendorismo B2 Ave promovido pelo Mu­nicípio, con­siderou “uma oportunidade desper­diça­da”.
Após a intervenção de dez deputados na ordem antes do dia, o presidente da Câ­ma­ra “respondeu” que a jun­ta de Salamonde tem de pressionar a empresa para concluir as obras no cemitério e quanto à piscina, “a EDP não financia na sua to­ta­lidade”. Entre 2013-2017 apoiamos a freguesia na estrada de acesso ao Bairro, estrada em direção à Serra­dela, em muros, colaborámos com o Lar, aquisição de uma viatura para a Cruz Ver­melha. Apoios superiores a 200 mil euros.”
Quanto às obras na Escola estão com ligeiro atraso. “Não estão atrasadas por causa das eleições e quanto à sua fis­­­cali­zação é financia­da em 85%. Vocês é que anun­­ciaram um dia antes de eleições um novo Centro de Saúde para Vieira do Mi­nho e até hoje não temos iní­cio de nada”. A construção da nova ponte de Parada, “30 metros a montante da actual, solução mais eco­nó­mica, vai avançar o mais rápido possível. O PS foi a Pa­rada festejar o 1º aniver­sá­rio. Podem ir lá todos os anos”.

Sessão com 36 pontos terminou à 1 da manhã

O presidente da Câmara agradeceu os elogios sobre a forma como decorreu a Feira do Fumeiro, “a maior afluência de sempre” e da re­­qualificação do Largo Brás da Mota, “enche-nos de orgulho. Com o projeto de recuperação da antiga Bi­­blioteca, de cerca de 100 mil euros, aquele espaço ainda ficará com mais beleza”. Também sente orgulho por Vieira do Minho ser o único do distrito com cobertura de 100% na iluminação led e relativamente à questão do lítio “fui esclarecido rapidamente e não precisei de debates”.
No período da ordem do dia, com 34 pontos, para além dos apoios concedidos e do empréstimo, os membros da Assembleia elegeram, o presidente da junta de Rossas (27 a favor e 9 brancos), para seu repre­sen­tante na Comissão Mu­ni­cipal de Proteção Civil. Com 7 votos contra do PS, foi aprovado o tarifário dos ser­viços de água, drenagem e tratamento de águas residuais e resíduos sólidos ur­ba­nos. Os mesmos 7 socialistas abstiveram-se na primeira alteração ao regulamento e tabela de preços; Na equipa para igualdade na vida local e na primeira al­­teração orçamental.
Neli Pereira, presidente da Assembleia abriu uma ex­cepção, permitindo que o presidente da Junta de Pa­ra­da de Bouro, mostrasse um parecer técnico de 2003 que aponta falhas na ponte do Bôco, “desminto uma afir­mação no JV de que não há nenhum parecer técnico sobre a peri­gosidade da que­da da pon­te e que o seu encerramento foi uma deci­são política”. Pedro Pires, acusou o presi­dente da Câmara de “apro­­­veitar-se de uma forma absurda e de­ma­gógica em atacar Jorge Dantas e Alfredo Lopes”.
Às 00h30 teve início o período de intervenção do pú­blico, com Mário Barbosa, da freguesia de Louredo, acompanhado de um grupo de pessoas que reclamou justiça por um problema que se arrasta há 7 anos na sua rua. Naquela via continuam a transitar veículos pe­sados a não respeitar o sinal de proi­­­bição. As casas estão a ficar danificadas, os armários caem quando passam os camiões. Se a minha tivesse rodas eu fugia dali”.
António Cardoso encerrou o debate, afirmando que já se deslocou ao local por duas vezes. “É uma si­tua­ção que tem de ser bem pon­­derada. Temos que ter uma intervenção mais dire­cta com as autoridades para os transgressores cumprirem a lei”.
Texto e fotos: Zé Maria
2020-03-19


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